sexta-feira, 8 de agosto de 2014

JESUS Habitou entre NÓS

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1: 14)
Como foi que a Divindade Se tornou humana, de carne e sangue, para que pudesse viver entre nós como um ser humano e, no entanto, mostrar-nos a glória do Pai? É um milagre tão imenso que tenho dificuldade em pensar sobre o assunto. Mas aqui está o que eu sei com certeza. Sem dúvida nenhuma, Ele é divino, porque:
·         Só Deus podia subjugar e enternecer o meu coração duro, teimoso, cheio de orgulho e egoísmo;
·         Só Deus podia quebrar as cadeias da minha escravidão do pecado;
·         Só Deus podia levantar-me da confusão dos meus pecados e dar-me clareza;
·         Só Deus podia continuar a atrair-me com amor, embora eu lute para me distanciar d´Ele;
·         Só Deus podia transformar a minha grande dor e profunda tristeza em riso;
·         Só Deus podia entrar no meu coração desolado e trazer-me alegria indescritível;
·         Só Deus podia ser responsável pela magnificência criado no Universo;
·         Só Deus podia cumprir todas as promessas que fez;
·         Só Deus podia satisfazer a profunda forme da minha alma com o banquete da Sua graça;
·         Só Deus podia ser um bom amigo, um irmão e um companheiro constantes para mim;
·         Só Deus podia ser um marido amoroso do me solitário coração – nenhum cônjuge poderia ser tão fiel;
·         Só Deus podia ser um amoroso e terno Salvador para este miserável pecador;
·         Só Deus podia confortar com suavidade este coração de luto;
·         Só Deus podia rodear a minha pobreza opressora com a sua extravagante riqueza;
·         Só Deus podia curar a minha doença febril com saúde vibrante;
·         Só Deus podia iluminar a escuridão opressiva com a Sua brilhante luz;
·         Só Deus podia entrar no caos da minha vida e dar-lhe ordem e beleza;
·         Só Deus podia estar livre de retribuição e cólera em face da minha perpétua desobediência;
·         Só Deus podia ser tão cheio de graça durante toda a minha vida em que rejeitei o seu amor.

Glória a Deus nas alturas. Grandes coisas Ele tem feito.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

TREINO DE VOO

"Mas, pergunta agora às alimárias, e cada uma delas te ensinará; e às aves dos céus, e elas te farão saber;" (Job 12 : 7)
O fato de observar aves que voam, sem esforço, pelos ares faz-me desejar subir com asas como a água (Is. 40:31). Aparentemente, não sou o único, nem o primeiro com esse desejo. O primeiro voo, bem-sucedido, feito pelo homem, foi em balões de ar quente (1783). Mas as monstruosas máquinas mais leves do que o ar, certamente não voavam. Cerca de uma dúzia de anos mais tarde, Sir George Cayley estudou as aves cuidadosamente e descobriu quatro importantes forças aerodinâmicas do voo: peso, voo, impulso e resistência. Ele determinou que, nas aves, a força do batimento nas asas é suficiente para carregar o seu peso e ultrapassar a resistência, permitindo o impulso e o voo. Desde bem antes do tempo de Cayley, até ao dia de hoje, os inventores têm desenhado e testado tipos de dispositivos de bater asas chamados “ornitóptero”, tentando conseguir um voo movido por força humana que imite as aves. A razão pela qual não vemos ornitópteros a serem usados é que nós, seres humanos, tempos demasiado peso mas força insuficiente para desenvolver o voo e o impulso enquanto as aves têm uma relação força/peso favorável.
Otto Lilienthal é chamado o primeiro verdadeiro aviador porque ele conseguiu, realmente, lançar-se no ar, “voou” e aterrou com suficiente segurança para contar como foi – várias vezes. A sua vida foi dedicada a estudar cuidadosamente o voo das aves para tentar compreender quais eram os segredos da sua estrutura. Depois de despenhar três ornitópteros, ele voltou-se para os planadores. Começando nos primeiros anos de 1890, Lilienthal construiu 18 planadores (muito semelhantes à asa-delta de hoje) e muitos monoplanos e biplanos. Foi num desses planadores primitivos que ele fez o seu primeiro voo bem-sucedido. Depois, a 9 de agosto de 1896, o seu planador perdeu impulso e despenhou-se de uma altura de mais de 15 metros. Ele morreu no dia seguinte.
Os irmãos Wright, que deram a Lilienthal o crédito da inspiração ou da compreensão de como voar, continuaram o seu estudo de voo das aves, fizeram experiências com planadores, fizeram testes em túneis de vento, e empregaram o seu conhecimento de engenharia para construir a primeira máquina de voo bem-sucedida. A 17 de dezembro de 1903, os seus foram os primeiros voos movidos por força humana – quatro, cada um de menos de 60 segundos. O conhecimento das aves foi muito importante para se chegar a este ponto inicial. Quando reservamos tempo para estudar e escutar, as aves não nos ensinam apenas como voar, as dão-nos a conhecer o génio do seu Programador.

Deus dos céus, Senhor do Espaço intergaláctico, que outras lições gostarias de nos ensinar? Haverá lições que temos de aprender antes de podermos viajar com segurança de uma galáxia para outra?

quinta-feira, 31 de julho de 2014

TÉCNICA ASSÉPTICA

"E qualquer que a tocar será imundo; portanto lavará as suas vestes, e se banhará com água, e será imundo.” (Levítico 15: 27)
É necessário grande conhecimento e prática para que uma pessoa consiga fazer, com sucesso, uma tarefa num campo esterilizado sem que, acidentalmente, introduza contaminação. Trabalhar assepticamente é uma capacidade que eu ensino aos alunos quando fazerem experiências com batérias e ou quando se fazem culturas de tecidos animais ou vegetais. Em qualquer sala de cirurgia, a técnica asséptica é vital para prevenir a contaminação e uma potencial infecção a seguir à cirurgia.
É que, como sabe, a bactéria, os esporos de fungos, os vírus, e outros contaminantes em potencial estão emboscados em todo o lado à nossa volta, na nossa pele, e até dentro de nós. As novas descobertas sobre bactérias sugerem que casa um de nós e o número total de pessoas que já alguma vez viveram no mundo. Felizmente, contudo, Deus deu-nos várias linhas de defesa que mantém as bactérias “em sentido”.
“Esterilizado” ou “asséptico” são palavras que significam, simplesmente, a ausência de vida numa superfície ou no campo operatório. A presença de bactéria chama-se septicemia. Com a septicemia, as bactérias estão presentes, a crescer rapidamente, a proliferar, a segregar toxinas, a causar destruição e, eventualmente, pus e putrefacção. Os estudantes descobrem rapidamente que não existe algo como quase esterilizado ou quase asséptico. A esterilização não é um assunto de grau. É, antes, uma situação de tudo ou nada. Todos os meus alunos também têm de aprender a estar hiperconscientes de todos os movimentos. Têm de saber sempre o que é sujo (séptico) e o que é limpo (asséptico) e nunca deixarem que os dois se toquem. Esta lei rígida de não deixar o sujo tocar o limpo tem de ser cumprida, porque sempre que o sujo toca o limpo, o limpo torna-se sujo. No laboratório de cultura de tecidos ou numa mesa de operações, quando o limpo toca o sujo, o sujo nunca se torna limpo – é o limpo que quase sempre se torna sujo.
A minha exceção favorita a esta regra é a história que Lucas conta perto do fim do capítulo 8. A mulher que avançava com dificuldade, por entre a multidão, estava ritualmente impura devido a hemorragia constante que há anos a atormentava, sair de si, a pessoa estava impura. Não podia tocar em ninguém, porque o tornaria impuro, também. Consegue imaginar o seu isolamento, a sua solidão, a falta de um toque humano? A mulher quebrou a lei ao tocar na orla das vestes de Jesus. E nesta bela história de fé, a pureza de Jesus limpou instantaneamente a mulher. Aconteceu a exceção. O sujo tocou o limpo e tornou-se limpo também. Como anseio que isso me aconteça a mim!

Jesus, preciso do Teu toque de purificação. Purifica o meu coração neste momento.
O DEUS das Maravilhas - Dr. David A. Steen

quinta-feira, 24 de julho de 2014

…AINDA É DEUS QUEM GOVERNA

"…Pois Deus reina sobre toda a terra, cantai louvores com inteligência, Deus se assenta sobre o trono da sua santidade.” (Salmos 47:7, 8)
Afinal quem, ou o quê, está aqui no controlo? Um terrível acidente deixa uma pessoa ensanguentada à beira da estrada. A perda de sangue é significativa. Os tecidos do corpo não estão a receber oxigénio suficiente. Nas células, as mitocôndrias não conseguem produzir ATP suficiente para sustentar a vida. Elas compensam isso mondando para  a respiração anaeróbica, que fazia subir o ácido láctico, resultando na queda do pH no sangue. O baixo oxigénio no sangue faz com que a as membranas das células fiquem mal ventiladas. Fluidos extra celulares entram nas células. Os importantes centros que regulam os neurónios e os químicos procuram ganhar o controlo da situação. A respiração torna-se mais rápida para livrar o corpo do dióxido de carbono numa tentativa para elevar o pH no sangue. Os sensores de pressão nas carótidas respondem à baixa pressão sanguínea, promovendo a libertação de adrenalina e norepinefrina. A adrenalina apressa o ritmo cardíaco. A norepinefrina aperta as vias sanguíneas – medidas que, normalmente, fazem subir a pressão sanguínea. Os níveis de hormona antidiurética no sangue aumentam para permitir que os rins retenham água na circulação sanguínea e também para desviar sangue dos órgãos não críticos e manter o sangue a fluir para o coração, os pulmões e o cérebro. Durante este tempo crítico, o controlo á absolutamente importante. Se a ambulância chegar suficientemente depressa, a vítima poderá viver.
Enquanto a vítima está ali deitada a sangrar, esperando por ajuda, os próprios mecanismos de controlo começaram a falhar por falta de sangue nos tecidos. Os iões de sódio fluirão para as células enquanto os iões de potássio se escapam para fora, exactamente o oposto do que deveriam fazer. O pH do sangue continua a descer, os pequenos esfíncteres em cada capilar perdem a sua força para que o sangue pare de fluir através deles, e o fluido e as proteínas começam a vazar, fazendo com que o sangue se torne mais espesso e reduza ainda mais a pesagem pelos capilares. Como os mecanismos de controlo falaram, a morte da vítima é iminente. Está alguém ou alguma coisa ao controlo? Se perceber de medicina, reconhecerá o que está a acontecer. O fenómeno chama-se choque hipovolémico ou simplesmente choque. Aproxima-se o ponde de não regresso, quando, mesmo que a ambulância chegue, é demasiado tarde. Já houve demasiado dano.
Os sistemas biológicos requerem sistemas de controlo delicados. Quando estes falham, acontece a morte. Agora, vamos imaginar os sistemas de controlo que são necessários para manter o Universo a funcionar bem. Felizmente, o Projetista e Criador de todos os grandes sistemas está no controlo. Deus ainda governa. Recorde-se do espanto dos discípulos: “Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem?” (Lucas 8:25)
Governador deste vasto domínio, toma a minha vida e que ela possa se consagrada a Ti, Senhor.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

HÁ DOR POR TODO O LADO, SOFRIMENTO E DISCÓRDIA

"Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.” (Eclesiastes 12 : 14)
Uma das lições mais duras que tive de aprender é que a vida, pura e simplesmente, não é justa. Coisas más acontecem a pessoas boas. Coisas boas acontecem a pessoas más. E coisas horríveis, inexplicavelmente, abatem-se sobre as crianças mais pequenas, mais fracas, e mais inocentes. E o que fizeram elas para merecer isso? Não é justo!
Especialmente quando dirigidos a bebés e crianças muito pequenas, matar, abuso sexual, abuso físico, abuso emocional e negligência são a prova mais forte de que o mal existe no nosso Planeta. Que maior demonstração poderia haver de que Satanás odeia o que Deus ama e está a usar todos os meios possíveis para matar, estropiar e marcar emocionalmente para toda a vida, perpetuando a dor e destruição geração após geração? O meu coração de pai enche-se de justa indignação e grita: Chega! Para!
Conheci pessoas trabalhadoras, bondosas, honestas, tementes a Deus, que viverem durante décadas numa comunidade. Servindo desinteressadamente os outros, dão do seu tempo e recursos para construir a comunidade. Depois, acontece o desastre. Cheias, um tornado, talvez um deslizamento de terras. Ao princípio sentem-se abençoadas por terem sobrevivido e louvam o Senhor por ter tomado conta delas. Mas estão agora sem nada e tiveram de começar do zero. Isto é justo?
Conheci muitas famílias que perderam bebés, crianças, mães, pais, que sucumbiram à devastação do cancro. Demasiado jovem para morrer. No vigor da vida. Apagados! Que injusto!
Conheci demasiados trabalhadores dedicados, em instituições, firmas e outras organizações que foram despedidos por chefes demasiado controladores, inseguros e incompetentes. Todas as razões das queixas foram cuidadosamente consideradas para evitar uma falha da justiça – mas sem sucesso. Essas pessoas perderam o seu trabalho, a sua dignidade, o seu valor próprio e a sua pensão. Ocasionalmente, esses chefes são promovidos, mostrando que coisas boas também acontecem a pessoas más. A vida é justa.
O meu ri com satisfação. Há dor por todo o lado, sofrimento e discórdia. Mas, no fim, o julgamento. Os campos de batalha serão nivelados. Todas as acções serão julgas – com justiça.

Que grande dia para a justiça será esse, Senhor. Recorda-me, uma vez mais, para não me vingar daqueles que me maltratam. Abençoado sejas, meu justo e reto Juiz.

domingo, 13 de julho de 2014

Há milagres HOJE?

Sua pergunta: “Por que não existem milagres visíveis hoje em dia que gritem — sem a menor sombra de dúvida — ao mundo: ‘Existe um Deus!’?”

Nossa resposta: Muitos de nós queremos razões fortes, e até mesmo mais do que suficientes para acreditar em Deus. Algumas pessoas crêem na existência de Deus por fortes razões factuais e filosóficas. Outras crêem em Deus por causa de orações respondidas, direção que Ele tem dado às suas vidas, ou por causa de como Deus transformou as suas vidas.

Mas por que Deus apenas não se manifesta de uma maneira vocifera e faz com que as pessoas TENHAM que acreditar que Ele existe? Uma boa resposta é apresentada por Philip Yancey no seu livro, O Jesus que eu nunca conheci (particularmente pp. 74-80).

Yancey aponta que Deus nos deu a liberdade de acreditar n´Ele ou não. Ele completa, “Minha fé sofre de muita liberdade e tantas tentações para desacreditar. De vez em quando eu quero um Deus que me supra, que supere as minhas dúvidas com certezas, que me dê provas verdadeiras de Sua existência e Sua preocupação para comigo. Eu quero um Deus sem ambiguidades, Aquele a quem eu possa indicar para o bem de meus amigos.” Mas aí Ele diz, “Quanto mais eu conheço Jesus, mais eu fico impressionado com o que [Dostoevsky] chama do milagre da restrição.”

Jesus poderia ter feito maravilhosas performances, milagres espetaculares que fariam com que as pessoas acreditassem n´Ele. Ele poderia curar cidades inteiras com uma simples declaração em massa. Ele poderia instantaneamente assombrar todo o Israel. Ele podia com um só grito espantar o exército romano. Ele poderia ter feito uma série de milagres onde as pessoas seriam forçadas a acreditar n´Ele. Mas Deus sempre sustenta a ideia de livre arbítrio com a qual Ele nos criou.

Yancey afirma, “Mais maravilhoso é a sua recusa em fazer performances e impressionar. A terrível insistência de Deus na liberdade humana é tão absoluta que Ele nos concede o poder de viver como se Ele não existisse, cuspir na sua face, crucificá-Lo. Acredito que Deus insiste em tal restrição porque nenhum show pirotécnico de omnipotência alcançaria a resposta que Ele deseja. Apesar de que o poder possa forçar a obediência, apenas o amor pode levar a uma resposta de amor, que é a única coisa que Deus quer de nós e a razão pela qual Ele nos criou”.

Se Deus realmente revelasse o Seu poder de uma maneira extravagante, Ele poderia nos forçar a acreditar n´Ele. Ele poderia facilmente nos forçar a obedecer ao Seu incomensurável poder. Ele poderia ordenar o que quisesse. Mas o que Deus quer é que nós o reconheçamos como nosso Pai, Amigo, Consolador, Conselheiro, Senhor – espontaneamente, não sob pressão.

Ele tem-nos dado muito mais que razões amplas para acreditar n´Ele (veja “Mais Que Uma Fé Cega”). Mas Ele não nos força a conhecê-Lo. Mesmo que Jesus diga, “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei…” (Apocalipse 3:20). Ele só entra na nossa vida com a nossa permissão. E se nós sinceramente quisermos descobrir se Ele está lá e como Ele é, Ele permitirá que nós O encontremos e O conheçamos.

Glória, Louvor e Aleluia sem cessar!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O CASO DOS OVOS FALSOS

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” Isaías 5:20
Esta história é complexa, por isso tem de se concentrar. Existem, em todo o mundo, cerca de 500 espécies diferentes de plantas de maracujá. Algumas crescem como se fossem ervas, outras são arbustos, mas a maioria são trepadeiras com grandes com grandes flores muito bonitas de onde cresce um fruto do qual se faz um sumo tropical muito agradável. As folhas das trepadeiras de maracujá produzem variadíssimas, interessantes e complexos químicos como favonoides, alcalóides, flavonas e até mesmo alguns glicosídeos venenosos. Aparentemente, o veneno mortal protege as folhas de serem comidas por insectos herbívoros. Mas, algumas espécies de larvas de borboletas longiwing (Heliconius) conseguem ultrapassar a defesa da planta neutralizando o veneno – ou talvez o possam armazenar para sua própria protecção.
Agora é que o enredo se adensa, portanto preste atenção. Não só os adultos da borboleta longwing evitam o veneno das folhas tóxicas, como os adultos põem os seus ovos (num invólucro com pezinhos) nas folhas das trepadeiras. Mas, além de comerem as folhas, as larvas das borboletas são canibalescas. As primeiras a
sair dos ovos tentam comer os ovos que estão por eclodir. E é aqui que a trepadeira de maracujá entra na luta. A trepadeira de maracujá tem um código genético que produz pequenos invólucros que servem de isco (ovos falsos) nas suas folhas. As borboletas longwing passam por alto as folhas que parecem já ter sido povoadas com invólucros de ovos. Mais ainda, os ovos falsos são, na realidade, glândulas da planta que segregam um químico que atrai as vespas que comem larvas de longwing. Como pode ver, a planta tem duas linhas de defesa contra aquilo que a incomoda: recrutar as vespas para matarem o que come as suas folhas e enganar as borboletas fazendo-as pensar que o território já está ocupado.

Isto parece complicado, não acha? Será que o grande enganador está envolvido nisto, de alguma maneira? Talvez. O que eu sei, realmente, é que quero que a minha vida seja autêntica e transparente. Não quero enganar ninguém.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A Verdade é uma Pessoa

Imagens, imagens, imagens. Vemo-las em toda a parte. Vemo-las em todas as formas. Outrora eram esculpidas em pedra. Mas hoje, a tecnologia nos dá diferentes aparelhos para criá-las e dar-lhes vida. Movem, falam, gritam, voam, comem, cantam e se alegram. As indústrias cinematográfica, de televisão e de computação prosperam pela nossa obsessão por imagens.
Mas, talvez, o fato mais surpreendente na história de imagens é que podemos finalmente interagir com elas de modo nunca dantes imaginados. Ainda recentemente, o presidente Barack Obama interagiu com um robô no Japão. Podemos criá-las, modificá-las, comunicar com elas e destruí-las. As imagens modernas são tão próximas do real que nos referimos a elas como “realidade virtual”.
Assim parece mais fácil para seres humanos lidarem com imagens do que com a realidade mesma. Mas se nos movemos para o plano cósmico, a questão fundamental é de imagem versus realidade, falsidade versus verdade. No pensamento adventista do sétimo dia, o grande conflito cósmico é sobre a natureza da realidade última. Seres inteligentes através do universo são confrontados com a imagem de Deus concebida na mente de uma criatura rebelde. Portanto, a questão mais importante no nível cósmico tem que ver com a verdade. Para uma resposta, nos volvemos a Jesus. Ele deu uma definição da verdade inteiramente diferente, nunca dantes feita neste planeta: “Eu sou...a verdade”, João 14:6, disse Ele. Esta pretensão chocante leva a algumas afirmações sobre a verdade.

1. A Verdade é transcendental
A realidade última é achada fora do universo e não dentro de sua unidade estrutural e funcional. Isto não quer dizer que não podemos apreender alguns elementos da verdade através do uso de nossas faculdades racionais. Podemos obter algum conhecimento. Contudo, conhecimento não é algo que criamos mas algo que descobrimos. Esse conhecimento é fragmentado. A fim de que seja realmente significativo, tem de ser posto dentro de um sistema de coordenadas maior, provido pela verdade última.
Essa perspectiva nos é inacessível porque requer que transcendamos o universo. Isso é simplesmente impossível. Mas a verdade desceu até nós, entrou em nosso mundo na forma de uma pessoa, e disse: “Eu sou...a verdade”. Sou o único capaz de integrar tudo dentro de um todo significativo; porque “por Mim todas as coisas foram criadas, no céu e na Terra, visíveis e invisíveis. Sou antes de todas as coisas, e em Mim tudo subsiste” (ver Colossenses 1:16,17).
Esta afirmação de Jesus era um golpe penetrante ao que os gregos chamavam de autárkeia ou suficiência própria. Eles criam que a verdade era a manifestação da eterna, imóvel e imutável essência das coisas e que os homens podiam descobri-la mediante análise racional. A verdade última era localizada no mundo imaterial de ideias, que era formado por abstrações racionais da mente humana. Em oposição a isto, Jesus proclamou que a verdade está além do alcance da mente humana por si só; é uma revelação.
Dizendo: “Eu sou...a verdade”, Jesus rejeitou qualquer tentativa de definir a origem, a natureza e o destino da raça humana de uma perspectiva natural.
Ademais, Ele Se arrogava a verdade absoluta. Ele não disse: “Sou uma dimensão da verdade, um aspeto da verdade, um elemento da verdade”. Aquele que falou era o Eterno “Eu sou”, Deus em forma humana. NEle todo conhecimento encontra seu centro e significado.
A Bíblia afirma que a verdade ou sabedoria só pode ser obtida se a pessoa está disposta a reconhecer que “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Provérbios 1:7. A Bíblia rejeita autárkeia como um caminho à verdade. À pessoa imatura tentada a ser autónoma, vem o conselho: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5). Isto é realmente difícil para a pessoa auto-suficiente.

2. A Verdade é uma Pessoa
Dizer que a verdade final está localizada além da esfera da ação humana, é afirmar algo que não é popular ou facilmente aceito. A natureza transcendental da verdade põe limite a nosso orgulho e tende a nos deixar incomodados. Mas talvez ainda mais perturbadora à lógica humana é a afirmação de Jesus de que nEle reside a verdade — a verdade é uma Pessoa.
A filosofia busca a verdade em termos de abstrações, identificando a essência atrás do que experimentamos pelos sentidos. Mas Jesus contradiz tais noções dizendo que a verdade não é uma coleção de conceitos abstratos ou universais que podemos usar para integrar os fenômenos que observamos. Ele sugere que tudo que veio à existência foi o resultado da atividade da Pessoa da qual todas as outras pessoas derivam sua personalidade. O que mantém o universo coerente é uma Pessoa — não uma lei, não um princípio, não uma simples força.
A verdade como uma Pessoa significa que a verdade é racional e inteligível. Sua apreensão não requer rejeição das faculdades racionais. Ao contrário, através de nossa racionalidade podemos ter contato com a verdade. Isto é possível porque Jesus Se colocou à nossa disposição. Portanto, precisamos desenvolver nossas capacidades racionais ao máximo e fazê-lo dentro da esfera da verdade provida por Aquele que disse: “Eu sou a verdade”.
A verdade como uma Pessoa também significa que o universo não funciona de uma maneira mecânica, controlado por leis impessoais. Sim, há leis que governam todos os fenómenos, visíveis e invisíveis. Mas essas leis são a expressão da vontade e poder da Pessoa que é a verdade, que mantém o universo coerente. “Só Tu és Senhor, Tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a Terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e Tu os preservas a todos”. Neemias 9:6. O verbo traduzido “preservar” pode também ser traduzido por “manter em vida”. A vida é preservada pela vida; vida inteligente é preservada pelo poder e a própria fonte de vida inteligente. A realidade última cuida daquilo que existe; somente pessoas cuidam.
Verdade como Pessoa revela a natureza da realidade última: Deus é a verdade. Esta verdade humilhou-Se a Si mesmo de modo misterioso e entrou em nosso mundo na forma de um ser humano (ver Filipenses 2:5-11). A realidade última não é mais exclusivamente transcendental porque Ele esteve e está entre nós. João diz que nós O vimos “cheio de graça e verdade”. João 1:14. Assim a verdade se expressa em humildade. Ele assume a forma do necessitado e do humilde, e embaraça nosso orgulho e suficiência própria.
A natureza da verdade foi revelada não só na encarnação, mas igualmente na cruz. A Verdade morreu a fim de preservar em vida os fenómenos, o mundo criado. Aquele que mantém o universo coerente morreu, e não obstante o universo não entrou em colapso e não morreu com Ele! Uma vez mais o inesperado aconteceu, e foi revelado que a verdade pode Se sacrificar pela criatura e continuar ao mesmo tempo a manter o universo coerente.
A verdade como Pessoa revela ademais a realidade sublime que no centro mesmo do Ser divino só podemos achar amor, amor desinteressado (ver I João 4:8). Na cruz a mentira foi desmascarada: a imagem de Deus e de Seu amor criada por Satanás foi claramente demonstrada falsa. A verdade conquistou a mentira de Satanás.

3. A Verdade deve ser apropriada
Quando Jesus disse: “Eu sou a verdade”:, Ele esperava uma resposta. Visto que Jesus é a verdade, devemos nos relacionar com Ele não em termos de objetividade científica, mas em termos de um relacionamento “Eu - Tu”. Compreendemos as pessoas sendo envolvidas em suas vidas, participando com elas na experiência de sermos vivos; mediante koinonia. Podemos ter comunhão com a Verdade porque ela é uma pessoa. NEle está localizada a origem, alvo e natureza de nossa existência e de todo mundo. É nEle que uma visão global correta deve ser achada, porque é Ele que deu coerência e significado ao universo.
O que é necessário é disposição de render a Ele nossa autárkeia. Isto é de fato liberdade. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. João 8:32. Somos escravos do pecado que se manifesta em nossa pretensão à suficiência própria. A mentira consiste na crença de que podemos achar nosso caminho no universo, que podemos descobrir significado permanente para nossas vidas mediante pesquisa científica, tecnológica ou filosófica. Submissão à verdade nos liberta da estreiteza da suficiência própria e nos integra na comunhão d´Aquele que disse: “Eu sou a verdade”.
A verdade é apreendida não só mediante um encontro pessoal com o Senhor, mas também através de Sua Palavra. A verdade pode ser conceptualizada, codificada e encarnada em palavras. Deus usa linguagem humana apesar de suas limitações, como um veículo válido para a comunicação da verdade. Isto ocorre sob a revelação e inspiração de Deus. Portanto, Paulo diz: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. II Timóteo 3:16,17.
A verdade determina não só nossa compreensão da realidade e do mundo ao nosso redor, mas também o modo como vivemos. Toda compartimentalização da verdade em termos de ética e religião, ciência e fé, é uma rejeição do fato de que a verdade é uma Pessoa e de que é Ele que integra todo conhecimento numa só totalidade significativa. Devemos viver segundo a verdade (ver I João 1:6). Precisamos exibir a verdade tanto na conversação como na conduta.

Conclusão
A história do pensamento humano indica que somos por natureza pesquisadores. Sondamos a vastidão do universo, a profundidade dos oceanos. Procuramos também penetrar no microcosmo. Exploramos todos os domínios do conhecimento.

Contudo, nossa busca da verdade última findou. Sim, somos ainda desafiados a buscar uma compreensão mais profunda da verdade, a explorar suas formas ricas e complexas; mas a busca de sua essência findou. Findou porque Ele veio a nós e disse: “Eu sou a verdade”. Sua declaração põe limites à nossa suficiência própria, porque a verdade é transcendental, revelatória e pessoal. E podemos apreender aquela verdade mediante uma comunhão pessoal com Ele, e seguindo-O em obediência.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Sublime Contemplação do Salmo 19

Contemplar é muito mais do que ver ou enxergar. Ver é perceber com a vista. Contemplar é ver com a inteligência; é demorar o pensamento naquilo que estamos vendo e tirar conclusões inteligentes a respeito do que vemos. No salmo 19, Davi pôde contemplar 3 diferentes fontes para ver a perfeição de Deus, e se aperfeiçoar em sua natureza humana. Este salmo nos conta como Deus é perfeito e como podemos nós ser também perfeitos. Ele contempla em 3 livros a respeito da perfeição divina e humana.

A estrutura do salmo tem uma correspondência que pode ser logo percebida:
  A. A Revelação da Natureza Universal (vs. 1-6): Livro 1
  B. A Revelação da Natureza da Lei de Deus (vs. 7-11): Livro 2
  C. A Revelação da Natureza do Homem (vs. 12-14): Livro 3

I – Contemplando os Céus
Davi contemplou os céus e se deslumbrou diante de tanta glória. Mas ele não se iludiu com o brilho e a luz fulgurante das estrelas; ele sabia que atrás de tudo isso estava a glória de um de um Ser Todo-poderoso: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” (v. 1). Os céus testificam da glória divina. Este é o livro da Natureza universal, de onde aprendemos do Seu Autor. Se nós queremos saber quão glorioso é Deus, então, só temos que levantar os olhos, e contemplar os céus. Então, veremos a Sua perfeição em todos os Seus atributos não comunicáveis e exclusivos de Sua onipotência, onipresença e onisciência.

Mas muitos cientistas hoje estão proclamando e promovendo a teoria do “Big Bang”, ou a grande explosão, proposta por George Lemaître (1927) para a origem do universo, baseada no fato de um universo em expansão, que pode ser constatado. A partir de uma expansão, pode-se retroagir e chegar à explosão, porque uma explosão sempre resultaria numa expansão. Entretanto, há controvérsias mesmo entre os cientistas que rebatem dizendo que essa expansão poderia ser apenas algo regional de um ponto observado pelos grandes telescópios e não a realidade de todo o universo. E ainda está surgindo a teoria de vários universos.

O nosso universo jamais poderia ter nascido de uma explosão cósmica, segundo a qual as galáxias ter se iam desenvolvido e se organizado de modo harmónico, com estrelas e os seus planetas girando ao seu redor com as suas leis matematicamente exatas. Não precisamos de muita ciência para descobrir o que acontece após uma explosão: ruína, destruição e morte. Nunca aconteceu ordem, harmonia e vida depois de uma explosão. Quando as torres gémeas foram explodidas, não resultaram em mais 1.000 prédios edificados perfeitamente. Pelo contrário, houve destruição, caos, ruínas e morte. O resultado não foi evolução, mas degeneração. Davi, muito longe das teorias modernas dos cientistas atuais, em um momento de inspiração divina, disse que os próprios céus proclamam a glória, a majestade e o poder de um grande Deus Criador.

Nossa galáxia, que se chama “Via Láctea”, é apenas uma. Entretanto, os astrónomos já descobriram bilhões de outras galáxias no espaço sideral. E cada galáxia possui de 100 mil até 300 bilhões de estrelas, com seus planetas, e luas, além de outros corpos celestes. Em nossa galáxia, há cerca de 250 bilhões[1] de estrelas, e o nosso Sol é apenas 1 estrela anã que brilha entre tantas gigantes e supergigantes. Mas se o Sol se parece pequeno, essa estrela anã é 1.300.000 vezes maior do que a terra. Para termos uma ideia do tamanho dos céus: a nossa galáxia tem 100 mil anos-luz [AL] de diâmetro. Cada ano-luz tem cerca de 10 triliões de quilómetros. Isso nos leva a 1 quintilião de quilómetros de diâmetro (1.000.000.000.000.000.000 = 1018). Só a nossa galáxia.

Isto significa que se fôssemos viajar pela extensão de apenas uma galáxia, a nossa, que não é das maiores, deveríamos viver 100.000 anos para percorrer o espaço à espantosa velocidade da luz, que é de 300.000 quilómetros por segundo! Mas a nossa galáxia é ainda muito pequena. A “Galáxia M60: M60 é uma galáxia do tipo elíptica, seu diâmetro é de 55 milhões de anos-luz (520 quintiliões de km), o que acaba sendo 550 vezes maior que o da Via Láctea, que é de "apenas" 100 mil anos-luz.”[2] Isto é: 1 quintilião de quilómetros comparados com 520 quintiliões da galáxia M60! Imagine agora, se puder, como que seria o tamanho do Universo com centenas de bilhões de galáxias! [3]

Quando Cristo voltar Ele nos levará através de todo esse infinito céu de triliões x triliões de quilómetros de extensão por apenas uma semana! Então, poderemos dizer com o salmista: “Os céus proclamam a glória de Deus” e cantarmos o hino Aleluia de Händel, com os anjos ao contemplarmos tanta luz, tanta glória das coisas criadas por um infinitamente mais perfeito e glorioso Deus.



Fotografia da Via Láctea, com seu diâmetro de 100.000 Anos-Luz

Com efeito, bem poderia o salmista Davi cantar: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de Suas mãos!” Mas ele não conhecia os dados astronómicos que hoje nós temos. Portanto, nós podemos cantar este hino com muito mais convicção e eloquência, em um mundo que nega o Criador,