segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A BÍBLIA E A PALEONTOLOGIA

Arthur V. Chadwick
Southwestern Adventist University
Tradução: Urias Echterhoff Takatohi
Revisão: Marcia Oliveira de Paula
Marcos Natal de Souza Costa

A Minha Perspectiva
Ao lidar com um tópico sujeito a tanta controvérsia e interpretação como este, penso que é apropriado afirmar os meus próprios pressupostos no início. Farei isto de forma abreviada. Quando cursava na faculdade, fiquei convencido da minha necessidade de Cristo e entreguei a minha vida a Ele, unindo-me à Igreja Adventista do Sétimo dia, devido ao meu desejo de seguir a Verdade aonde quer que ela levasse. Parecia claro para mim naquela época, e assim é ainda hoje, que a Bíblia ensina intencionalmente lições que não podemos apreender por nós mesmos. Conquanto eu acreditasse que processos racionais fossem essenciais para o estabelecimento de uma filosofia de vida, reconhecia que a razão somente não seria suficiente.
A crença em um evento de Criação Divina literal em um passado recente é uma parte de minha filosofia. Não necessito de evidências científicas para dar apoio a esta posição, mas espero que, corretamente entendidos, todos os dados científicos irão finalmente fazer sentido dentro desta estrutura. Portanto, meu objetivo ao fazer ciência, não é "provar" que um dilúvio global ocorreu, ou que a criação foi um evento literal que ocorreu há poucos milhares de anos atrás. Estes fatos são assumidos como dados. Espero que, usando estas perspectivas singulares na ciência, eu e outros assim equipados, obteremos vantagens nos "insights" que podemos ter ao abordar problemas na arena da ciência.
Há muitas questões não respondidas sobre o mundo natural como o que, como e quando. Para os cientistas, possuir mais perguntas do que respostas não é uma situação desagradável. Afinal, o papel da ciência é buscar respostas a questões do mundo natural e o que poderia ser melhor do que estar rodeado de questões não respondidas e desafiadoras? Também entendo que nem todos partilham desta perspectiva. No artigo que se segue, tentarei colocar algo daquilo que sabemos, do que podemos saber, do que não sabemos, e talvez do que não podemos saber da Bíblia e da paleontologia, sobre a história da vida na terra.
Uma das áreas singulares a serem exploradas seria dirigir esforços para a construção de um modelo do mundo antediluviano, baseado no que é conhecido a partir da Bíblia e dos melhores esforços para interpretar o mundo natural em harmonia com a Bíblia. O esforço necessário para que um tal projeto seja viável é enorme. Alguns de nós apenas iniciamos a sondagem do Cambriano, com o objetivo de entender o que foi provavelmente o início do Dilúvio do Gênesis. Estamos usando padrões de depósitos sedimentares para discriminar áreas de origem potenciais de sedimentos e fósseis, o padrão de distribuição de fósseis para tentar reconstruir os tipos ou número de habitats, e dados de paleocorrentes para tentar reconstruir os padrões de fluxo e ajudar a localizar as áreas de origem. Fica claro que um empreendimento monumental como este só poderá ser bem sucedido por meio de um esforço conjunto, bem dotado de recursos, com tantos pesquisadores bem treinados e dedicados quanto possível. Naturalmente o objetivo seria entender melhor as circunstâncias que produziram o registro fóssil, e ser capaz de explicar alguns dos detalhes difíceis de entender. Antes de decidir se tal esforço é ou não necessário ou importante, vamos revisar o outro aspecto desta apresentação, a paleontologia.

O que é Paleontologia? Paleontologia é a investigação científica da história passada da vida na terra, por meio do estudo dos restos fósseis de animais e plantas. Esta disciplina é de considerável interesse para a comunidade cristã, porque tem a ver com a interpretação da história passada e particularmente a história passada da vida na terra. A paleontologia como profissão tem causado temor e desconfiança entre os cristãos, porque muitas das conclusões obtidas pelos paleontólogos são consideradas uma ameaça à integridade da Bíblia, e particularmente ao relato bíblico das origens. Assim, o título deste artigo pode ser entendido como sugerindo uma certa tensão entre os dois assuntos, como se a paleontologia e a Bíblia estivessem de alguma forma em contradição. Vou propor que esta atitude não é salutar e não deve ser cogitada por aqueles que mantém uma visão holística da revelação.

A Bíblia como um Registo da Vida na Terra
O que a Bíblia diz:
Nossa preocupação é o relacionamento entre a revelação na Bíblia e a revelação no registro histórico da vida na terra. Vamos começar com uma excursão na Bíblia. O que podemos aprender sobre a história da vida na terra a partir da Bíblia? Podemos aprender bastante. Conquanto a Bíblia não fale virtualmente nada sobre os fósseis de forma direta, fala explicitamente sobre a origem das formas vivas e, tanto quanto as conexões cronológicas são mantidas, nos fala sobre quando se originaram. Iremos examinar esta fonte porque ela forma o fundamento e estrutura sobre a qual tudo mais será amarrado.
O relato do Gênesis descreve o mundo antes da Semana da Criação como escuro e coberto com água (Gên. 1:2).Esta ausência de luz exclui a existência de vida como a conhecemos atualmente, pois sem luz não pode haver plantas, e as plantas formam a base da pirâmide alimentar. Um mundo coberto de água também exclui a existência de formas de vida não adaptadas para viver na água. Consideradas juntas, estas duas frases fortemente sugerem um mundo sem vida. Quando Deus iniciou a criação de formas de vida no terceiro dia com as plantas, e no quinto e sexto dia com os animais das águas, céu e terra, Ele não deixou nenhum domínio de formas vivas vazio. Qualquer coisa que pudesse ter ocorrido no planeta antes do início da Semana da Criação, não poderia ter envolvido a vida e morte de miríades de formas de vida. Não havia nenhuma. Deus reivindica no capítulo inicial da Bíblia, e repetidamente ao longo das Escrituras, ser a causa de todas formas de vida. Na época de Noé, Deus afirma: "Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito”.(Gen. 6:7). João implicitamente reafirma em S. João 1:3: "Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez”.Isto dá a Ele soberania sobre as formas de vida representadas no registro fóssil também.

Os Fósseis se Originam com a Morte
Quando Deus criou a vida, uma ordem de relacionamentos inteiramente diferente existia entre os organismos de Sua criação. Como seria este mundo? Hoje não temos nenhum sistema de referência de tal mundo. Não podemos mais visualizar um mundo sem a morte, assim como Adão em seu estado não caído não podia visualizar um mundo com morte. As condições anteriores à entrada do pecado no Jardim do Éden, e presumivelmente em toda a terra, podem talvez ser precariamente reconstruídas pelas referências à Nova terra. É-nos dito que no Éden restaurado,
"O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi”.Isaías 11:6, 7.
Outra vez, ao descrever a Nova Terra, Isaías escreve:
"Não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado. Eles edificarão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque a longevidade do meu povo será como a da árvore, e os meus eleitos desfrutarão de todo as obras das suas próprias mãos. Não trabalharão debalde, nem terão filhos para a calamidade, porque são a posteridade bendita do Senhor, e os seus filhos estarão com eles. E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor”.Isaías 65:20-25
E no livro de Apocalipse João escreve:
"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”.Apoc. 21:4.
É difícil para nós sabermos hoje que nível de morte tem significado no plano de Deus. As mudanças afetaram apenas os mamíferos, ou vertebrados? O que os tamanduás comiam? O que se pode dizer sobre as plantas? E as bactérias? A ignorância alimenta a especulação. Nossa incapacidade de explicar, descrever ou entender como tal sistema pôde existir tem sido considerada por alguns como evidência de que ele não existiu, e que a morte é uma parte da "ordem natural”.Mas é tão inútil para nós hoje tentarmos entender como tal ordem pôde existir, como é para nós tentarmos entender o processo pelo qual Deus originou a vida no princípio. Não temos pontos de referência para um mundo assim. Nossa incapacidade de descrever ou entender tal sistema deve ser reconhecida como é: uma limitação de nosso conhecimento e compreensão. Naturalmente, é mais satisfatório e autogratificante, afirmar que tal sistema não poderia ter existido, do que admitir que a falha é nossa. Os detalhes terão que esperar nova revelação ou nosso retorno ao Éden.
Qualquer que tenha sido a ordem no mundo edênico, com a entrada do pecado, ele chegou ao fim, e a morte rapidamente se seguiu. Deus mesmo tirou a vida de animais preciosos para prover roupas para Adão e Eva, que serviriam de lembretes constantes das conseqüências de suas escolhas, e de sua necessidade de um Salvador. Com o pecado veio a morte (Gên. 2:17, Romanos 6:23). Paulo bem descreve a entrada da morte como conseqüência natural da desobediência em Romanos 5:12: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.Em Romanos 8:22, ele afirma: "Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”.Com a morte veio a possibilidade de fossilização, a preservação de restos de organismos anteriormente vivos. E com a fossilização vem a paleontologia.

O Registo da Morte
Como a paleontologia está relacionada com a morte, olharemos para este aspecto da história da vida na terra. A crosta terrestre contém mais de 20 trilhões de toneladas de matéria orgânica armazenada como carvão, petróleo e carbono disperso. Há outros trilhões de toneladas de restos dos componentes inorgânicos dos fósseis, tais como conchas, ossos e outras formas. Há uma grande probabilidade de que pelo menos uma parte significativa deste material tenha sido produzida em conexão com a Semana da Criação. Por exemplo, Deus criou os recifes de coral, ou apenas pólipos de coral sem um lar? Havia matéria orgânica no solo ou era ele composto inteiramente de constituintes inorgânicos? Deve-se notar que, sem uma fonte de carbonato de cálcio, os oceanos não seriam um local adequado para o crescimento de muitos invertebrados marinhos. Aquários marinhos requerem um substrato de coral ou conchas no fundo para proverem um ambiente saudável. De qualquer forma, uma grande parte do material fóssil representa os restos de organismos que viveram na terra, e temos no registro paleontológico evidência de destruição em massa de formas viventes. Mais tarde vamos examinar detalhadamente a organização destes restos fósseis. Mas primeiro, o que podemos entender sobre este registro de morte em massa a partir da história bíblica? Já vimos que a morte se seguiu ao pecado. O pecado foi, com toda probabilidade, uma aflição logo no início na terra. Adão e Eva ainda não tinham procriado, algo que foi um mandado explícito em Gên. 1:28. Isto nos dá um período de poucos milhares de anos, entre a entrada da morte e o catastrófico dilúvio mundial considerado a seguir. Durante este tempo, o período antediluviano, a morte de formas animais foi aparentemente uma ocorrência cada vez mais freqüente e violenta entre todas as categorias de organismos, incluindo o homem. Observando os resultados do pecado pouco antes do dilúvio, Deus "Viu... que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”.(Gên. 6:5).
É até mais gráfica e inclusiva a linguagem nos versos seguintes:
"A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra." (Gên. 6:11-13).
Devem ter ocorrido mortes e destruição em larga escala, não apenas de seres humanos, mas também de cada forma de vida animal, como resultado da expansão do pecado na terra. A morte e destruição são o que fornecem material para a paleontologia, e temos evidência de que restos de formas de vida devem ter se acumulado antes da destruição da superfície da terra pelo dilúvio. Se estas formas foram realmente enterradas antes do dilúvio é um assunto sobre o qual se pode especular longamente. Ao final do dilúvio, aqueles restos que permaneceram foram enterrados e, ao menos em parte, preservados. Mas a morte e a destruição ocorridos no mundo antediluviano não podem ser comparados com o que ocorreu como resultado do dilúvio em si (o período diluviano). Lemos em Gênesis 6:
"Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito”.(v.7).
"Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra”.(v.13).
"Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá”.(v.17).
"Pereceu toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domésticos e animais selváticos, e de todos os enxames de criaturas que povoam a terra, e todo homem. Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu. Assim, foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da terra; o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus foram extintos da terra; ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca”.(Gên. 7:21-23).
A linguagem é inconfundível. O dilúvio foi um cataclismo colossal que afetou a terra toda. Nenhuma inundação local pode fazer justiça a este relato, e sugerir isto é ridículo, embora isso seja feito freqüentemente por aqueles que desejam preservar um sabor de historicidade para o relato do Gênesis, sem sacrificar a ortodoxia científica. Não está claro porque Noé e seus filhos teriam que gastar 120 anos construindo um barco por causa de uma inundação local, ou porque a preservação de animais na arca seria necessária no caso de uma inundação local.
"Nesse mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos; eles, e todos os animais segundo as suas espécies, todo gado segundo as suas espécies, todos os répteis que rastejam sobre a terra segundo as suas espécies, todas as aves segundo as suas espécies, todos os pássaros e tudo o que tem asa. De toda carne, em que havia fôlego de vida, entraram de dois em dois para Noé na arca; eram macho e fêmea os que entraram de toda carne, como Deus lhe havia ordenado; e o Senhor fechou a porta após ele”.(Gên. 7:13-16).
No relato do dilúvio, temos um registro de morte e soterramento de formas de vida em uma escala global. Este relato tem um profundo efeito sobre o que fazemos com a história registrada da vida animal na terra.
O terceiro período durante o qual animais e plantas morreram e foram preservados como fósseis é o período após a saída dos residentes da arca nas "Montanhas do Ararate”.Este período será referido aqui como o período pós-diluviano. Embora o próprio dilúvio tivesse terminado, as conseqüências do mesmo sobre a terra não haviam terminado, e por um período de centenas a milhares de anos, após o desembarque da arca, a vida na terra em recuperação estaria passando por uma rápida proliferação e modificação, para se acomodar aos novos ambientes resultantes da catástrofe. Estas condições, ideais para a criação de fósseis, são também as condições necessárias para uma rápida especiação: baixas densidades populacionais, rápida migração, altas taxas de reprodução e altas taxas de alterações geológicas. Mesmo hoje, podemos ocasionalmente testemunhar catástrofes geológicas que produzem a fossilização de organismos em grande e pequena escala. Um exemplo amplamente citado foi a erupção catastrófica do Monte Santa Helena no Estado de Washington em 1980. Nesta catástrofe, milhões de animais e plantas foram destruídos de uma forma que irá facilitar a preservação de alguns deles como fósseis pós-diluvianos.
Se nosso alvo como cientistas inclui tentativas de entender a história passada da vida na terra, o reconhecimento destes três períodos (antediluviano, diluviano e pós-diluviano) e a busca pela recuperação de seus limites deve ter uma alta prioridade. Voltaremos a este ponto mais tarde. Retornemos agora nossa atenção à paleontologia.

O Registo Fóssil
O que são os Fósseis?
Fósseis são quaisquer restos de organismos previamente existentes encontrados nas rochas ou sedimentos. Os fósseis podem variar desde películas de carbono em rochas pré-cambrianas atribuídas a bactérias, aos esqueletos gigantes de baleias completas enterradas em diatomita, que é uma rocha composta de minúsculos fósseis de organismos unicelulares. Um fóssil pode ser um molde da forma externa de uma concha, ou o preenchimento interno de um molde, com o organismo original completamente ausente. Os fósseis podem ser o resultado da substituição, um processo que substitui a matriz original do organismo, átomo por átomo, com minerais. Os organismos podem ser impregnados com minerais, consolidando o animal original como uma rocha. Os fósseis também podem representar as partes duras de organismos, essencialmente inalterados em sua química original, mas presos em rocha. No caso de ossos, por exemplo, a fossilização envolve a remoção das proteínas do osso, e recristalização dos minerais do osso em uma forma ligeiramente diferente. Qualquer que seja o processo, um registro do animal é deixado de forma que pode ser recuperado pelo paleontólogo para estudo e interpretação.

Condições para fossilizaçãoVárias condições devem ser satisfeitas para formar um fóssil a partir de um organismo morto. A primeira destas é o soterramento. A maioria dos fósseis precisa ser soterrada dentro de um curto período após a morte, para que as partes de seu corpo possam ser encontradas juntas. Quando um paleontólogo encontra uma assembléia de fósseis, alguns podem exibir decomposição e desarticulação, mas com freqüência são encontrados, na mesma assembléia deposicional, organismos intactos ou mesmo organismos que foram enterrados vivos1. Estudos tafonômicos têm determinado o período de tempo necessário para que organismos de vários tipos se desarticulem. Este período é muito dependente das condições sob as quais os restos são mantidos. Em ambientes úmidos, a carne decompõe-se rapidamente e os ossos ou partes do corpo são rapidamente dispersos. Se o organismo está em um clima árido, a carne pode se desidratar, cimentando os ossos e impedindo sua dispersão por um longo tempo. Como para formas fósseis as condições pós-morte são raramente conhecidas com certeza, deve-se deduzir com cuidado qualquer conclusão a que possamos chegar com respeito à rapidez de soterramento. Geralmente, os organismos que vivem na água irão se desintegrar rapidamente, a menos que ocorra um soterramento num ambiente que favoreça a preservação. Depósitos que contém organismos intactos ou vivos no momento do soterramento exigem enterro e preservação rápidos e definem uma taxa mínima de soterramento.
Uma segunda condição para muitos tipos de fossilização é a presença de fluido carregado de minerais nos poros do sedimento. O tipo de mineral no fluido e a composição do próprio fóssil irá determinar o tipo de fossilização que ocorrerá.
Uma terceira condição para muitos tipos de fossilização é a aplicação de uma pressão de confinamento significativa, e, em alguns casos, também de temperaturas elevadas. Há muito a ser aprendido sobre os processos de fossilização, sendo esta uma área de estudo com futuro promissor.

A Coluna Geológica
Na superfície da terra, rochas sedimentares estão expostas em muitos lugares. As explorações em busca de petróleo revelaram informações adicionais concernente às rochas abaixo da superfície da terra, e nosso conhecimento sobre estas rochas é considerável. Com o tempo, estas rochas sedimentares foram sistematizadas com base nos fósseis que contém e no relacionamento entre as camadas. Este registro sistemático é chamado de coluna geológica. Quando é feita referência à distribuição de fósseis na coluna geológica, o termo registro fóssil é usado com freqüência. O conhecimento da coluna geológica é valioso na busca pela compreensão da história passada da vida na terra. Um esboço de seus aspectos principais irá nos ajudar em nosso estudo.
O conjunto de rochas presentes na crosta terrestre é convenientemente dividido em duas unidades principais com base no conteúdo fóssil das camadas. As rochas contendo fósseis animais foram atribuídas às divisões do Fanerozóico. As rochas geralmente desprovidas de fósseis abaixo deste nível foram designadas como pré-cambrianas. O Fanerozóico é dividido em três eras. De baixo para cima são: Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica. A Era Paleozóica é subdividida em seis períodos, de baixo para cima: o Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero (Mississipiano e Pensilvaniano nos Estados Unidos da América) e Permiano. Nas rochas paleozóicas, o registro fóssil inclui membros de cada filo animal significativo, de esponjas aos vertebrados. Inclui também plantas vasculares e não vasculares afins aos grupos atuais. A Era Mesozóica é subdividida em três períodos, de baixo para cima: Triássico, Jurássico e Cretáceo. O registro Mesozóico é mais conhecido pelos espetaculares fósseis de dinossauros, mas também inclui os primeiros registros de mamíferos, e o aparecimento do último grupo principal de plantas fósseis, as plantas com flores. A Era Cenozóica é dividida no Terciário e Quaternário. Estes estratos registram a morte e soterramento de grande número de mamíferos, e a transição para o ambiente recente.

O Pré-cambriano
O Pré-cambriano contém todos os tipos de rochas presentes no Fanerozóico, mas geralmente sem fósseis multicelulares. O termo Pré-cambriano foi originalmente aplicado para todas as rochas sem fósseis que ficam na base de estrados definidos como cambrianos, com base nos fósseis de metazoários (animais multicelulares) que contêm. Rochas pré-cambrianas também são separadas das rochas fanerozóicas por uma grande discordância angular em muitos lugares do mundo.
Estudos contínuos têm revelado que, conquanto as rochas pré-cambrianas mostrem ausência de fósseis de metazoários (algumas exceções possíveis serão consideradas a seguir), elas contêm películas inorgânicas e estruturas complexas que, ao menos superficialmente, lembram células bacterianas e de algas modernas. Estromatólitos, estruturas litificadas, laminadas, de relevo domeado que lembram estruturas de algas com o mesmo nome, são também encontrados em algumas rochas pré-cambrianas. Na parte superior do Pré-cambriano (Vendiano), encontra-se uma variedade de formas descritas como cistos e acritarcos2, assim como um grupo de impressões fósseis complexas em arenitos, chamadas de Fauna de Ediacara (nome dado devido à localidade na Austrália onde foram encontrados pela primeira vez). Pelo fato de serem impressões em arenito, não há restos orgânicos, e podem ser vistos poucos detalhes na maioria dos espécimes. Eles têm sido considerados como animais invertebrados primitivos de várias afinidades, como seres unicelulares inflados, ou liquens, ou restos de grupos animais extintos. Estas estruturas têm simetria e superficialmente parecem ter estado vivas. Têm a aparência de folhagens penadas, bolsas ou discos. Os organismos com aparência de folhagem usualmente mostram ramos delicados, e nenhum destes organismos possui cabeças ou sistemas circulatórios, nervosos ou digestivos óbvios. Como não podem ser claramente associados a nenhum grupo existente, não podem atualmente servir de base para qualquer argumento forte.
Recentemente, outra descoberta foi anunciada em estudos de localidades do Pré-cambriano Superior na China. Estas localidades contêm camadas ricas em fosfato. Os depósitos de fosfato têm a capacidade excepcional de petrificar estruturas delicadas em detalhes mínimos. Uma análise microscópica de materiais destas camadas revelou a preservação do que foi descrito como embriões de animais e plantas. A datação indireta dos depósitos pode ser desafiada e eles podem bem ser cambrianos em vez de pré-cambrianos. Em qualquer caso, estão muito perto do limite do cambriano. Estes achados, se substanciados por mais trabalhos, são de grande interesse por causa dos detalhes de preservação. Os fósseis, alguns dos quais ao menos superficialmente lembram estágios primitivos de formas embrionárias animais, não são atribuíveis com certeza a nenhum grupo existente e pode ser que sejam de algas.
A explicação convencional para o registro pré-cambriano é que as formas orgânicas e inorgânicas, semelhantes a células, são os restos das primeiras células que se desenvolveram no planeta. Esta teoria também mantém que estas formas se originaram de material não vivo através de processos completamente naturais (isto é, nenhum Criador) durante o Pré-cambriano. Subseqüentemente, a evolução biológica ocorreu, levando à imensa complexidade revelada nas formas metazoárias do Cambriano. Esta afirmação absurda tem sido a causa de considerável consternação entre biólogos criteriosos. Werner Arber, biólogo molecular na Universidade de Basel, ganhador de um prêmio Nobel, assim resumiu a extensão do problema:
"Embora seja um biólogo, devo confessar que não entendo como a vida se originou. . . . Considero que a vida apenas se inicia ao nível de uma célula funcional. A célula mais primitiva pode requerer pelo menos várias centenas de macromoléculas biológicas específicas diferentes. Como tais estruturas já bastante complexas podem ter se ajuntado, permanece um mistério para mim. A possibilidade da existência de um Criador, de Deus, representa para mim uma solução satisfatória para este problema."3
Pelo menos duas posições alternativas podem explicar os dados observados sem serem atrapalhadas pela impossibilidade de explicar a origem da vida e de formas de vida complexas. Uma visão alternativa atribui as impressões em rochas pré-cambrianas a processos inorgânicos e atribui todos os seres vivos ao relato bíblico da Criação. Há pelo menos evidências indiretas de que todas as formas descritas como cianobactérias e outros Procariontes podem ser duplicadas em laboratório com compostos inorgânicos. Os estromatólitos também podem ter origem inorgânica. Uma terceira hipótese seria a possibilidade de as cianobactérias terem sido colocadas na terra antes da Semana da Criação. Ambas as hipóteses têm a vantagem de lidar satisfatoriamente com os dados, sem desculpar o problema de ter vida aqui em primeiro lugar. E ambas estão pelo menos dentro do espírito do relato das origens do Gênesis. As formas fósseis de Ediacara e outros exemplos de possíveis metazoários pré-cambrianos estão no Pré-cambriano Superior. Se forem mesmo restos de organismos vivos, poderão facilmente ser acomodados em qualquer destes modelos como seres não incluídos no Paleozóico, talvez soterrados durante o período antediluviano.

O Fanerozóico
O resto do registro fóssil é composto pelo Fanerozóico, as rochas nas quais a vida, em todas as suas formas, aparece na terra. Iremos cobrir o conteúdo das várias divisões do Fanerozóico com um certo detalhe à medida que continuamos. Voltemos nossa atenção para estes detalhes.

O Paleozóico
O Paleozóico é dominado pelos invertebrados marinhos. Quando se continua subindo a coluna, plantas e anfíbios são adicionados, seguidos de perto pelos répteis. O Paleozóico termina com o último registro fóssil da maioria destas plantas e invertebrados marinhos.

O Cambriano
Na base do Paleozó1ico, em muitas partes do mundo, estão as rochas do Cambriano. O Cambriano foi historicamente definido pela ocorrência das primeiras formas fósseis de metazoários, com freqüência trilobitas. Esta definição tem sido revisada na medida em que ficam mais intensos os esforços para encontrar ancestrais dos metazoários fósseis do Cambriano, e na medida em que foram encontradas algumas faunas que precedem estratigraficamente o primeiro trilobita. O limite inferior do Cambriano é atualmente definido pelo aparecimento de rastros fósseis (tocas), de Trichophycus pedum. A certa distância estratigraficamente acima disto aparecem os primeiros restos de animais metazoários. Estas faunas têm sido coletivamente chamadas de a "Pequena Fauna de Conchas”, uma descrição adequada para elas. Os fósseis são muito pequenos, tipicamente com alguns milímetros de diâmetro, e consistem de cones, tubos, espinhos e placas de afinidades desconhecidas. Estes são logo depois enriquecidos com espículas de esponjas, conchas de moluscos, braquiópodes e algumas formas desconhecidas, cujas afinidades ainda estão sendo pesquisadas. Estes são seguidos em rápida sucessão pelos trilobitas e outros artrópodes. Representantes de virtualmente todos filos aparecem como fósseis nos estratos do Cambriano Inferior. O único filo significativo do qual não aparecem fósseis no Cambriano é o Briozoa. Com o tempo, suspeito que seus restos fósseis também serão achados nestas rochas. O repentino aparecimento de formas vivas - representantes de virtualmente todas formas vivas - é amplamente referido como a "Explosão Cambriana”.As teorias para explicar o aparecimento catastrófico de todo o espectro da vida animal em sucessão tão rápida, são tanto numerosas quanto insatisfatórias. A maioria delas é composta apenas pouco mais do que gesticulação e pensamentos esperançosos. Geralmente as explicações incluem afirmações sobre o desenvolvimento de partes duras (mais ou menos simultaneamente em membros de cerca de 35 filos), possibilitando que organismos de corpo mole, já existentes previamente, repentinamente pudessem ser preservados como fósseis. Infelizmente para este cenário, o registro em rochas mostra belas preservações de formas de corpo mole no Cambriano (mais de 80% dos gêneros registrados no Folhelho Burgess, por exemplo, são de formas de corpo mole), mas estratos pré-cambrianos idênticos não contêm nenhuma evidência de tais formas. Além disto, há uma ausência geral, em rochas pré-cambrianas, de tocas e rastros que mesmo os animais de corpo mole são capazes de produzir atualmente. É o primeiro aparecimento deste tipo de rastro fóssil, Trichophycus pedum, que marca o início das rochas cambrianas.
As questões envolvendo a Explosão Cambriana têm muitas facetas. O aparecimento de membros de quase todos os filos num período que, em termos evolutivos, é muito curto, deixou a evolução na posição inviável do Rei em suas "roupas novas". Os sentimentos expressos num artigo recente na Internet são reveladores:
"O período Cambriano foi estranho e empolgante, mas foi também uma época de confusão. Uma confusão que dura 150 anos com os cientistas desconcertados sobre a explosão repentina do Cambriano. Não existe nenhuma teoria amplamente aceita que explique o surto de vida, e, portanto, é adequado que terminemos com estas questões. É possível achar respostas para os problemas? Qual a causa deste rápido Big Bang biológico? Por que não têm ocorrido repetições de evoluções bem sucedidas desde então? Por que não surgiram novos filos após o Cambriano?"
De um ponto de vista paleontológico há várias explicações possíveis para os dados. A hipótese naturalista geralmente aceita é que as formas cambrianas eram os descendentes evolutivos de precursores de corpo mole do Pré-cambriano, que se tornaram "pré-adaptados" para ocupar espaços em um novo ecossistema que se estabeleceu no início do Período Cambriano. Assim o "aparecimento repentino" é ilusório, e os animais meramente evoluíram de seus papéis anteriores no Pré-cambriano. Qualquer que seja a satisfação que tal teoria pode produzir nas mentes de seus adeptos, deve ser destruída pela ausência de qualquer dado que dê apoio a essa teoria. Além da ausência de precursores metazoários pré-cambrianos, a complexidade da biologia molecular das formas cambrianas primitivas se iguala a qualquer forma viva hoje4. É preciso responder ao desafio de toda a evolução da informação bioquímica complexa nos metazoários ter ocorrido no Pré-cambriano, onde não há evidência de metazoários. Tal posição requer um comprometimento de fé para com um modelo, que iguala ou excede o requerido em qualquer visão religiosa imaginável. Naturalmente os defensores desta teoria esperam que algum dia sejam encontrados os imaginários ancestrais pré-cambrianos. Mas, a despeito de esforços crescentes nesta empreitada, a lacuna permanece.
Uma segunda hipótese, a Deísta, bastante popular entre alguns cristãos, aceita uma criação divina de todas estas formas de vida no passado remoto. Numa hipótese variante (Teísta), Deus está envolvido ao longo do caminho. Os dois pontos de vista são baseados em pressupostos naturalistas, que interpretam os eventos discutidos em Gênesis 1 como figurativos, a fim de preservar um comprometimento com a escala de tempo radiométrica e com o paradigma naturalista (evolucionista). Uma terceira hipótese, a chamada Intervencionista ou hipótese Criação/Dilúvio, explica o repentino aparecimento de diversos fósseis complexos em sedimentos cambrianos como um registro da criação repentina de todo o espectro das formas de vida, associada com o dilúvio catastrófico descrito nos primeiros capítulos do Gênesis. A presença de um completo espectro de uma biota complexa, na ausência de evidência de ancestrais, certamente oferece um forte apoio para este modelo. As rochas abaixo do Cambriano teriam se acumulado na terra possivelmente antes da semana da criação de Gênesis 1, e assim não contém evidência de metazoários. As rochas do Cambriano representam ou os sedimentos acumulados na terra após a Criação, e antes do Dilúvio, ou são as primeiras rochas resultantes do Dilúvio.
Na hipótese Naturalista, não há um Criador. As hipóteses Deísta/Teísta e Criação/Dilúvio envolvem um Criador, e o Criador é o Deus da Bíblia. É difícil crer que indivíduos inteligentes e educados não consigam ver a mão do Criador na natureza. Como afirmou Werner von Braun:
"Não é possível ser exposto à lei e ordem do universo sem concluir que deve haver planejamento e propósito por trás de tudo... Quanto mais entendemos a complexidade do universo e de tudo que ele abriga, mais razão temos para nos maravilhar com o planejamento inerente sobre o qual ele é baseado... Ser forçado a crer em apenas uma conclusão -- de que tudo no universo aconteceu por acaso -- iria violar a própria objetividade da ciência... Que processo aleatório poderia produzir o cérebro de um homem ou o sistema de um olho humano? ... Eles (os evolucionistas) desafiam a ciência para provar a existência de Deus. Mas é preciso acender uma vela para ver o sol? ... Eles dizem que não podem visualizar um Planejador. Bem, pode um físico visualizar um elétron? ... Que raciocínio estranho faz com que alguns físicos aceitem o elétron inconcebível como real, enquanto se recusam a aceitar a realidade de um Planejador, dizendo que não conseguem concebê-lo? ... É com honestidade científica que apoio a apresentação de teorias alternativas para a origem do universo, da vida e do homem nas salas de aula. Seria um erro deixar de lado a possibilidade de que o universo tenha sido planejado em vez de ter aparecido por acaso."5
A decisão entre os pontos de vista Teísta/Deísta e Criação/Dilúvio deve ser feita levando em conta o que o próprio Criador nos disse. Estamos lidando com a história da terra, e, em história, um relato escrito de uma testemunha ocular é a informação disponível mais valiosa. Dados extracientíficos precisam ser usados ao tentar discriminar as duas hipóteses (ou outras que possam ser construídas) sobre as origens, e faz bastante sentido para quem afirma lealdade ao Deus da Bíblia, procurar respostas na Bíblia, sem sentir necessidade de se desculpar. Uma leitura direta do relato bíblico mostra que ele é claramente estruturado em poucos milhares de anos, favorecendo a hipótese Criação/Dilúvio. Este ponto de vista das origens não é isento de problemas no mundo natural, como veremos. Mas as conclusões finais a que se chega, em relação às origens, se apóiam em quem ou o que um indivíduo escolhe aceitar como autoridade. Nas duas primeiras hipóteses, a autoridade é o naturalismo e o racionalismo. O indivíduo afirma que a mente humana, agindo só, é capaz de discriminar toda verdade. Na terceira, a fonte final de autoridade é o Deus da Bíblia. É imperativo que indivíduos trabalhando nesta área reconheçam e admitam qual é sua fonte de autoridade. Até que isto possa ser estabelecido, há pouca base frutífera para uma comunicação construtiva. Na balança, a hipótese Criação/Dilúvio é consistente com uma leitura clara da Bíblia, enquanto a hipótese Deísta/Teísta não o é. A hipótese Criação/Dilúvio também se confronta satisfatoriamente com as questões mais urgentes na paleontologia: a origem da vida e a Explosão Cambriana. A hipótese Naturalista, mesmo com toda sua popularidade, não satisfaz nenhuma das duas. Conquanto haja outras hipóteses ou variantes que poderiam ser propostas e discutidas, vamos nos limitar a estas três. Ao continuar nossa avaliação do registro paleontológico, mantenha estas três hipóteses em mente.
O registro fóssil do Cambriano é de grande riqueza e incrível diversidade. Gould 6 o comparou a um arbusto de cabeça para baixo (o oposto de uma árvore filogenética normal), porque desde o princípio a diversidade é muito grande e há muitas formas que não são encontradas em níveis superiores do registro fóssil. Durante o Cambriano, a diversidade de trilobitas alcançou o seu máximo. Quando a deposição do Cambriano é superposta pelas rochas ordovicianas, a transição é mais uma questão de mudança de tipos de rochas do que qualquer mudança importante na fauna.

O Ordoviciano
As rochas ordovicianas exibem um aumento contínuo em diversidade, com muitas espécies de braquiópodes, trilobitas, corais, crinóides, cefalópodes e peixes sem mandíbula. O Ordoviciano se inicia com cerca de 150 famílias de organismos e termina com mais de 400. O único filo adicional ainda não registrado no Cambriano é o Bryozoa. Embora fósseis de plantas terrestres não sejam vistos senão em camadas superiores, há relatos de esporos de plantas terrestres no Ordoviciano. A diversidade de trilobitas ainda é grande em sedimentos ordovicianos. A "Extinção Ordoviciana" ocorreu próxima ao topo do período Ordoviciano. Neste ponto do registro fóssil, um terço de todas famílias de braquiópodes e briozoários desaparecem, assim como numerosos grupos de conodontes, trilobitas e graptolitos. Grande parte da fauna construtora de recifes foi também dizimada. No total, mais de cem famílias de invertebrados marinhos aparecem pela última vez. Estas famílias desaparecem do registro de uma forma ordenada e regionalmente consistente. Qualquer modelo com o propósito de explicar a história da terra com integridade deve acomodar estes dados.

O Siluriano e DevonianoSeguindo-se à perda de diversidade (soterramento de habitats?) no fim do Ordoviciano, novos grupos aparecem como fósseis durante o Siluriano e o Devoniano. Os recém-chegados incluem os primeiros fósseis de plantas terrestres macroscópicas do Siluriano. Além disto, o registro Devoniano inclui os primeiros fósseis conhecidos de tubarões, peixes ósseos e cefalópodes, além de uma variedade de estromatoporóides e corais. Fósseis de formas terrestres que aparecem em estratos devonianos incluem anfíbios, insetos e muitos tipos de plantas terrestres.

O Carbonífero (Mississipiano e Pensilvaniano nos Estados Unidos)Quando os últimos estratos devonianos foram depositados, o registro fóssil passou a incluir um grande componente de fósseis associados com águas rasas ou terra. O registro marinho continua a conter abundantes restos de briozoários, equinodermas (particularmente crinóides), braquiópodes, moluscos e artrópodes. A grande representação de insetos do Carbonífero atrai muito interesse. Muitas destas formas, incluindo baratas e libélulas, são familiares para nós hoje em dia, porém em tamanhos muito menores. O Carbonífero contém os primeiro grandes depósitos de carvão, e é deste aspecto que veio o nome deste período. Os carvões do Carbonífero são constituídos de plantas que não são familiares para nós hoje, embora haja representantes vivos da maioria dos grupos. As plantas dominantes são licopódios gigantes, fetos arborescentes, cavalinhas e outros, muitas vezes maiores do que qualquer de seus equivalentes modernos.
Uma objeção algumas vezes levantada contra a hipótese Criação/Dilúvio (de que o registro fóssil é em grande parte resultado de um único evento) é o volume gigantesco de material de origem orgânica na crosta terrestre. A grande quantidade de carvão, petróleo, gás e carbono disperso parece estar bem além do escopo do que um evento único possa produzir. Assim parece, pelo menos até que examinemos os dados.
A estimativa mundial de reservas de gás natural é de 5.000 trilhões de pés cúbicos. Isto poderia ser convertido em cerca de 94 bilhões de toneladas curtas de carbono (carvão). As reservas mundiais de petróleo são de cerca de um trilhão de barris. Isto seria equivalente a 180 trilhões de toneladas de carbono (carvão). Somando isto às reservas de carvão, estimadas em 1 trilhão de toneladas, teremos um total mundial de 1274 bilhões de toneladas de carbono fóssil a partir de fontes orgânicas (gás, petróleo e carvão).
Comparado com isto, a biosfera atual contém aproximadamente 829 bilhões de toneladas de carbono, cerca de 83% da massa do carbono fóssil preservada como carvão, petróleo e gás. Cerca de 243 bilhões de toneladas métricas de biomassa vegetal seca são produzidas por ano. Se a terra estivesse operando sob condições ótimas, poderíamos aumentar este valor em 10 vezes (maiores massas de terra, maior concentração de CO2, nenhum deserto, vegetação cobrindo os oceanos, biomassa ótima nos oceanos e mares ... ver abaixo). Permitindo esta otimização, poderíamos ter um acúmulo de 2 trilhões de toneladas de vegetação (peso seco) por ano. Se uma média de acúmulo de material orgânico representasse dez anos de crescimento, 20 trilhões de toneladas de material orgânico, vivo, morto e em decomposição poderiam estar presentes na superfície da terra na época do dilúvio, apenas provenientes de plantas. Além disto, também poderia haver na época cerca de 2000 anos de acúmulo de carvão, com cerca de 10 - 20% do carbono sendo preservado permanentemente como carvão disperso nos sedimentos e na coluna de água. Poderia haver também uma quantidade desconhecida de carbono orgânico adicionado a terra na época da criação, para preparar sua superfície para habitação.
Turfeiras atuais também fornecem um exemplo de como o ambiente pré-diluviano poderia ter possuído um reservatório de carbono muito maior do que a biomassa atual. Outros reservatórios podem ter incluído massas flutuantes de vegetação tais como as encontradas em certos pântanos modernos. A maior parte da vegetação paleozóica deve ter crescido sob estas condições, não apenas porque os representantes modernos destes grupos o fazem, mas porque mesmo uma análise superficial das estruturas de raízes associadas com estas plantas indicam que elas não poderiam ter crescido no solo. As plantas cresciam até 30 metros de altura, provavelmente em uma única estação de crescimento, e a maioria das formas era anual, possuindo pouca ou nenhuma madeira. As raízes eram estruturas de ancoragem singulares chamadas Stigmaria, que se ramificavam da base do tronco para lados opostos, dividindo-se imediatamente para produzir quatro raízes principais, que tipicamente se bifurcavam outra vez próximas ao tronco. Estas raízes cresciam de um broto terminal e enviavam para fora radículas de tamanho de um lápis num arranjo espiral, até meio metro do eixo principal. As radículas eram compostas de células grandes de parede fina, com pouco tecido estrutural. Desta aparência deduz-se que as raízes foram planejadas para penetrar restos vegetais, e certamente não poderiam ter crescido no solo. Devido a seu tamanho e volume, e ao rápido crescimento evidente, grandes quantidades desta vegetação poderiam ter se acumulado rapidamente, sob as condições de crescimento ideal do mundo pré-diluviano. Não é surpreendente que houvesse grande quantidade deste material disponível para ser soterrado e convertido em carvão durante o dilúvio. As raízes de muitos dos fetos arborescentes dominantes (e.g. Psaronius) mostram tecido aerenquimatoso, composto de células de paredes finas cheias de ar. Estes aspectos também são característicos de plantas aquáticas ou semi-aquáticas. Portanto, estas formas poderiam facilmente ter crescido sobre pesadas massas de vegetação flutuante, permitindo a possibilidade de um grande reservatório de carbono adicional. De qualquer forma, havia, pelo menos em teoria, carbono mais do que suficiente na terra pré-diluviana para justificar todo o carvão, petróleo, gás e carbono de origem orgânica disperso nos sedimentos.
O Carbonífero também contém restos de muitos anfíbios, freqüentemente associados com as plantas produtoras de carvão mencionadas acima. Pode-se imaginar, e isso é inteiramente consistente com o estilo de vida dos anfíbios, que estas formas viveram entre as plantas nos pântanos flutuantes nos quais foram soterrados.
A deposição carbonífera termina junto com os carvões paleozóicos e muitas das grandes espécies de plantas carboníferas. Parece não haver uma boa explicação para esta perda nas hipóteses Naturalista ou Deísta/Teísta. Por que plantas que dominavam a paisagem, e obviamente eram muito bem sucedidas, iriam repentinamente deixar de existir? De acordo com a hipótese Criação/Dilúvio, esta perda pode ser explicada pela destruição do habitat do mundo pré-diluviano no qual estas formas viviam e subseqüente soterramento de seus restos por contínuo influxo de sedimentos.

O Permiano
O registro fóssil permiano contém muitas das formas de invertebrados presentes nas rochas abaixo, mas a flora reflete mudanças dramáticas. As principais extinções que marcam o fim das duas divisões principais do Fanerozóico, o Permiano (marcando o fim do Paleozóico) e o Cretáceo (marcando o fim do Mesozóico), apresentam mudanças dramáticas no registro de plantas em camadas bem abaixo de onde começam as grandes mudanças no registro animal. Porque isto foi assim, não está claro nas várias propostas de explicação. As plantas do Permiano, que parecem ser muito mais adequadas para clima seco do que as plantas produtoras de carvão do Carbonífero, são chamadas de Flora Glossopteris. Esta flora consiste de árvores coníferas e gimnospermas de diversas afinidades, a maioria das quais está atualmente extinta.
A diversidade do registro faunístico decresce gradualmente, até próximo do fim do Permiano, quando quase todos os invertebrados do Paleozóico desaparecem. Embora os números sejam controversos, estima-se que 96% das espécies encontradas no Permiano não aparecem mais no Triássico. Isto inclui invertebrados e vertebrados. Entre os vertebrados, 75% das famílias de anfíbios e 80% das famílias de répteis desaparecem do registro. Esta perda de tantos grupos taxonômicos é chamada de "Extinção Permiana", e muitos divulgadores de ciência tentaram explicar esta perda através de um evento catastrófico, tal como o impacto de um meteorito. A dificuldade encontrada em todas estas tentativas é que o desaparecimento de espécies continua através do Permiano ou, como no caso dos principais grupos de plantas do Carbonífero, já havia ocorrido antes do início do Permiano. Se a explicação correta é um dilúvio global, então é possível compreender o desaparecimento de grupos taxonômicos, e não são necessárias explicações fantasiosas.

O Mesozóico
As rochas mesozóicas são caracterizadas por uma mudança dramática na biota. Inicialmente as plantas tendem a ser similares às do Permiano. A maioria dos animais é diferente. Há mais formas terrestres e rochas marinhas possuem peixes fósseis, cefalópodes, bivalves e corais diferentes dos do Paleozóico.

O Triássico
As rochas do Triássico são caracterizadas por camadas vermelhas, assim chamadas devido à presença abundante de óxido de ferro, além de cinzas vulcânicas amplamente distribuídas. Nestas rochas estão os restos de répteis fósseis e os primeiros fósseis de mamíferos. As plantas são samambaias, fetos arborescentes, cicadáceas, ginkgos e gimnospermas de muitos tipos. A flora Glossopteris do Permiano é substituída pelo gênero Dicrodium do Triássico, encontrado em todo lugar. Todos os tetrápodes dominantes, incluindo os dinossauros e várias outras formas de répteis e mamíferos, aparecem primeiro nas rochas triássicas. Muitos insetos são conhecidos no Triássico, incluindo muitas espécies de libélulas. Formas marinhas incluem peixes, répteis marinhos e a maioria dos grupos modernos de invertebrados, incluindo uma crescente variedade de cefalópodes.

O Jurássico
Graças a Hollywood, o Jurássico é provavelmente o mais conhecido dos períodos geológicos. As rochas jurássicas contêm os restos dos maiores dinossauros que já viveram, incluindo os saurópodes gigantes. As rochas marinhas contêm uma abundância de restos de peixes, incluindo tubarões e raias e um crescente conjunto de cefalópodes, em sua maioria amonitas. Os padrões de aparecimento e desaparecimento de amonitas provêem o principal indicador estratigráfico para o Mesozóico. Este é um aspecto que precisa ser estudado cuidadosamente, pois este padrão contém muita informação útil para ajudar na reconstrução de processos sedimentares do Mesozóico. Embora os que trabalham sob as hipóteses Naturalista ou Deísta/Teísta aceitem que estes padrões sejam de origem evolutiva, os aparecimentos e desaparecimento não parecem representar linhagens evolutivas. Assim, os padrões podem conter outros tipos de informações compatíveis com a hipótese Criação/Dilúvio, que nos permitiriam o discernimento de aspectos do mundo antediluviano não acessíveis de outra forma. Plantas terrestres fósseis incluem samambaias, coníferas, ginkgo e cicadáceas. Pequenos mamíferos estão presentes, mas não são comuns. Ocasionalmente são encontrados restos fossilizados de aves, incluindo o famoso Archaeopteryx.

O Cretáceo
O Cretáceo se inicia de forma não auspiciosa e geralmente as rochas do Cretáceo Inferior apresentam os tipos de fósseis encontrados nos estratos jurássicos. Em contraste com as rochas vermelhas do Triássico, os estratos do Cretáceo incluem centenas de metros de folhelhos negros, indicativos de áreas fonte bem diferentes daquelas do Triássico.
No meio do período Cretáceo, ocorre uma mudança dramática. Começa a aparecer o registro fóssil de plantas com flores (angiospermas), e, no fim do Cretáceo, a maioria das principais famílias de plantas com flores estão representadas por pólen, folhas, frutos e/ou madeira. Esta introdução dramática de uma flora totalmente nova, chamada de um "abominável mistério" por Darwin, é de grande significado. Em face disto, o repentino aparecimento das angiospermas é uma explosão tão grande, no âmbito das plantas, como foi a "Explosão Cambriana" no domínio dos animais.
São numerosas as tentativas de explicar esta questão dentro do modelo evolucionista. Uma destas, feita por Daniel Axelrod, propôs que as plantas estivessem evoluindo em regiões montanhosas, longe das regiões onde os fósseis estavam sendo preservados, e por isso não temos o registro fóssil de sua evolução. Não é por acaso que esta explicação compartilha muitos aspectos com as explicações propostas para a fauna cambriana (i.e. não tinham partes duras para serem preservadas ou estavam evoluindo longe das bacias deposicionais). Uma segunda defesa da hipótese evolucionista atribui o desenvolvimento a mudanças evolutivas "graduais", asseverando que as angiospermas são introduzidas lentamente no registro fóssil após um período prolongado, sugerindo que tiveram tempo suficiente para "evoluir" a partir da(s) primeira(s) forma(s). Esta defesa é semelhante à outra feita para a Explosão Cambriana, sugerindo que aquelas formas animais apareceram lentamente durante o Cambriano Inferior.
Há dificuldades fatais nestas duas abordagens. As angiospermas são um grupo rico e diversificado, excedendo todas as outras plantas terrestres hoje por vinte a um. Esta diversidade entra no registro rapidamente, e requer uma explicação. É inconcebível, dadas as grandes diferenças existentes entre as angiospermas, que todo espectro de informação que representam pudesse ter se acumulado do nada durante um período infinito, quanto mais em um curto intervalo de tempo, como afirmado. Além disto, os dados sugerem que as plantas eram inteiramente funcionais e de aspecto completamente moderno quando apareceram pela primeira vez, da mesma forma que vimos com os invertebrados no Cambriano. Por exemplo, Tidwell relatou um ramo fóssil de bordo (Acer) no Arenito Dakota em Utah, que continha pólen, flores e sementes ligadas à madeira. O ramo foi encontrado em rochas consideradas jurássicas, e posteriormente reclassificadas como sendo do Cretáceo Inferior. O problema de haver fósseis que tem aparência completamente moderna em estratos cretáceos persiste. Onde a evolução aconteceu? Uma ciência peculiarmente revisora tem procurado aliviar o problema, reclassificando os fósseis de plantas com flores cretáceas, e mesmo terciárias, em grupos arcaicos. Pela mudança de nome para gêneros diferentes, ou mesmo famílias diferentes, têm-se multiplicado infinitamente e sem necessidade os gêneros de folhas e outras formas. Presume-se que, se uma folha de bordo é encontrada no Cretáceo, deve ser uma coincidência que se pareça com uma folha de bordo, porque como poderíamos ter o gênero Acer representado há 100 milhões de anos atrás? Assim, se eles chamarem este fóssil de Protoacer ou Pseudoacer, pensa-se que isto resolve o problema da origem repentina das angiospermas. Naturalmente não resolve.
Apenas a hipótese Criação/Dilúvio pode explicar o aparecimento repentino de angiospermas sem recorrer a reconstruções fantasiosas e elaboradas. E mesmo esta hipótese não explica com facilidade porque as angiospermas não são encontradas abaixo dos estratos cretáceos. Mas este aparente surgimento repentino de angiospermas é carregado de dados, e pode nos ajudar na formulação de um modelo científico que explique a distribuição de formas de vida na terra pré-diluviana, e os processos do próprio dilúvio. O modelo deve levar em conta isto e usar estes dados no desenvolvimento de uma visão da biota e da geografia pré-diluvianas que possa explicar a ausência de fósseis de angiospermas abaixo do Cretáceo.
Os fósseis animais dos sedimentos cretáceos passam por permutas com o aparecimento de novas formas, tais como os bastantes discutidos Tyrannosaurus rex, Triceratops e os dinossauros com bico de pato que dominaram o Cretáceo Superior. Os poucos mamíferos cretáceos são pequenos e constituem elementos excepcionais no registro. O ambiente marinho cretáceo continua a ser dominado por peixes e moluscos, especialmente amonitas. Durante o Mesozóico, os fósseis-guia, chave em sedimentos marinhos, são os amonitas, cefalópodes espiralados relacionados com os nautilus modernos. Estas formas alcançam seu zênite nos sedimentos do Cretáceo Superior. Nestas rochas no centro dos Estados Unidos, mais de 50 intervalos estratigráficos são definidos pelo que parecem ser espécies distintas de amonitas. Enquanto alguns destes podem não ser espécies distintas, muitos dos morfotipos estão presentes apenas por breves intervalos, e depois desaparecem do registro.
Quando as rochas cretáceas terminam, outra transformação incompreensível acontece. Todos os dinossauros desaparecem e, junto com eles, muitos outros répteis que não são dinossauros também não são mais encontrados como fósseis. Nenhum dos amonitas vai além do Cretáceo. As angiospermas, que surgiram antes, passam pela transição do Mesozóico para o Cenozóico com bem poucas mudanças. Esta grande extinção tem sido ligada a muitas teorias ricas e fantasiosas, tais como a colisão de meteoros, indigestão, o surgimento dos mamíferos, etc. Mas nenhuma destas teorias faz justiça às evidências. Se um impacto de meteoritos foi o evento final do Cretáceo, por que a maioria dos dinossauros já estava morta? De fato não há matança que possa ser diretamente atribuída a um evento que se pretende ter sido de magnitude indescritível e que parece ter feito pouco além de espalhar uns poucos centímetros de poeira enriquecida de irídio. E se um impacto foi a causa, por que não afetou as angiospermas, e por que destruiu todos os amonitas, mas não outras formas marinhas? Se as causas da extinção do fim do Cretáceo foram mamíferos, ou "constipação", etc., então por que os amonitas morreram? Certamente há lugar para uma catástrofe abrangente global que finalmente afetou o ambiente no qual estas várias formas viviam e, como um evento em progresso, o fim do Cretáceo marcou um conjunto de condições nos quais os amonitas e dinossauros não podiam mais viver.

O CenozóicoAs rochas do Cenozóico incluem todos os depósitos desde o Cretáceo até o presente. O Cenozóico é dividido em três partes, de baixo para cima: o Paleogeno, o Neogeno e o Quaternário. Estas rochas contêm os restos de uma fauna dominada pelos mamíferos, e registram uma flora que faz a transição de plantas representadas no Cretáceo para plantas específicas de várias regiões da terra atual. O registro marinho também inclui formas que seriam familiares para nós hoje. Os depósitos cenozóicos são mais locais e basinais do que os depósitos do Mesozóico ou Paleozóico. Restos de mamíferos, especialmente dentes, são usados como marcadores estratigráficos. Uma compreensão do registro cenozóico envolve ser capaz de explicar a notável mudança de camadas de rochas amplamente distribuídas e fósseis-guia do Paleozóico e Mesozóico, para as unidades de rocha e assembléias de fósseis muito mais localizadas do Cenozóico.
Outra vez, considerar a hipótese Criação/Dilúvio permite-nos explicar alguns dos detalhes que não são facilmente explicados pelo Naturalismo ou Deísmo/Teísmo.
Um dilúvio global deve ter um fim em algum ponto do registro nas rochas. Podemos esperar que o fim seja marcado por padrões de drenagem que permanecem até o presente, e aspectos da flora e fauna cada vez mais familiares. Um evento tão dramático como um dilúvio mundial deve ter tido repercussões que duraram até bem depois da saída dos animais da arca. Deste ponto de vista, o dilúvio deixou muitas bacias cheias de água, nas quais sedimentos e restos de animais e plantas mortos e em decomposição continuaram a se acumular durante algum tempo após o fim do dilúvio.
O repovoamento da terra com animais ocorreria rapidamente, e as criaturas e plantas se expandiriam em territórios vagos aparentemente sem fim. Variedades de plantas e animais nunca vistos antes na terra poderiam agora se desenvolver, expressando informação genética que teria se mantido não funcional nos genomas inativos de animais de um mundo diferente. Seria de se esperar que o ambiente logo após um dilúvio mundial tivesse condições ótimas para a seleção natural, incluindo nichos abertos, efeito “gargalo” nas populações, efeito do fundador e isolamento geográfico, que resultaram numa rápida proliferação de espécies para os muitos nichos vazios da terra. Um exemplo claro da magnitude destes efeitos ocorreu nas Ilhas do Havaí, onde os organismos foram capazes de se expandir sem as pressões competitivas normais de predação e doença. Aqui possivelmente uma única espécie de Drosophila aparentemente se tornou ancestral de mais de 600 espécies distintas de moscas das frutas. É importante notar que ainda são Drosophila, e que podemos apenas especular sobre o processo pelo qual elas se diferenciaram.
Embora o Cenozóico não tenha terminado, o passado recente foi caracterizado por glaciações continentais no Pleistoceno. Estes depósitos contêm flora e fauna que são geralmente reconhecidas como indígenas. São interessantes os relatos de grande número de paquidermes congelados em regiões árticas. Darwin calculou que um único casal de elefantes poderia produzir um milhão de descendentes em menos do que mil anos, de forma que isto não parece ser um problema para nenhum modelo.

Análise do Registo
O registro fóssil contém uma mistura de informações. Alguns destes dados, por exemplo, parecem, ao nosso nível atual de compreensão, favorecer idéias naturalistas das origens. Alguns destes dados parecem apoiar o conceito de uma origem Divina Criativa para a vida na terra, e um dilúvio global catastrófico. O método e o tempo não podem ser confiavelmente deduzidos pelos métodos naturalistas da ciência, e devem ser aprendidos pelas revelações do próprio Criador.
O registro fóssil exibe uma progressão ordenada de formas, muito diferente da que se poderia propor para a evolução sem um conhecimento prévio do registro. Também não é intuitivo o que um dilúvio global acarretaria. Muitas partes do registro parecem exibir um padrão de fósseis que sugerem que a terra pré-diluviana e o próprio dilúvio foram eventos bem diferentes do que geralmente se acredita. Se o registro fóssil se originou principalmente com o dilúvio, então se necessita de algum tipo de explicação delimitada ecologicamente ou fisiograficamente.
Em estratos do Paleozóico Inferior, os fósseis são organismos quase exclusivamente marinhos. Embora desde o início haja uma grande diversidade, esta diversidade muda na medida em que subimos a coluna. As mudanças são ordenadas e significativas. Tipos de plantas que parecem viver sobre a água são abundantes nos estratos do Paleozóico Médio e Superior. Tetrápodes associados com estas plantas podem também ter vivido sobre o terreno formado pelas plantas flutuantes. As primeiras plantas e animais verdadeiramente terrestres são encontrados no Permiano (Paleozóico Superior) ou nos depósitos mesozóicos, depois que as plantas formadoras de carvão desaparecem do registro. Estes dados são importantes para se chegar a um modelo de mundo pré-diluviano. Grande parte do mundo que foi soterrado durante o dilúvio já estava sob a água.
As formas marinhas do Mesozóico são muito diferentes das formas paleozóicas. Depósitos terrestres com formas de vida terrestre são o palco central. O aparecimento das angiospermas no Cretáceo Médio é um evento que dificilmente se enquadra com as expectativas evolutivas, e coloca limites severos e restrições importantes na construção de modelos para qualquer hipótese. O extermínio de dinossauros terrestres e amonitas marinhos quase simultaneamente obriga os modelos naturalistas a procurar explicações catastróficas. Os criacionistas alegremente se disporiam a prover estas explicações, se não tivessem que explicar onde os mamíferos e angiospermas estavam escondidos quando os dinossauros estavam sendo soterrados. O zonamento de amonitas no Mesozóico é outra oportunidade para os criacionistas coletarem informações para utilizarem na construção de modelos. Por enquanto, deve ser considerado outro desafio formidável para o modelo Criação/Dilúvio.
No Terciário os dinossauros não mais aparecem no registro fóssil, mas as plantas com flores continuam, tornando-se, ao longo do Terciário, cada vez mais específicas para as localidades onde são encontradas hoje em dia. Da mesma forma, os mamíferos modernos não aparecem até próximo ao fim do Terciário, em muitos grupos. Todos os grandes problemas para o modelo Criação/Dilúvio devem ser considerados dados para a construção de modelos. Isto sugere que, se queremos construir modelos, devemos tirar vantagem dos desafios e trabalhar intensamente com eles para obter mais dados.
Estes são os dados da Paleontologia que os construtores de modelos devem ter em mãos para reconstruir o mundo que havia antes do dilúvio. Este empreendimento vale a pena? É necessário?

Considerações FinaisComo podemos acomodar o registro paleontológico com a Bíblia? Que podemos fazer com os sérios desafios apresentados à nossa fé por alguns aspectos do registro fóssil? O que podemos fazer para tornar conhecidos os sérios problemas das hipóteses Naturalista e Deísta/Teísta? É suficiente dizer que “A Bíblia diz assim, e eu creio nisto, e isto é suficiente para mim?” Devemos continuar explorando a ciência, sabendo que podemos ser levados a conclusões que não são compatíveis com a nossa fé? Estas questões são sérias e dignas de serem estudadas e consideradas cuidadosamente.
Se nossa abordagem da ciência é adequada, podemos reconhecer que ainda há muitas perguntas não respondidas em todos os pontos de vista, e não devemos temer uma investigação mais profunda. Na ciência os dados não são tudo. Mas devemos reconhecer que a visão de origens apresentada na Bíblia é clara acerca da Criação. As plantas foram feitas no terceiro dia, os animais aquáticos e voadores foram criados no quinto dia e os animais terrestres, incluindo a espécie humana, foram criados no sexto dia, três tardes e manhãs após as plantas. A Bíblia também é razoavelmente clara sobre os eventos significativos para a fossilização destas formas de vida que aconteceu desde então. Há muitas coisas não reveladas sobre o mundo antediluviano. Se soubéssemos mais, penso que poderíamos responder muitas das questões que, no momento, estão abertas ou que nos causam perplexidade. Deveríamos estar tentando resolver estas questões? Podemos continuar a esconder nossa cabeça na areia quando questões de paleontologia aparecem?
Nós tradicionalmente ensinamos e pensamos que o mundo físico era um componente indispensável da totalidade da revelação de Deus para nós. Versos tais como Romanos 1:20, Salmo 19:1-4 e muitos outros tornam isto claro. Se mantivermos esta abordagem holística da Revelação, seria inconsistente ignorar um enorme componente deste testemunho no registro fóssil. Deveríamos ser mais agressivos em nossos esforços para procurar a harmonia com a Revelação na Bíblia, usando os princípios colocados pelas Escrituras como um filtro para testar as idéias. Penso que isto não é uma opção, mas um mandato da mais alta ordem. Se escolhermos ignorar os esforços para encontrar harmonia entre a Bíblia e a paleontologia, poderemos perder aquela grande oportunidade de receber a revelação de Deus através da terra. O salmista escreve:
"Escutarei o que Deus, o Senhor, disser, pois falará de paz ao seu povo e aos seus santos; e que jamais caiam em insensatez. Próxima está a sua salvação dos que o temem, para que a glória assista em nossa terra. Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram. Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar. Também o Senhor dará o que é bom, e a nossa terra produzirá o seu fruto. A justiça irá adiante dele, cujas pegadas ela transforma em caminhos”.Salmo 85:8-13
Devemos estar preparados e abertos para receber aquela Verdade. A questão não é se podemos crer no que Deus disse na Bíblia. Esta questão precisa ser previamente resolvida com base em nossa fé. Pois nos é dito especificamente que:
"Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. [ ... ] De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”. Hebreus 11:3, 6
Mas iremos aplicar com sucesso esta fé para problemas reais no mundo físico? É aqui que podemos fazer a diferença, se escolhermos esta opção.
Penso que nossa visão da revelação no mundo físico, como um componente da revelação total de Deus para nós, exige que busquemos alcançar um nível satisfatório de compreensão do mundo físico. Não devemos “servir este princípio apenas com os lábios” sem implementar esforços sérios para buscar a compreensão que cremos que está aí. Estou seguro de que Deus não quer que esta revelação seja feita de um modo que venha a exaltar o homem. Mas Deus pode confiar numa mente preparada e numa vida comprometida. Com certeza o objetivo deste trabalho deve ser aquele que Deus já estabeleceu, que:
"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som”.Salmo 19:1-3.
E:
“Os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”; Rom. 1:20.
Espero, com grande expectativa, o tempo quando estas novas revelações serão recebidas de forma mais completa.
Enquanto isso, podemos começar a ajuntar observações do registro geológico, que possam nos ajudar na tentativa de montar um modelo preliminar do que pode ter ocorrido durante a história passada desta terra.

Espero que este modelo ofereça a oportunidade para se fazer progresso na harmonização de dados da ciência com as informações que nos foram dadas na Bíblia.

Notas1. Simoes, M.G.; Kowalewski, M.; Torello, F.F.; Anelli, L.E. Long-term time-averaging despite abrupt burial: Paleozoic [bioturbation?] obrution deposits from epeiric settings on Parana basin, Brazil. GSA 1998.
2. Butterfield, N.J., and R.H. Rainbird. 1998. Diverse organic-welled fossils, including "possible dinoflagellates," from the early Neoproterozoic of arctic Canada. Geology 26 (November): 963.
3. Citado em: Henry Margenau and Roy Abraham Varghese, eds., *Cosmos, Bios, Theos* (La Salle, IL: Open Court Publishing, 1992), 142
4. Trabalho de Chadwick e trabalho de Morris.
5. von Braun, Wernher. A citação foi retirada de uma entrevista, original em “Applied Christianity” da revista Bible Science Newsletter de maio, 1974, p. 8
6. Gould, Stephen J. 1989. Wonderful Life. W.W. Norton & Company, New York. 347 pp.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

INTRODUÇÃO À ASTRONOMIA: ONDE ESTÁ DEUS?

Disse Deus: haja luz. E houve luz. Viu Deus que

a luz era boa; e fez separação

entre a luz e as trevas.
A astronomia no início da sua fantástica história envolvia exclusivamente a observação e a previsão dos movimentos dos objectos no céu que podiam ser vistos a olho nu. O Rigveda refere-se aos 27 asterismos ou nakshatras associados aos movimentos do Sol e também às 12 divisões zodiacais do céu. Os antigos gregos fizeram importantes contribuições para a astronomia, entre elas a definição de magnitude aparente. A Bíblia contém um número de afirmações sobre a posição da Terra no universo e sobre a natureza das estrelas e dos planetas, a maioria das quais são poéticas e não devem ser interpretadas literalmente; ver Cosmologia Bíblica. Nos anos 500, Aryabhata apresentou um sistema matemático que considerava que a Terra rodava em torno do seu eixo e que os planetas se deslocavam em relação ao Sol.
O estudo da astronomia quase parou durante a Idade Média, à excepção do trabalho dos astrónomos árabes. No final do século IX, o astrónomo árabe al-Farghani (Abu'l-Abbas Ahmad ibn Muhammad ibn Kathir al-Farghani) escreveu extensivamente sobre o movimento dos corpos celestes. No século XII, os seus trabalhos foram traduzidos para o latim, e diz-se que Dante aprendeu astronomia pelos livros de al-Farghani.
No final do Século X, um observatório enorme foi construído perto de Teerão (província), Irão, pelo astrónomo al-Khujandi, que observou uma série de trânsitos meridianos do Sol, que permitiu-lhe calcular a obliquidade da elíptica, também conhecida como a inclinação do eixo da Terra relativamente ao Sol. Como se sabe hoje, a inclinação da Terra é de aproximadamente 23°34', e al-Khujandi mediu-a como sendo 23°32'19". Usando esta informação, compilou também uma lista das latitudes e das longitudes de cidades principais.
Omar Khayyam (Ghiyath al-Din Abu'l-Fath Umar ibn Ibrahim al-Nisaburi al-Khayyami) foi um grande cientista, filósofo e poeta persa que viveu de 1048 a 1131. Compilou muitas tabelas astronômicas e executou uma reforma do calendário que era mais exacto do que o Calendário Juliano e aproximava-se do Calendário Gregoriano. Um feito surpreendente era o seu cálculo do ano como tendo 365,24219858156 dias, valor esse considerando a exactidão até a sexta casa decimal se comparado com os números de hoje, indica que nestes 1000 anos pode ter havido algumas alterações na órbita terrestre.
Durante o Renascimento, Copérnico propôs um modelo heliocêntrico do Sistema Solar. No século XIII, o imperador Hulagu, neto de Gengis Khan e um protector das ciências, tinha concedido ao conselheiro Nasir El Din Tusi autorização para edificar um observatório considerado sem equivalentes na época. Entre os trabalhos desenvolvidos no observatório de Maragheg e a obra "De Revolutionibus Orbium Caelestium" de Copérnico, há algumas semelhanças que levam os historiadores a admitir que este teria tomado conhecimento dos estudos de Tusi, através de cópias de trabalhos destes existentes no Vaticano.
O modelo heliocêntrico do Sistema Solar foi defendido, desenvolvido e corrigido por Galileu Galilei e Johannes Kepler. Kepler foi o primeiro a desenvolver um sistema que descrevesse correctamente os detalhes do movimento dos planetas com o Sol no centro. No entanto, Kepler não compreendeu os princípios por detrás das leis que descobriu. Estes princípios foram descobertos mais tarde por Isaac Newton, que mostrou que o movimento dos planetas se podia explicar pela Lei da gravitação universal e pelas leis da dinâmica.
Constatou-se que as estrelas são objectos muito distantes. Com o advento da Espectroscopia provou-se que são similares ao nosso próprio Sol, mas com uma grande variedade de temperaturas, massas e tamanhos. A existência de nossa galáxia, a Via Láctea, como um grupo separado das estrelas foi provada somente no século XX, bem como a existência de galáxias "externas", e logo depois, a expansão do universo dada a recessão da maioria das galáxias de nós. A Cosmologia fez avanços enormes durante o século XX, com o modelo do Big Bang (para quem não acredita no Criador) apoiado pelas evidências fornecidas pela Astronomia e pela Física, tais como a radiação cósmica de micro-ondas de fundo, a Lei de Hubble e a abundância cosmológica dos elementos.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A ASTRONOMIA E VIDA NOUTROS SISTEMAS SOLARES

 Esta é um questão pertinente: HÁ VIDA NOUTROS SISTEMAS SOLARES? O Eng. Miguel Mateus, responde, ENTRE
Via-Láctea
Introdução
O ser humano sempre buscou compreender o funcionamento do Universo. Desde a Antiguidade, os povos observavam as estrelas, cometas e planetas para tentar desvendar os mistérios do espaço. Em diversas civilizações, por exemplo, muitas estrelas e planetas foram transformados em deuses. Muitas lendas contam a origem destes astros e delegam poderes especiais a eles. Mas foi somente durante o Renascimento Científico ( séculos XV e XVI ) que o homem passou a ter uma visão mais detalhada e significativa do Universo.
Abaixo um breve histórico da evolução dos conhecimentos sobre astronomia.
750 a.C. - Os egípcios começam a utilizar o movimento do sol para contar o tempo. Surgem os primeiros relógios de Sol.
600 a.C. - O pesquisador grego Tales de Mileto calcula e consegue prever a chegada de um eclipse.
350 a.C. - O matemático grego Eudoxo de Cnidos elabora o primeiro mapa astronómico.
240 a.C. - O grego Eratóstenes faz o primeiro cálculo da circunferência do planeta Terra e chega a conclusão que está distância é de 39.690 km.
140 - Claudius Ptolomeu, pesquisador grego, elabora o primeiro modelo do universo: a Terra ficaria no centro e os planetas e estrelas girariam em torno dela.
1054 - Na China, observadores de estrelas relatam, pela primeira vez, a morte de uma estrela na constelação de Touro.
1304 - O pintor renascentista italiano Giotto faz uma pintura retratando um cometa.
1472 - O astrónomo alemão Johann Müller elabora, com detalhes, estudos sobre a órbita de um cometa.
1543 - Nicolau Copérnico, astrónomo polaco, desenvolve estudos provando a teoria do heliocêntrico. De acordo com ela, todos os planetas do sistema solar giram ao redor do Sol. Esta tese é apresentada no livro Sobre a Revolução dos Corpos Celestes. Embora não aceita pela Igreja Católica, a teoria passar ser um referencial nas pesquisas astronómicas, pois derruba a visão de Ptolomeu sobre o Universo.
1610 - O italiano Galileu Galilei desenvolve um instrumento parecido com um telescópio para observar os astros.
1845 - O irlandês William Parsons elabora o maior telescópio da sua época e descobre as primeiras galáxias espirais.
1851 - O físico francês Jean-Bernard-Leon Foucault comprova o movimento de rotação do planeta Terra.
1862 - O físico sueco Anders Jonas Angströn descobre que o Sol contém hidrogénio em sua composição.
1929 - O astrónomo norte-americano Edwin Powell Hubble descobre que as galáxias se afastam uma das outras. É a “semente” para a Teoria do Big Bang, a explosão inicial que teria dado origem ao Universo.
1963 - O norte-americano Maarten Schmidt faz descobertas sobre os quasares, os astros mais distantes e mais poderosos que existem no universo.
1964 - Os astrónomos Arno Allan Penzias e Robert Woodrow Wilson detectam luz a 13 biliões de anos-luz.
1967 - O astrónomo inglês Anthony Hewish consegue captar sinais de rádio do primeiro pulsar, uma espécie de estrela que emite radiação no formato de pulsos regulares.
1971 - O pesquisador canadiano C.T. Bolt detecta a existência dos buracos negros que concentram a maior quantidade de matéria do Universo.
1975 - O físico inglês Stephen Hawking conclui que um buraco negro pode evaporar, perdendo nesse processo uma pequena quantidade de massa.
1987 - O astrónomo canadiano Ian Shelton consegue a primeira super-nova próxima da Terra. As super-novas são explosões de grandes estrelas próximas a morte.
1999 - Os astrónomos, após observações e imagens do telescópio Hubble, comprovam que o Universo continua a expandir-se.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ÓRION E OS EVENTOS FINAIS

A nebulosa de Órion ocupa um lugar especial no coração Adventista. Desde 1848, quando Ellen White mencionou Órion em sua visão no livro Primeiros Escritos, os Adventistas têm ansiosamente focado seus olhos, binóculos e telescópios para esse lugar no céu em busca de sinais e evidências da Segunda Vinda. A passagem em questão diz:
Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto. (PE, 41).
Nebulosa de Órion (M42). O sistema solar caberia dentro desse espaço
 no mínimo 20 milhões de vezes. Para ver um filme interessante sobre
 Órion produzido pela NASA clique na imagem acima.
Fundo Histórico
Entre 1846 e 1848, Ellen White teve três visões que mostraram eventos no céu. A primeira ocorreu em novembro de 1846 em Topsham, Maine, na qual ela descreveu uma viagem pelo Cosmos onde viu planetas com suas luas. Presente ali estava o capitão e astrônomo amador, José Bates, que em maio de 1846 havia publicado um panfleto intitulado “Os Céus Abertos” no qual ele analisou a relação entre astronomia e a Bíblia. O panfleto foi fruto de várias noites observando Órion na casa de um amigo que havia recentemente comprado um telescópio. Bates equipara o “céu aberto” de João 1:51 à nebulosa de Órion e como o ponto ao leste onde “o mundo logo verá o que o crente no Segundo Advento tem ansiosamente aguardado.”[1] Ele finaliza o panfleto dizendo que a “Nova Jerusalém… o Paraíso de Deus … está agora prestes a descer do “terceiro céu”, através da porta aberta … de Órion.”[2]
Durante a visão, Ellen White descreveu algo que se assemelhou aos “céus abertos” de José Bates que chamaram sua atenção. Bates até então havia duvidado do dom profético de Ellen White. Segundo ele, a descrição de Ellen White dos “céus abertos” era a mais incrível que ele já tinha ouvido, especialmente porque ela lhe havia dito que nunca sequer havia consultado um livro de astronomia e não conhecia nada do assunto. Bates concluiu: “Isso é obra de Deus!” [3] Como resultado, Bates passou a crer no dom profético de Ellen White.
Imagem de Órion que se assemelha aos “céus abertos” de José Bates.
Ellen White não citou Órion especificamente na visão de novembro de 1846 mas Bates concluiu que ela falara dos “céus abertos”, uma expressão que ele havia usado várias vezes no seu panfleto de maio do mesmo ano. Bates se baseou em menções de uma “abertura” em Órion descoberta por outros astrônomos tais como Rosse, Huygens and Furgerson. Huygens descreveu Órion como abrindo-se para outra “região mais iluminada.” [4] Tudo indica que Bates concluiu que, em visão, Ellen White vira a nebulosa de Órion. Ele também identificou outras estruturas celestes baseando-se na descrição, tais como Júpiter e Saturno. A visão tinha um propósito específico, a saber, impressionar Bates a tomar uma decisão. Deus tinha um plano para ele pois foi um dos grandes pioneiros que introduziu a verdade do Sábado para Ellen e Tiago White. [5]
A segunda visão ocorreu em dia 3 de april de 1847 e tratou da Segunda Vinda (Veja Primeiros Escritos, p. 32-35). A descrição da visão é bastante similar à que estamos estudando porém, sem mencionar Órion: “Nuvens negras e pesadas se acumularam e se chocavam umas contra as outras. Mas havia um espaço claro de glória indescritível, de onde veio a voz de Deus como de muitas águas, a qual fez estremecer os céus e a Terra.”(p. 34).
A terceira visão, cuja descrição contém a menção de Órion, ocorreu nodia 16 de dezembro de 1848. A passagem trata de dois eventos, o primeiro é a Segunda Vinda de Cristo, e o segundo é a descida na Nova Jerusalém após o Milênio. Vamos agora analisar algumas das implicações da menção de Órion por Ellen White ao interpretar essa visão.
Distâncias Astronómicas
Não é difícil imaginar como os astrônomos do passado se maravilharam com Órion. Suas cores e brilho continuam a atrair astrônomos. Junte isso com conhecimento de teologia, e não é difícil entender porque Bates concluiu mais do que depressa que Órion era a porta do céu. Durante a segunda parte do século 19, avanços em astronomia começaram a elucidar o que realmente acontece em Órion. Desde 1990, quando Hubble entrou em órbita suas imagens de alta definição revelaram mais nitidamente o que outros já haviam suspeitado: não existe nenhum “espaço aberto” na constelação de Órion. Ela é formada de estrelas, gases e poeira cósmica que aos olhos de astrônomos do passado com seus telescópios limitados, parecia a entrada para um lugar ainda mais luminoso.
Órion, embora seja uma das constelações mais próximas da Terra, está a 1.500 anos-luz [6] de distância, o que equivale a aproximadamente 14 quatrilhões de kilômetros. A luz de Órion que vemos hoje foi gerada 1.500 anos atrás! Em outras palavras, para que víssemos algo se abrindo em Órion hoje, esse evento teria que ter ocorrido há 1.500 anos. Nosso sistema solar inteiro poderia caber dentro da extensão da nebulosa de Órion no mínimo 20.000.000 de vezes! A estrela Betelgeuse em Órion, por exemplo, é aproximadamente 1.000 vezes maior do que o nosso Sol.
Considerando-se esses fatos, seria possível observar alguma coisa passando através de Órion? Vejamos: a Cidade Santa segundo Apocalipse 21:16 tem o comprimento de 12.000 estádios. Vamos considerar esse número como literal para efeito de ilustração, o que equivale a 2.200 kilômetros. Assim, considerando-se que Órion que tem 100 trilhões de kilômetros de área, se Jesus com seus anjos ocupassem uma área como a Nova Jerusalém, seria impossível vê-los passando através de Órion, mesmo com os mais potentes telescópios hoje. Seria mais fácil alguém num Boeing 747 a 10 km de altura achar uma agulha no meio na Amazónia a olho nu.
Além disso, para que Jesus e seus anjos pudessem fisicamente atravessar Órion e chegar a tempo até a Terra, eles teriam que viajar à velocidade de no mínimo 14 quatrilhões de km/hr, ou seja, 14 milhões de vezes acima da velocidade da luz! Não estamos questionando se os anjos podem ou não alcançar tal velocidade, nem tampouco querendo substituir a fé pela ciência. A pergunta é, por quê eles se limitariam a sequer percorrer tal distância? Com certeza a viagem de Jesus e dos anjos pelo universo não deve girar em torno de distância ou velocidade; deve haver outros meios de viagem pelo Cosmos que não nos foram revelados. [7] O fato é que a escala dos corpos celestes como nos revela a astronomia atual descarta a inclusão de uma estrutura cósmica extremamente remota no abalo dos poderes do céu durante a vinda de Cristo, que segundo a Bíblia, devem impactar somente a esfera terrestre (Sol, lua, estrelas cadentes e a Terra).
Revendo a Visão
Sabemos através do relato de John Loughborough [8] e Ella Robinson [9] (neta de Ellen White) que foi José Bates quem descreveu o que Ellen White viu em 1846. Durante a visão, Ellen White viu um planeta com 4 luas, e José Bates disse, “Ela está vendo Júpiter!” Deus mostrou a ela que Júpiter tinha quatro luas (conhecimento corrente da época) enquanto hoje sabemos que Júpiter tem 63 luas! Quando ela vê Saturno, ela descreve 7 luas, novamente referindo-se ao conhecimento da época, enquanto hoje sabemos que Saturno tem 60 luas! Bates não acreditaria nela se ela dissesse que Saturno na verdade tinha 60 luas. [10]
Tiago White se baseou em Bates para dizer que ela viu “Júpiter, Saturno e um outro planeta.” [11] Neste período, Bates e o casal White passaram muito tempo juntos como pioneiros adventistas. É muito provável então que Bates tenha compartilhado também com Ellen White os seus estudos de astronomia e sua convicção de que Órion era de fato os “céus abertos” da Bíblia. Isso explicaria porque dois anos depois, em 1848 ela interpreta a visão do “espaço aberto” no céu como sendo Órion.
Um pouco mais do pano de fundo histórico confirma que na época, alguns mileritas ensinavam que o abalo das potestades do céu não se referiam ao nosso céu literal, mas simbolizavam as nações da Europa. O editor da revista milerita Day Star desafia: “Por que fitais os olhos ao céu; podeis discernir de onde Jesus está voltando?” Em parte, Bates escreveu seu panfleto sobre o “espaço aberto” por em Órion onde Jesus virá para refutá-los. [12] Ellen White entra na controvérsia confirmando que o que ela viu acontece na atmosfera terrestre: “Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou.” Descrevendo a mesma cena em 1847, ela substitui “atmosfera” por “Em meio dos céus agitados” o que confirma que os céus são os céus terrestres e não uma suposta atmosfera em Órion.
Portanto, tudo indica que a referência a Órion era a interpretação de Ellen White da visão e não a visão em si. Essa é uma distinção crucial para se entender profecia. Na maioria dos casos, o profeta recebe uma visão e às vezes recebe ajuda para interpretá-la, como no caso de João (Apo. 17) e Daniel (Dan. 8). Na maioria dos casos, porém, a interpretação fica por conta do profeta ou dos leitores/ouvintes. Nesse caso, não temos evidência de que Deus revelou-lhe de maneira específica e literal que o “espaço aberto” era a nebulosa de Órion, já que ela descreve a mesma cena outras vezes sem mencioná-la, como, por exemplo, na visão da mesma cena de 1847. [13]
Como vimos acima, Bates foi o primeiro a concluir que a Cidade Santa desceria através de Órion e há fortes evidências de que isso influenciou Ellen White naquele momento da sua experiência. No entanto, o entendimento da visão aumentou com o tempo, razão pela qual Ellen White citou Órion uma única vez e não o fez posteriormente. Prova disso é que o livro O Grande Conflito (edições de 1888 e 1911), considerado o relato final e autoritativo por Ellen White dos eventos finais descreve a mesma cena mas sem a menção de Órion. Ela escolhe a visão de 1847 para descrever o que acontece no momento da vinda de Cristo:
Nuvens negras e pesadas sobem e chocam-se umas nas outras. Em meio dos céus agitados, acha-se um espaço claro de glória indescritível, donde vem a voz de Deus como o som de muitas águas, dizendo: “Está feito.” Apoc. 16:17. (GC 636).
Ellen White poderia ter incluído Órion na descrição do Grande Conflito mas não o fez, obviamente porque o suposto “espaço aberto” que em 1848 ela entendeu como Órion através de José Bates, agora deu lugar ao “espaço claro de glória indescritível“. Note que esses termos já haviam sido usados pra descrever o que ela vira em 1847. Note também a diferença entre espaço “aberto” e espaço “claro”. É evidente que ela procura criar a distinção entre sua interpretação anterior que tinha relação com o “espaço aberto” de Órion.
Vários autores adventistas têm chegado à mesma conclusão. Kheon Yigu publicou uma monografia na Universidade Sahmyook em que fez um estudo histórico sobre o desenvolvimento da crença em Órion na Igreja Adventista onde também conclui que a menção posterior do “espaço claro” no Grande Conflito deve substituir Órion. [14] Martin Carey cita o fato de que já em 1864, o astrônomo Huggins focalizou seu telescópio para Órion e descobriu que a suposta “abertura” não passava de gases em combustão. [15] Os Drs. M. Sprengel e D. Martz, ambos professores de ciências no Pacific Union College analisam numa série de 3 artigos na Revista Adventista [16] (Review and Herald) a citação de Órion e como o entendimento dos astrônomos foi aumentando através dos avanços da ciência e concluem que a comparação do “espaço aberto” com Órion é fruto da influência de José Bates.

Imagem de Órion que se assemelha aos “céus abertos” de José Bates.
Em um artigo que discute o entendimento gradual por Ellen White das suas visões, os depositários do White Estate concluem:
A jovem Ellen, aparentemente não entendeu completamente todas as implicações das suas primeiras visões. Ela teve que operar dentro da mentalidade do seu tempo, bem como dentro da capacidade mental de uma adolescente. Dessa forma, assimilar tudo o que compunha suas primeiras visões levaria tempo para a jovem Ellen, assim como levou tempo para seus contemporâneos. [17]
Nas palavras da própria Ellen White:
Com freqüência me são dadas representações que a princípio eu não compreendo, mas depois de algum tempo elas se tornam claras pela reiterada apresentação dessas coisas que a princípio eu não entendi, e de certas maneiras que fazem com que o seu significado seja claro e inconfundível. (Carta 329, 1904; ME 3, 56).
Essa progressão do entendimento da revelação faz parte de um princípio articulado por Ellen White ao dizer que Deus revelou-se aos seres humanos levando em conta seu contexto e o momento de sua experiência:
…à medida que Deus, em Sua providência, via apropriada ocasião para impressionar o homem nos vários tempos e diversos lugares … a fim de chegar aos homens onde eles se encontram… na linguagem dos homens. (ME 1, 19, 20).
Isso significa que Deus leva em consideração a capacidade do profeta de assimilar ou não o que ele está revelando enquanto se vale de conceitos e pressuposições locais do profeta como elementos periféricos para “emoldurar”, por assim dizer, verdades mais profundas. A moldura é um detalhe somente, a verdade revelada é axiomática e absoluta. O teólogo adventista Alden Thompson descreve esse princípio revelatório assim: “Os limites de tempo e circunstâncias, cultura e conhecimento humano, estabelecem os marcos dentro dos quais a revelação pode ser eficaz. … O bom ensino sempre envolve ilustrações eficazes, que são concretas, compreensíveis, adaptadas para as necessidades do estudante. Elas apontam para a verdade mas não devem ser confundidas com a verdade.” [18]
Como vemos esse princípio na Bíblia? Por exemplo, Moisés classificou o coelho como animal ruminante (Lev. 11:6), hoje sabemos que ele não é. Isaías disse que a Terra tinha “quatro cantos” (Isa. 11:12). João, além de citar os mesmo quatro cantos (Apo. 7:1), descreve a Nova Jerusalém cercada de um muro e portas, algo que reflete a estrutura da Jerusalém que ele conhecia no primeiro século.
Como vemos esse princípio na menção de Órion por Ellen White ao interpretar a visão? Lembra-se que Júpiter foi mostrado a ela como tendo 4 luas em vez de 63? Era o que eles conheciam de Júpiter. No livro Educação, Ellen White diz que as estrelas refletem a luz solar. (Ed 14). Sendo assim, Ellen White estava convencida de que “espaço aberto” de Órion, que José Bates defendia inclusive pela Bíblia como sendo a porta do céu, era de fato o ponto no céu por onde Cristo passará, de onde vinha voz de Deus e por onde a Cidade Santa vai descer após o Milênio. Essa suposta “abertura” que eles pensavam existir na época era o melhor exemplo de uma entrada para onde Deus e Seus anjos estão. Esse era o entendimento que ela tivera da visão em seu contexto e em suas limitações na época, haja vista que não temos evidência que Deus revelou-lhe que o espaço aberto era Órion especificamente. Órion era relevante para eles naquele período; hoje sabemos que essa suposta “abertura” em Órion não existe e a nebulosa não se abre para nehuma região mais iluminada do Cosmos, como se fosse a porta do céu. Órion é uma nebulosa como qualquer outra, cheia de gases, estrelas e poeira cósmica. Por outro lado, a título de consistência, insistir no “espaço aberto” em Órion implica defender não só que Júpiter só tem 4 luas, mas que a Terra é quadrada pois tem quatro cantos segundo Isaías. Creio que as implicações de tal abordagem são profundamente problemáticas e óbvias.
Ellen White não recebeu inspiração verbal. Ela teve visões e precisou interpretá-las e descrevê-las em sua própria linguagem e como as havia entendido naquele momento. Com o passar dos anos, o Espírito Santo a fez entender essa visão (bem como outras visões) de maneira diferente, o que posteriormente ela descreveu na última versão do Grande Conflito em 1911 sem citar Órion. Sobretudo o “espaço aberto” ou “espaço claro” não é o centro da visão, a descrição do retorno de Jesus é.
Conclusão
Ellen White interpretou o “espaço aberto” no céu como Órion somente em 1848 porque isso era o melhor que ela (através dos estudos de José Bates) conhecia sobre a relação entre astronomia e a Bíblia. Ao descrever a mesma cena na primeira edição do Grande Conflito em 1888, ela descarta Órion e repete termos que usou em 1847 para descrever a vinda de Cristo por um “espaço claro de glória indescritível.” Para todos os efeitos, Órion deixou de ter qualquer relevância para os eventos finais na interpretação de Ellen White dos eventos finais já em 1888.
Muitas especulações têm surgido através dos anos sobre o que estaria acontecendo em Órion, desde sons de trombetas, luzes inexplicáveis, sons de cavalos marchando ou até que as Três Marias estão se afastando para dar lugar à vinda de Cristo. Nada disso tem base em fatos concretos. [19] Infelizmente, essa passagem tem sido um prato cheio para alguns em nosso meio que tendem ao sensacionalismo. Sem dúvida o anseio pela vinda de Jesus é louvável. Porém, lembremo-nos que Jesus virá Segunda Vez porque Ele prometeu. Nossa fé não deve depender de cataclismas, de abalos, de nebulosas, de problemas do meio ambiente ou crises políticas e religiosas mas sim da crença firme na promessa de Jesus: “Virei outra vez”. No dizer de Pedro: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em q¬ue habita a justiça.” (2 Ped. 3:13).
O presente estudo evidencia que é imprescindível entendermos e aplicarmos princípios corretos de interpretação do Espírito de Profecia a fim de evitar interpretações que levem ao sensacionalismo. Espero também que ele tenha ajudado a elucidar a dinâmica da revelação nos escritos de Ellen White no que tange à menção de Órion e os eventos finais.
André Reis
http://www.IgrejaAdventista.com
http://www.AdoracaoAdventista.com

[1] Joseph Bates, The Opening Heavens, p. 8, 27; disponível em http://sdapillars.org/joseph_bates_p.php.
[2] Idem, p. 28.
[3] John Loughborough, The Rise and Progress of Seventh-day Adventists, p. 125-127.
[4] Agnes Clarke, A Popular History of Astronomy During the 19th Century, p. 22.
[5] Veja Francis Nichols, Ellen White and her Cristics, pp. 91-101.
[6] Ano-luz: distância percorrida pela luz durante 1 ano na velocidade de 300.000 kilômetros/segundo = 9,460,800,000,000 de kilômetros.
[7] Astrônomos têm proposto a idéia de túneis (wormholes) ou dobras na estrutura do universo que funcionam como uma espécie de atalhos entre um ponto e outro do universo.
[8] John Loughborough, The Rise and Progress of Seventh-day Adventists, p. 125-127.
[9] Ella Robinson, Histórias da Minha Avó, pp. 40-42.
[10] Veja Herbert Douglass, Mensageira do Senhor, p. 113.
[11] James White, A Word to the Little Flock, p. 22.
[12] Veja Bates, “Opening Heavens”, 11. Day Star citado por Bates sem referência.
[13] Veja Primeiros Escritos, p. 34.
[14] Veja também Kheon Yigu “Issues of the “Open Space in Orion” Presented in SDA Literature (1846-
1994)” Sahmyook University publicado online em
http://www.scribd.com/full/38023491?access_key=key-1cyqu447mw2m7pn6swpz
[15] Martin Carey, “The Opening Orion”, publicado online em
http://lifeassuranceministries.org/proclamation/2009/3/openingorion.html
[16] Merton Sprengel e Dowell Martz, “Orion Revisited“, Review and Herald, 25/3/1976, pp. 4-7; “How Open is Orion’s Open Space?”, Review and Herald, 01/04/1976,pp. 9-11; “Does the Open Space Exist Today?,”Review and Herald 08/04/1976, pp. 6-8.
[17] Ellen White’s Growth in Understanding Her Own Visions; disponível no site www.ellenwhite.com, Appendix G.
[18] Alden Thompson, Inspiration, p. 297.
[19] Veja Yuri Mendes, Os Mistérios de Órion publicado pela Casa Publicadora Brasileira, 2008.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CRIAÇÃO DE VIDA ARTIFICIAL

O termo foi criado, em 1974, pelo oncologista polaco Waclaw Szybalski: “Até agora, temos estado a trabalhar na fase descritiva da biologia molecular. Todavia, o verdadeiro desafio começará quando entrarmos na fase da biologia sintética. Nessa altura, desenvolveremos novos elementos de controlo para serem acrescentados a genomas já existentes, e ou criaremos outros totalmente novos.” Esta combinação de bioquímica e genética colocava duas questões que estamos, actualmente, muito perto de conseguir resolver: qual o número mínimo de genes necessário para poder haver vida? É possível criar um ser vivo ex novo?
Em Junho de 2007, os cientistas conseguiam transformar a bactéria de espécie Mycoplasma capricolum noutra, Mycoplasma mycoides, ao substituir o cromossoma da segunda pelo da primeira. Em Janeiro do ano seguinte Hamilton Smith (Prémio Novel em 1978) anunciava a criação do primeiro ADN sintético com base no Mycoplasma genitalium, uma bactéria que infecta o aparelho genital dos primatas.
Todavia, a linha mais promissora é a que deriva de um projecto recentemente completado e em que participaram 13 grupos de investigação europeus: Programmable Articial Cell Evolution (PACE). O objectivo era determinar as regras seguidas por qualquer ser vivo e, na posse delas, conceber uma criatura completamente distinta. “Não se parte de um genoma que já existe, mas de matéria inanimada, com recurso a sistemas químicos que não têm de ser forçosamente biológicos”, esclarece Ricard Sole, director do Laboratório de Sistemas Complexos da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona) e um dos investigadores que participam no projecto. O seu grupo foi incumbido de elaborar os modelos teóricos que prevêem a dinâmica e a evolução da escutaras protocélulas artificiais: os resultados mostram que é possível. Sole está convencido de que, dentro de pouco mais de uma década, teremos a primeira célula artificial.
Claro que todas estas tentativas suscitam críticas e dão origem a acusações de estarem a “brincar a Deus” e às clássicas alusões a Frankenstein. Todavia, como recorda Arthur Caplan, director do Centro de Bioética da Universidade da Pensilvânia, “a dignidade da vida nunca esteve no seu mistério, mas na diversidade, complexidade e capacidade para se manifestar em todo o tipo de condições e circunstâncias”. Que dirá o Miguel Mateus? Aconselho a entrar o pensamento dele é sério e coerente, ele tem o conhecimento e discernimento do esclarecimento ENTREMOS A CASA É NOSSA.

domingo, 12 de setembro de 2010

ÓRGÃOS VESTIGIAIS

A existência de órgãos vestigiais, considerados inúteis por supostamente serem meros vestígios da evolução humana, foi durante muito tempo apresentado como um dos principais argumentos a favor da evolução. Ainda hoje esse argumento se encontra nalguns livros de biologia, mais preocupados em pregar a fé do evolucionismo do que em transmitir uma visão cientificamente correta dos fatos.
No século XIX o número dos órgãos vestigiais chegou a ser quantificado em cerca de 180. A crença no caráter vestigial e não funcional desses órgãos esteve na base de muitos erros médicos e atrasou substancialmente a investigação acerca da função desses órgãos no corpo humano. Ainda assim, o progresso das ciências médicas veio a demonstrar que todos os órgãos aparentemente vestigiais têm afinal uma função bem definida (J. Bergman, G., Howe,. "Vestigial Organs" are Fully Functional, Creation Research Society Books, Terre Haute, IN, USA. 1990.).
Os últimos órgãos a abandonarem o seu estatuto vestigial foram o apêndice e o cóccix (J. Warwick Glover, “The Human Vermiform Appendix—a General Surgeon's Reflections”, Creation Ex Nihilo Technical Journal, 3: 1988, 31 ss.). Se se tivesse partido do princípio de que os órgãos humanos tinham uma função, porque resultado de design inteligente, a compreensão dessa função teria certamente sido mais rápida. A uma conclusão semelhante se tem vindo a chegar a propósito do impropriamente designado por “junk-DNA” (Don Batten”‘Junk’ DNA (again)”, Creation Ex Nihilo Technical Journal, 12(1),1998, 5.).
Para aprofundar este tema (CLICAR)