segunda-feira, 28 de junho de 2010

SERÁ QUE A LUZ DAS DISTANTES ESTRELAS PROVA QUE O UNIVERSO É ANTIGO?

Vivemos num universo imenso que contém galáxias que se encontram a biliões de anos-luz de distância. O fato da luz destas galáxias chegar até nós tem sido usado como evidência a favor de um universo com uma idade de aproximadamente 14 bilhões de anos.
As técnicas utilizadas pelos astrónomos para medir distâncias cósmicas poderiam ser questionadas. No entanto, elas são geralmente lógicas e corretas e nãos se baseiam em pressuposições evolucionistas do passado. Além do mais elas fazem parte da ciência observacional, sendo presentemente testáveis e duplicáveis.
Criacionistas ao produzir modelos de uma terra e um universo jovens, com cerca de milhares de anos e não milhões ou bilhões de anos, são, de uma forma geral, criticados por não levar em consideração questões “tão simples” como o tempo de viagem da luz vinda de pontos muito distantes do universo.
Assim sendo, uma breve avaliação sobre o tempo de viagem da luz se faz necessário para a validação dos modelos criacionistas de uma terra e um universo ainda jovens.
As Pressuposições dos Argumentos do Tempo de Viagem da Luz
Qualquer tentativa científica que tente estimar a idade de qualquer coisa envolverá necessariamente um certo número de pressuposições. Estas pressuposições podem estar relacionadas com as condições iniciais, a constância de certas proporções, contaminação do sistema e muitas outras, e, portanto, serem incorretas. Muitas vezes uma cosmovisão errada pode também ser a causa de pressuposições incorretas.
A luz distante das estrelas apresenta várias pressuposições que são questionáveis – nenhuma das quais faz com que necessariamente o argumento esteja errado.
A Constância da Velocidade da Luz
Assume-se atualmente que a velocidade da luz é constante em função do tempo. Atualmente, no vácuo, ela demoraria um ano para percorrer aproximadamente 9,5 triliões de quilómetros.
Se assumirmos que esta velocidade tem sido constante durante toda a existência do universo, poderemos incorrer no erro de acharmos uma idade muito mais antiga para o universo do que a idade real.
Por outro lado, a velocidade da luz não é um parâmetro arbitrário. Em outras palavras, se mudarmos a velocidade da luz, outras coisas também mudariam, como a proporção entre energia e massa de um sistema, e as demais constantes que estão relacionadas com esta velocidade.
Portanto, se for alterada a velocidade da luz, o impacto que isto causaria no universo, na terra e na vida seria algo não imaginável.
A Pressuposição da Rigidez do Tempo
A pressuposição de que o tempo se move de forma constante em todas as condições, obedecendo a uma forma rígida não é verdadeira. Existem maneiras através das quais a não rigidez do tempo pode permitir que a luz proveniente de pontos muito distantes chegue até nós numa escala de tempo relativamente pequena.
Albert Einstein descobriu que movimento e gravidade afectam a passagem do tempo. Por exemplo, quando um objecto está num movimento muito próximo ao da velocidade da luz, o seu tempo é desacelerado. Isto é chamado de dilatação do intervalo de tempo. O mesmo se dá com a medição do intervalo de tempo entre um relógio posicionado ao nível do mar e um outro numa montanha. O relógio posicionado ao nível do mar, por estar mais próximo da fonte da gravidade, teria também o seu tempo desacelerado.
Portanto, um mesmo evento no passado poderia ter ocorrido num longo período de tempo para um observador, e num curto período de tempo para um outro observador. Por exemplo, a luz das estrelas que demoraria bilhões de anos para chegar até nós (medida por relógios posicionados no espaço profundo – “deep space clocks”) chegaria à Terra em alguns milhares de anos, medida por relógios daqui. Isto ocorreria naturalmente se a Terra estivesse numa cavidade gravitacional (“gravitational well”).
Suponhamos que o sistema solar esteja localizado próximo do centro de um número finito de galáxias. Esta proposta é totalmente consistente com a evidência e, portanto, uma possibilidade perfeitamente razoável.
Neste caso, a Terra estaria localizada nesta cavidade gravitacional. Isto significa que muita energia teria que ser utilizada para levar algo para uma posição distante desse centro. Nessa cavidade gravitacional, nós não sentiríamos nenhum efeito gravitacional anormal, mas os nossos relógios estariam desacelerados (muito mais lentos) quanto comparados com os relógios posicionados em outros pontos distantes.
Sendo que a expansão do universo é aceita pela maioria dos astrónomos actuais, o universo teria sido menor no passado, fazendo com que a diferença entra os relógios na terra apresentassem uma desaceleração quando comparados com relógios em pontos distantes do universo. Assim sendo, a luz proveniente de galáxias distantes teria chegado até a terra em apenas alguns poucos milhares de anos, quando medida por relógios na terra, em comparação com bilhões de anos, quando medida por relógios distantes da terra.
A Pressuposição de Sincronização
Uma outra maneira pela qual a relatividade do tempo é importante, é a sincronização: como fazer com que relógios mostrem o mesmo tempo e ao mesmo tempo. A teoria da relatividade tem mostrado que tal sincronização não é absoluta. Por exemplo, um observador num plano de referência poderia ver dois relógios sincronizados ao passo que um outro observador, num plano de referência diferente, não os veria sincronizados. Portanto, quando se trata de sincronização de relógios separados por uma distância qualquer (pequena ou quase infinita), não existe um método pelo qual tal sincronização possa ser feita no sentido absoluto, de tal maneira que todos os observadores iriam concordar, independente do movimento.
Um exemplo simples seria um avião levantando voo às 14h00 e pousando precisamente às 14h00. Sendo que o avião aterrou no mesmo tempo em que levantou voo, esta viagem seria instantânea. Como seria possível? A resposta está no fuso horário. Imagine um avião partindo de Brasília às 14h00 (horário local) e chegando em Cuiabá às 14h00 (horário local). A hora marcada em Cuiabá é uma a menos que a de Brasília (consideramos que o avião voa rápido o suficiente para percorrer a distância em uma hora). Para um passageiro a viagem teria demorado uma hora (tempo universal), mas para um observador em Cuiabá, o avião teria chegado na mesma hora em que partiu (tempo local).
Existe um equivalente cósmico entre o tempo local e o tempo universal. Luz viajando em direcção à Terra é equivalente a um avião viajando no sentido oeste (Brasília a Cuiabá), O tempo local permaneceria sempre o mesmo. Se usarmos o tempo cósmico universal, a luz levaria 100 anos para percorrer 100 anos-luz.
De acordo com a teoria da relatividade de Einstein, a luz não experimenta a passagem do tempo, sendo a sua viagem instantânea. Portanto, luz vinda da extremidade do universo chegaria instantaneamente aqui ao passo que nós acharíamos que ela teria levado bilhões de anos.
O Tempo de Viagem da Luz: Um Argumento que Refuta a Si Mesmo
A própria teoria do big bang possui um problema seríssimo com a questão do tempo de viagem da luz. De acordo com este modelo, a luz teria que percorrer uma distância muito acima da que lhe é permitida, dentro de um período de 14 bilhões de anos (idade do universo proposta pela teoria do big bang). Esta dificuldade é conhecida como o “problema do horizonte”.
De acordo com a teoria do big bang, quando o universo era ainda bastante jovem e muito pequeno, ele desenvolveu pequenas diferenças locais de temperaturas (sem isso corpos celestes como estrelas e galáxias não poderiam ter se formado). Vamos assumir teoricamente que neste início de universo haveria, portanto, dois pontos: A (quente) e B (frio). Hoje, bilhões de anos depois deste período, o universo expandiu de tal forma que os pontos A e B estão muito distantes um do outro. No entanto, temos visto por meio da radiação de fundo (Cosmic Background Radiation) que a temperatura, mesmo a distâncias imensas, é praticamente a mesma: 2,7 K (270°C negativos). Isto significa que os pontos A e B possuem a mesma temperatura hoje. Mas isso somente seria possível se eles tivessem trocado energia. E a maneira mais rápida de trocar energia é através de radiação eletro-magnética. No entanto, essa troca teria que ter ocorrido múltiplas vezes durante a existência do universo para que um equilíbrio térmico fosso atingido (como obervado através da temperatura uniforme da radiação de fundo). Dado o tamanho do universo – a distância e a quantidade de vezes entre dois pontos que a luz teria que ter percorrido durante os supostos 14 bilhões de anos – a velocidade da luz não teria sido suficiente para que tal temperatura uniforme existisse.
Uma solução proposta para a teoria do big bang é o que se chama de período inflacionário. O universo no seu início teria expandido dentro dos limites conhecidos pela ciência. Em seguida ele teria entrado num período inflacionário, através do qual teria chegado às dimensões atuais. Esta proposta não possui nenhuma evidência, não sendo nada mais que uma pura conjectura. (Não existe nenhuma evidência do que poderia ter dado início a esse período e muito menos o que teria feito com que ele chegasse ao fim de forma suave para manter intacta a estrutura observada no universo atualmente.)
Conclusão
Assim sendo, o problema do tempo de viagem da luz permanece uma questão aberta para a discussão científica. Aceitar uma idade antiga para o universo (teoria do big bang), apenas porque a luz de corpos celestes localizados a bilhões de anos-luz tem chegado até nós, é uma questão de preferência por um modelo de idade antiga por um outro modelo de idade recente. Esta preferência não se dá por méritos científicos mas sim por pressuposições e posicionamento filosófico pessoal de cada cientista ou pesquisador.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

EXISTEM EVIDÊNCIAS DA EVOLUÇÃO?

por Marcia Oliveira de Paula, Ph.D.
Se abrirmos qualquer livro de Biologia do 2o grau vamos nos deparar com um capítulo denominado “Evidências da evolução”. Será que existem mesmo evidências da evolução? Vamos analisar algumas dessas evidências e verificar se elas são mesmo válidas.

ANATOMIA COMPARA
As semelhanças na anatomia são consideradas como uma das evidências da evolução. Por exemplo, ao compararmos a asa de uma ave, a nadadeira anterior de um golfinho e o braço de um homem, veremos que, embora elas sejam muito diferentes, possuem estrutura óssea e muscular bastante parecidas. Os evolucionistas interpretam estas semelhanças admitindo que estes seres tiveram ancestrais em comum, dos quais herdaram um plano básico de estrutura corporal. Os criacionistas, por outro lado, interpretam as mesmas semelhanças como evidências de planejamento e desígnio criativos. Um engenheiro que planejasse diferentes tipos de máquinas não começaria de um rascunho para cada uma das máquinas. Os dados indicam que um Criador inteligente projetou o sistema de membros para os vertebrados. Ele desenvolveu um plano geral flexível que poderia se adaptar a cada uma das necessidades. O evolucionista precisa supor que todas essas características se desenvolveram por mutações casuais e seleção natural. Os criacionistas explicam-nas como estruturas que receberam do Criador funções especiais para objetivos específicos, de forma que quando objetivos semelhantes estavam em vista, estruturas semelhantes foram criadas.

EMBRIOLOGIA COMPARADA
Se compararmos os embriões de determinados grupos de animais, veremos que existem semelhanças entre eles, e essas semelhanças são ainda maiores que as encontradas nas formas adultas.

Mesmo antes da época de Darwin, os evolucionistas alegavam que as semelhanças no desenvolvimento embrionário indicavam uma descendência comum. Os livros modernos ainda mostram esboços de embriões de animais como aves, répteis e mamíferos, juntamente com os do homem, mostrando importantes semelhanças entre eles e atribuindo essas semelhanças à existência de um ancestral comum.

O conhecido chavão evolucionista “a ontogenia recapitula a filogenia” é uma definição popular da “teoria da recapitulação” ou “lei biogenética” de Haeckel. Ela afirma que cada organismo em seu desenvolvimento embrionário (ontogenia), tende a recapitular os estágios por que passaram seus antepassados (filogenia). No caso do homem, por exemplo, ensinava-se que o embrião humano começou a vida como um protozoário marinho, desenvolveu-se em um ambiente aquático até se tornar um verme com um coração tubular, depois até ser um peixe com brânquias e um coração com duas câmaras, depois até ser um anfíbio com um coração com três câmaras e um rim mesonéfrico, e depois até ser um mamífero com um coração de quatro câmaras, rim metanéfrico e uma cauda, e finalmente até ser um ser humano. Desta forma, o embrião humano reteria “vestígios” de sua evolução anterior, recapitulando as sua fases principais.

O mais famoso desses paralelos foi sem dúvida foi o suposto desenvolvimento de brânquias no estágio “de peixe” do crescimento do embrião humano. Esta suposta recapitulação era inteiramente superficial; o embrião humano nunca desenvolve brânquias nem nada parecido com elas , e portanto nunca é um peixe. Na verdade, tanto o homem como todos os cordados desenvolvem fendas faringeais com bolsas faringeais. Nos peixes elas mais tarde se transformam nas brânquias. No ser humano, elas se transformam nos tubos eustaquianos, nas glândulas paratireóides e no timo. Enquanto estão se desenvolvendo, servem como guias essenciais para o desenvolvimento de vasos sangüíneos, e desta forma não são, de forma alguma, vestígios inúteis.

A crença de Haeckel de que cada estágio embrionário representa o estágio adulto de um de seus ancestrais é considerada completamente errada pelos embriologistas modernos. Atualmente os evolucionistas aceitam que os padrões de desenvolvimento embrionário em um grupo de animais próximos podem conter aspectos que refletem seu passado, mas muitas inovações se superpõem e freqüentemente obscurecem o padrão ancestral. Assim, não existe uma recapitulação precisa. É surpreendente que alguns evolucionistas proeminentes continuem a referir-se a esta idéia como evidência da evolução. Porém, os que tem conhecimentos atualizados, tanto em embriologia quanto em paleontologia, não o fazem.

Se para o evolucionista as semelhanças em embriologia são evidências de uma descendência comum, para os criacionistas elas evidenciam apenas o planejamento comum de um Criador. Dado o pressuposto da criação, como os cordados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) tinham o desígnio de reproduzir a sua espécie pelo mesmo tipo de processo reprodutivo, seria de se esperar que o desenvolvimento fosse semelhante em todos esses animais.

O animal embrionário começa a sua existência com uma união de duas células (gametas), e após essa união ocorre uma multiplicação de células que precisa operar-se durante algum tempo no mesmo tipo de meio ambiente. Além disso, muitas das estruturas que devem ser desenvolvidas de alguma forma precisam ser semelhantes (membros, cabeça, etc.). Considerando-se isso, seria natural que os embriões em desenvolvimento parecessem muito semelhantes nos estágios iniciais de seu desenvolvimento.

Nesse período entretanto, à medida em que se torna necessário que caracteres especializados correspondentes à espécie progenitora comecem a se formar, essas semelhanças superficiais dão lugar às características embrionárias distintas e apropriadas. Na verdade, essas importantes diferenças se mostram em estágio bem inicial do desenvolvimento embrionário.

Existem também, mesmo nos estágios iniciais, diferenças entre os embriões que são tão importantes como as semelhanças. O DNA de uma ave é bastante diferente do DNA de um réptil. O material genético distinto, programado para cada espécie de animal, assegura que apenas aquela espécie se desenvolva a partir daquele embrião

BIOQUÍMICA COMPARADA
Os recentes avanços da Biologia Molecular têm permitido comparar diretamente a estrutura genética de diferentes espécies, através da comparação da seqüência de nucleotídeos da molécula de DNA. Outros compostos químicos existentes em organismos vivos também têm sido comparados, especialmente as proteínas, como a gamaglobulina, a insulina, o citocromo C, a hemoglobina e outras. Em geral (embora com muitas exceções) as semelhanças respectivas destes sistemas bioquímicos se alinham quase da mesma maneira como o fazem as semelhanças tradicionalmente baseadas em características anatômicas e outras características morfológicas. Ou seja, animais que tenham muitas semelhanças anatômicas geralmente também têm DNAs e proteínas muito parecidos. Isso seria um fato esperado, sabendo-se que o DNA é o responsável pela produção das proteínas de um determinado organismo e estas, em última instância, serão as responsáveis pelas características fenotípicas destes.

Isto sem dúvida é exatamente o que seria de se esperar tendo-se como base o modelo criacionista; a bioquímica comparada pode tanto ser usada como evidência da evolução como evidenciar apenas o planejamento comum de um Criador.

ÓRGÃOS VESTIGIAIS
Órgãos vestigiais são órgãos existentes no homem, bem como em outros animais, e que são considerados como vestígios inúteis de estruturas que foram úteis em um estágio evolutivo anterior. Na virada do século foi feita uma longa lista de órgãos vestigiais em mamíferos. Esta lista foi considerada uma evidência convincente da megaevolução. Mais de 80 órgãos estavam nesta lista, que incluía a tireóide, o timo, as glândulas pituitárias, o lobo olfativo do cérebro, o ouvido médio, as amígdalas e o apêndice. Hoje já se sabe que todos estes órgãos tem funções úteis e, não raro, essenciais. Mas na época em que a lista foi feita, ninguém sabia que funções eles tinham. À medida em que foram feitos estudos pelos fisiologistas, esta lista foi encolhendo. Atualmente já se mostrou que a maioria dos órgão chamados vestigiais, especialmente no homem, tem uso definido e não são, de forma alguma, atrofiados.

A lógica usada para se determinar se um órgão é vestigial deve ser analisada cuidadosamente. Se não conhecemos a função de algo, ele se torna um candidato a órgão vestigial. A fraqueza desse argumento é que, quanto mais conhecemos, maior é a chance de que iremos aprender as funções para estes órgãos supostamente vestigiais.

O apêndice humano era rotineiramente removido em cirurgias pelos médicos, porque ele parecia não ter utilidade e freqüentemente causava problemas. Agora já se sabe que ele faz parte do sistema imunológico. Realmente acontecem casos de doença no apêndice e, quando ele se infecciona, precisa ser removido. Entretanto, uma pessoa estará melhor se ficar com seu apêndice.

Será que as vértebras caudais fusionadas (cóccix) do homem são inúteis? Atualmente, esta pequena estrutura tem uma função muito importante como ponto de ligação para os músculos que permitem que fiquemos de pé (e que também fornecem amortecimento quando nos sentamos). De modo algum elas podem ser consideradas vestigiais. A via embriológica que produz uma cauda em outros mamíferos produz em nós uma estrutura muito importante. Será que isso ocorreu pela evolução, ou foi projetado por um Criador?

Os músculos segmentares no abdômen são importantes para curvarem o nosso corpo e para manter o tônus da parede abdominal. Que estes músculos tenham vindo de um ancestral é pura conjectura, e não evidência pró ou contra a evolução ou a criação.

Por que existem músculos ligados à nossas orelhas? Alguns desejam chamá-los de vestígios genuínos, enquanto que outros dizem que eles dão forma a nossa cabeça ou sustentam nossas orelhas. São necessárias mais informações para que se possa decidir.

Os membros posteriores das baleias são ossos isolados que estão imersos no tecido. Eles são considerados pelos evolucionistas como vestígios de órgãos posteriores verdadeiros que existiam nos ancestrais terrestres da baleia. Porém , eles têm uma função definida: são o ponto de ligação de músculos do sistema reprodutor. Os criacionistas podem argumentar que Deus modificou as instruções genéticas de membros posteriores para produzir estas estruturas que servem para uma função única.

FÓSSEIS
Fósseis são restos ou vestígios de seres que viveram no passado. Um fóssil se forma quando os restos mortais de um organismo ficam a salvo tanto da ação dos agentes decompositores como das intempéries naturais (vento, sol direto, chuvas, etc.). As condições mais favoráveis à fossilização ocorrem quando o corpo de um animal ou de uma planta é sepultado no fundo de um lago e rapidamente coberto por sedimentos.

Dependendo da acidez e dos minerais presentes no sedimento, podem ocorrer diferentes processos de fossilização. A permineralização, por exemplo, é o preenchimento dos poros microscópicos do corpo de um ser por minerais. Já a substituição consiste na lenta troca das substâncias orgânicas do cadáver por minerais, transformando-o em pedra.

Os fósseis são considerados evidências da evolução porque mostram que o nosso mundo já foi habitado por seres diferentes dos atuais e que teriam sido ancestrais das formas de vida modernas.

Porém, existem alguns problemas muito graves com os fósseis no campo da teoria da evolução. Vamos analisar alguns deles.

É interessante que a mesma abundância de semelhanças e diferenças entre organismos seja encontrada, tanto entre os seres vivos como entre os fósseis. Os mesmos tipos de lacunas entre espécies existem no registro fóssil, bem como entre as plantas e animais atuais. Se o modelo evolucionista fosse válido, era de se esperar encontrar uma série contínua e horizontal de organismos e não categorias definidas.

Uma das mais importantes lacunas fósseis é a existente entre os microrganismos, como algas azuis e bactérias, que são encontrados em estratos do Pré-Cambriano, e a abundante e complexa vida marinha invertebrada do período Cambriano. No Cambriano encontramos uma grande variedade de invertebrados muito complexos, como trilobitas, ouriços-do-mar, esponjas, medusas, crustáceos, braquiópodes, moluscos e vermes. Se a evolução tivesse realmente acontecido, deveríamos encontrar no Pré-Cambriano os antepassados evolutivos de todos estes animais. Entretanto, nas rochas pré-cambrianas encontramos apenas fósseis de microrganismos. Se encontramos fósseis de bactérias, certamente deveríamos encontrar fósseis dos antepassados dos animais do Cambriano. Se os primeiros evoluíram chegando a ser os segundos, parece impossível que nenhuma forma transitória entre qualquer deles jamais tenha sido encontrada. Por mais de 150 anos se tem procurado intensamente, mas nenhum destes ancestrais foi encontrado.

Este fenômeno tem sido chamado por Gould de “explosão cambriana”. Recentemente, o tempo estimado em que ocorreu a explosão foi revisado para baixo, de cinqüenta milhões para dez milhões de anos ­– o que eqüivale a um piscar de olhos em termos geológicos. Essa estimativa mais curta obrigou escritores sensacionalistas a procurar novos superlativos, sendo um dos favoritos o “Big Bang biológico”. Gould argumenta que a rápida taxa de aparecimento de novas formas de vida exige outro mecanismo para explicá-las que não a seleção natural.

Ironicamente, voltamos ao ponto de partida desde os dias de Darwin. Quando ele propôs sua teoria, uma das grandes dificuldades era a idade estimada da terra. Os físicos do século XIX pensavam que a terra tinha apenas cem milhões de anos, ainda que Darwin pensasse que a seleção natural precisaria de muito mais tempo para gerar vida. Atualmente os evolucionistas afirmam que a terra é muito mais velha: em torno de 5 bilhões de anos. Com a descoberta do Big Bang biológico, contudo, o espaço de tempo necessário para que a vida passasse de simples a complexa encurtou para muito menos do que a estimativa da idade da terra no século XIX.

Outro grave problema do registro fóssil que os evolucionistas não conseguem explicar é que a maioria dos grupos de plantas e animais aparecem abruptamente no registro fóssil. Não há evidências de que houve formas transitórias entre esses grupos. Neeville George, um conhecido evolucionista, declarou: “Não há necessidade de pedir mais desculpas pela pobreza do registro fóssil. Em alguns casos ela se tornou quase incontrolavelmente rica, e as descobertas estão ultrapassando a integração... o registro fóssil, não obstante, continua a ser composto principalmente de lacunas.” O paleontólogo Niles Eldredge descreve assim o problema: “Não é de se espantar que os paleontólogos tenham ignorado a evolução por tanto tempo. Aparentemente, ela jamais ocorre. A coleta cuidadosa de material na face de penhascos mostra oscilações em ziguezague, pequenas, e uma acumulação muito rara de leves mudanças – no decorrer de milhões de anos, a uma taxa lenta demais para explicar toda a mudança prodigiosa que ocorreu na história evolutiva. Quando vemos o aparecimento de novidades evolutivas, isso ocorre em geral com um estrondo, e, não raro, sem nenhuma prova sólida de que os fósseis não evoluíram também em outros lugares! A evolução não pode estar ocorrendo sempre em outros lugares. Ainda assim, foi dessa maneira que o registro fóssil pareceu a muitos desesperados paleontólogos, que queriam aprender alguma coisa sobre a evolução.”

CONCLUSÃO
Podemos observar que as chamadas “evidências” da evolução não são tão convincentes quando analisadas sob outro prisma. As semelhanças entre seres vivos podem ser bem explicadas pelo modelo criacionista, admitindo-se que o Criador tenha utilizado planos básicos semelhantes. E os fósseis, ao contrário do que desejam os defensores da teoria da evolução, mostram que nunca existiram formas intermediárias entre os grupos distintos de seres vivos. Esta ausência de lacunas entre os diversos tipos de seres vivos também está presente no mundo atual.

BIBLIOGRAFIA
AMABIS, J. M. & MARTHO, G. R. Biologia 3. São Paulo, Editora Moderna, 1995. p.511
BEHE, M. A caixa preta de Darwin. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997. 300 p.
BRAND, L. Faith, reason and earth history. Berrien Springs, Andrews University Press, 1997.
ELREDGE, N. Reinventing Darwin. Nova York, Wiley, 1995, p. 95
FUTUYMA, D. J. Biologia evolutiva. 2a ed. Ribeirão Preto, Sociedade Brasileira de Genética, 1993. 631 p.
GEORGE, N. T. Fossils in evolutionary perspective. Science Progress, 48:1 – 3. 1960.
MORRIS, H. M. O enigma das origens: a resposta. Belo Horizonte, Editora Origens, 1995. 265 p.
STORER, T. I., USINGER, R. L., STEBBINS. R. C.& NYBAKKEN, J. W. Zoologia Geral. 6a ed. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1991. 816 p.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A CONSTRUÇÃO DE UM MODELO

Arthur V. Chadwick
Southwestern Adventist University

Tradução: Urias Echterhoff Takatohi
Revisão: Marcia Oliveira de Paula
Marcos Natal de Souza Costa
Introdução
As camadas de rocha sedimentar e, de forma menos extensa, todas as rochas da superfície da terra, contém um registro, embora incompleto e sujeito a ambigüidades, dos processos envolvidos em sua formação. Este fato se estende de forma menos clara a outros tipos de rocha na superfície da terra. Este registro pode ser interpretado e uma leitura cuidadosa e iluminada deve lançar luz sobre os processos envolvidos, e abrir, de certa forma, uma janela para a história passada da terra. Como a história registrada nos fósseis considerada anteriormente, esta história registrada da terra, como representada nas rochas (chamada de "registro geológico), pode ser dividida nos mesmos quatro intervalos principais mencionados anteriormente. Vamos rever estes termos, desta vez de olho no caráter geológico das rochas.
Pré-cambriano
Em muitos lugares na superfície da terra, as primeiras rochas depositadas contêm pouca ou nenhuma evidência de vida. Embora estas rochas sejam, em outros aspectos, similares às camadas acima delas, esta falta geral de fósseis e a posição basal das camadas atribui a elas o status de pré-cambrianas. Nesta discussão considera-se que tais rochas estavam presentes na terra antes do dilúvio.
Paleozóico
Frequentemente depositadas sobre os sedimentos pré-cambrianos, mas também às vezes depositadas diretamente sobre o embasamento 1, encontram-se camadas de rocha contendo fósseis em abundância de representantes marinhos de cada grupo principal de animais. Muitos arenitos e clásticos grosseiros no Paleozóico basal são seguidos de folhelhos e calcários mais acima. Conquanto a maioria das formas fósseis contidas nestas rochas esteja agora extinta, como já mencionado, elas eram tão complexas quanto qualquer forma viva equivalente. As rochas contendo estes fósseis são chamadas de paleozóicas (vida antiga) em referência à suposta antigüidade dos animais fósseis.
Mesozóico
As rochas mesozóicas geralmente superpõem-se às rochas paleozóicas, mas em alguns casos encontram-se sobre as rochas pré-cambrianas. Estas rochas também se iniciam com abundantes arenitos e clásticos mais grossos, que são sucedidos por folhelhos e calcários mais acima. As rochas contêm plantas e animais de muitas variedades diferentes, que podem ser melhor descritos como uma mistura de ambientes terrestres e marinhos. As plantas e animais são formas muito diferentes, embora dos mesmos filos presentes no registro paleozóico, sugerindo uma substituição quase completa das formas do Paleozóico.
Cenozóico
A seqüência de rochas superiores pode estar, em muitas áreas, sobre as rochas mesozóicas ou sobre rochas de qualquer dos outros intervalos. Estas rochas consistem de uma variedade de litotipos, mas apresentam em geral menos carbonatos e mais clásticos. As rochas contêm os restos fósseis de mamíferos terrestres e tipos modernos de plantas terrestres, além de uma ampla variedade de outras formas fósseis, tanto de grupos existentes como de extintos.
A Terra Pré-diluviana
Os geólogos têm feito sérias tentativas de reconstruir a face da terra em várias épocas na sua história passada. Muitos dos dados para gerar estas reconstruções vêm do estudo do paleomagnetismo 2. Os paleogeógrafos 3 têm tentado modelar a superfície da terra passada usando dados paleomagnéticos, junto com outros indicadores. O resultado deste trabalho tem sugerido que a superfície da terra, no início do Paleozóico, consistia de um único grande corpo de água salgada, que neste documento chamaremos de Oceano. Este corpo de água continha um continente granítico individualizado 4, de contorno mais ou menos uniforme, com dimensão aproximada da soma de todas as áreas de terra do planeta hoje, cobrindo metade ou mais de sua superfície. O Oceano envolvendo a terra servia para moderar o clima e a atmosfera, preservando o ambiente das flutuações do dia e da noite e também de qualquer mudança sazonal. Por esta e outras razões 5 o clima da terra era ameno de pólo a pólo.
A configuração do continente original sobre o globo em rotação é incerta. Poderia ter se localizado próximo ao Pólo Sul, como os paleogeógrafos sugerem, ou poderia estar mais próximo do equador. As duas possibilidades têm conseqüências interessantes. Se a massa de terra estava distribuída no equador, provavelmente teria uma distribuição mais ou menos circunglobal. Se estivesse centrada no Pólo Sul, a distribuição de luz apresentaria um problema interessante.

Este continente exibia três aspectos geográficos proeminentes. A linha de costa do continente com o oceano era limitada por planaltos marginais, cadeias de montanhas junto à costa servindo para separar o interior continental do oceano. No interior dos planaltos marginais, sobre o próprio continente, havia vastos mares de água doce. Emergindo dos mares para o interior continental, a terra juntava-se num amplo platô central.
O platô central consistia num planalto elevado extenso, uma área que agora compreende os escudos 6 de vários continentes. Este platô era o coração verdejante do planeta, contendo uma variedade aparentemente sem fim de plantas e animais. A flora desta região era dominada pelas angiospermas (plantas com flores), e era também a habitação da maioria dos mamíferos, incluindo o homem. A grande variedade de plantas e animais, representados mais tipicamente como as formas fósseis das rochas sedimentares do Cenozóico, habitavam originalmente neste platô central. Este platô era pontilhado com lagos e riachos, e servia de fundamento para uma rede complexa de drenagens 7. Nesse planalto central, grandes rios nasciam e fluíam para os quatro pontos cardeais e regavam a terra. Os rios eram contíguos com os mares de água doce e eram circulados por algum mecanismo, talvez envolvendo forças de coriolis ou a atração gravitacional de uma lua mais próxima.
Circulando a borda do continente, planaltos marginais separavam a terra do oceano. Estes planaltos marginais 8 eram geralmente mais áridos do que o platô central, que se beneficiava de forma diferente do sistema hidrológico. Os planaltos marginais mais áridos eram o lar de uma variedade de plantas mésicas (capazes de viver com menos água) e animais, dominados pelas formas reptilianas. Havia também muitos sedimentos destinados a formar os depósitos mesozóicos.
Entre os planaltos marginais e o platô central, sobre o próprio continente granítico, ficavam vários, talvez quatro ou mais, grandes mares de água doce 9. Esses corpos de água, amplamente reconhecidos pelos geólogos como um aspecto proeminente da paisagem paleozóica, são chamados de mares epicontinentais 10. Vivendo dentro desses mares haviam representantes de vários grupos 11 de vertebrados e invertebrados encontrados freqüentemente em rochas paleozóicas. Uma extensa vegetação variada, típica da flora paleozóica, cobria a costa imediata e se estendia sobre a superfície dos mares na forma de ilhas flutuantes 12. As plantas incluíam principalmente samambaias terrestres herbáceas de propagação rápida do Paleozóico, fetos arborescentes gigantes, licopódios e calamitas (formas extintas das cavalinhas modernas) muitas vezes maiores que seus equivalentes modernos. As plantas dominantes alcançavam alturas de mais de 35 metros, com diâmetros de tronco de um metro ou mais. O crescimento destas plantas, particularmente os licopódios arborescentes e calamitas, provavelmente se completava em uma única estação, com taxas de crescimento vertical de 10 a 20 centímetros por dia. As ilhas, construídas com troncos caídos e folhas destas formas gigantes, ficavam sobre acúmulos de dezenas a centenas de metros deste húmus e restos de plantas. Estas ilhas eram habitadas pelos tipos de quadrúpedes encontrados nas rochas sedimentares do Paleozóico, principalmente anfíbios 13. Esses vários mares epicontinentais são representados no registro de rochas pelos geossinclinais 14, onde os extensos depósitos dos sedimentos paleozóicos são encontrados hoje nos continentes.
O próprio oceano era um corpo salino, com fundo constituído de rochas basálticas. As águas eram povoadas por peixes, baleias e outras criaturas marinhas, representando formas de vida similares às encontradas no oceano atual, além de muitas formas atualmente extintas, mas geralmente dos tipos encontrados no Mezozóico e a partir deste.
O Dilúvio
No início do dilúvio, as águas da chuva se acumularam por muitos dias, foram absorvidas pelo solo, e fluíram para os mares. À medida que a enchente continuou, as regiões baixas adjacentes aos mares epicontinentais ficaram inundadas, e os próprios mares, com os animais neles contidos, foram inundados por sedimentos, talvez trazidos também pela água, e sedimentos resultantes da ruptura do sistema hidrológico 15.
Uma das ferramentas disponíveis para os geólogos considerarem uma catástrofe global é a informação derivada do estudo de paleocorrentes, os indicadores do fluxo direcional da água preservados nas rochas da crosta terrestre. Esta ferramenta, baseada em aspectos sedimentares tais como estratificação cruzada, marcas de ondas, orientação de fósseis e outros indicadores, fornece informação confiável sobre os padrões de fluxo das correntes de deposição e sobre áreas fonte potenciais para os sedimentos e fósseis. Os padrões de paleocorrentes observadas no Paleozóico e em outras divisões da coluna geológica serviriam de modelo para os tipos de processos envolvidos, assim como as direções de movimento das águas carregadas de sedimentos sobre a superfície da terra durante cada período sucessivo. Temos acumulado e estamos ainda acumulando ativamente dados para toda coluna geológica, em todo mundo, num esforço para reconstruir os processos em larga escala na terra. Os resultados já obtidos têm esboçado um quadro notável de processos suprabasinais em todo globo. Estes resultados serão mencionados mais adiante. Para o Paleozóico, vemos um padrão notavelmente consistente refletido não apenas nos cratons modernos, mas também aparentemente supracratonicamente. O padrão observado na América do Norte e também do Sul é de um fluxo predominantemente para o oeste, com áreas fonte ao leste dos limites cratônicos actuais.
À medida que os sedimentos se acumularam nos mares, mudanças na salinidade 16 (talvez devido à atividade vulcânica crescente, ou à exposição de depósitos de sal), aumento de turbidez (devido ao transporte de quantidades de sedimento para a água) e/ou alterações de temperatura (resfriamento devido à oclusão do sol por muitos dias ou aquecimento devido ao aumento de tectonismo), resultaram na destruição precisa e sucessiva de várias formas de vida na coluna de água, à medida em que seus limites de tolerância eram alcançados. Estas formas teriam então sido enterradas de forma ordenada e sucessiva em cada bacia geossinclinal onde habitavam anteriormente. Na superfície da água, as ilhas de vegetação flutuantes, fragmentadas pela tempestade, foram deslocadas pelas correntes de maré para ambientes rasos, onde as massas saturadas de água ficaram embebidas em sedimentos. As águas em contínua ascensão, movidas por correntes de maré, repetiam este ciclo, trazendo e soterrando camadas adicionais de vegetação acumuladas dos mares epicontinentais, produzindo as grandes quantidades de carvão do Carbonífero 17.
A temperatura global diminuiu sob a influência de uma cobertura de nuvens contínua. No platô central, começou o acúmulo de neve e gelo, formando grandes capas de gelo cercadas por floras e faunas de regiões montanhosas do platô central. À medida que as placas de gelo moviam-se pelo platô, o substrato foi sendo “raspado” até o alicerce rochoso. Aqui extensas regiões do interior continental foram desnudadas de todo sedimento. Como conseqüência, o platô central, uma região que depois se converteria nos escudos da África, América do Sul, América do Norte e outros continentes, ficou exposto. Os sedimentos derivados de geleiras fizeram contribuições significativas para as bordas continentais inundadas abaixo.
O fim do Paleozóico e início do Mesozóico foi assinalado pela ruptura das margens costeiras pelas águas do oceano 18 em ascensão. Durante o Paleozóico, estas águas foram restringidas pelos planaltos marginais. Mas agora, sob a influência de chuva contínua e subsidência do continente, as águas transbordaram para o interior, carregando muitos sedimentos e a biota dos planaltos costeiros. Estas águas se espalharam pelas bacias, agora cheias, dos mares epicontinentais, cobrindo o continente com sedimento adicional, e destruindo os últimos vestígios das formas de vida paleozóicas intolerantes ao sal, numa extinção em massa. Estes grupos foram rapidamente substituídos por organismos da fauna oceânica 19 e organismos das zonas de vida mésica dos planaltos marginais, incluindo dinossauros e outras formas de répteis. Recifes de coral com faunas inteiramente novas e outras formas de vida sésseis do Mesozóico foram trazidas dos ambientes da costa do oceano para as margens continentais, enquanto os continentes em expansão avançaram sobre o fundo do mar ou foram soterrados junto com as margens continentais por sedimentos lavados dos planaltos costeiros ou foram transportados para as bacias por processos catastróficos. Por dias ou semanas as regiões rasas continuaram a manter vivos alguns grupos terrestres, e os animais terrestres sobreviventes migraram para terrenos mais altos. Sob a incansável investida das águas em contínua ascensão, mesmo estas formas ficaram logo em perigo. A erosão contínua dos planaltos marginais forneceu sedimentos tanto para o interior continental como para depósitos marinhos da costa, que logo seriam incorporados às margens continentais em avanço.
Todo continente está agora ameaçado de inundação. Correntes marinhas poderosas correm sobre as terras submersas, distribuindo sedimentos e organismos pelos continentes, tomando e afogando grupos inteiros de criaturas terrestres sobreviventes. Essas correntes mesozóicas são distintas das correntes paleozóicas. As últimas estão claramente relacionadas aos mares epicontinentais, geralmente dirigidas para fora dos continentes. As correntes mesozóicas são menos relacionadas a bacias, sendo dominadas por fluxo para o interior continental, a partir das bordas. As águas marinhas em avanço transformaram a superfície da terra em uma vasta expansão de água não interrompida ao cobrirem gradualmente até os pontos mais altos da terra. Os restos de vegetação em decomposição e carcaças animais entulhavam a superfície do oceano.
No fim do Mesozóico se inicia a grande quebra continental. As paleocorrentes continentais indicam uma tendência para as bacias abertas recentemente do proto-atlântico, no interior do que era a Pangea. Os continentes começam a se soerguer isostaticamente e o vulcanismo associado gera grandes quantidades de cinzas e lava. O calor perdido devido à cobertura de nuvens é substituído por calor liberado pela extrusão magma durante o trincamento dos continentes. Grandes blocos de gelo se fundem depositando os restos de plantas e animais do platô central próximo da superfície da terra. Os continentes emergiram das águas do dilúvio, dissecando bacias com a água contida e restos de plantas e animais. As próprias bacias começam a acumular sedimentos. Os restos de plantas e animais afundam e são soterrados nos sedimentos, enquanto os processos catastróficos diminuem de intensidade. Mas agora os padrões dominantes de paleocorrentes são basinais, com contribuições substanciais das principais drenagens continentais em desenvolvimento, tais como as da bacia do Mississippi. O recuo das águas no final do Cenozóico escavou cânions ao drenarem os continentes que se levantavam, levando enormes volumes de detritos para as bacias oceânicas modernas. Enquanto isso, as formas continentais familiares emergiam, acompanhadas pela formação de montanhas com deslocamentos e dobramentos continentais em larga escala. Processos anastróficos (catástrofes locais) resultaram na "lavagem" de grandes áreas dos continentes e soterramento de restos encalhados do dilúvio. Carcaças flutuantes de aves e mamíferos se decompunham, provocando a queda de detritos nos sedimentos acumulados. As plantas começaram a brotar outra vez enquanto alguns dos peixes sobreviventes se multiplicaram nos lagos e populações de insetos germinavam.
A Recuperação
Durante algum tempo após o fim da catástrofe a terra continuou a se recuperar dos seus efeitos. As chuvas continuaram em quantidades exageradas, o clima oscilava entre o frio glacial e o calor que, por sua vez, provocava a retração de geleiras. A própria terra continuou se ressentindo destas influências.Os animais, encontrando um ambiente aberto, rapidamente se irradiaram pela terra. As taxas de reprodução eram altas. A disponibilidade de nichos abertos em todos lugares incentivava a especiação, que ocorreu com taxas sem precedentes. Gradualmente as flutuações climáticas se tornaram menos evidentes e a terra se acomodou para um período menos catastrófico.
Explicações e Testes do Modelo
Este modelo é baseado diretamente em várias observações relativas à história pretérita da terra. Elaborei-o baseado em algumas das observações abaixo, no contexto de sua significância para o modelo.
Bacias Oceânicas Modernas: As bacias oceânicas modernas aparentemente não contêm, em nenhum lugar, sedimentos mais antigos que o Mesozóico. Isto é, os sedimentos recuperados do fundo oceânico hoje não contêm fósseis dos tipos encontrados em rochas paleozóicas. Isto levou os teóricos da Tectônica de Placas 20 e os paleogeógrafos a suporem que todo o fundo oceânico foi subductado 21, removendo convenientemente o que seria um grande problema para o modelo evolucionista 22. Por outro lado, o modelo apresentado aqui oferece uma explicação para a ausência de fósseis paleozóicos nas bacias oceânicas, sem ter que recorrer a uma remoção completa do fundo oceânico. Isto é importante à luz das conseqüências térmicas do movimento das placas. Quando o fundo oceânico é subductado de um lado do continente, ele deve ser regenerado do outro lado. Esta regeneração pode envolver o cavalgamento do continente sobre o fundo oceânico ou a extrusão de grandes quantidades de magma fundido do assoalho oceânico. Em qualquer dos casos, considera-se que o processo envolva a produção de calor ou de magma. Este magma iria alterar consideravelmente o equilíbrio térmico do oceano 23.
Este modelo também explica o que tem sido uma grande dificuldade para os geólogos convencionais. Quase todo sedimento das bacias oceânicas modernas é do Cenozóico Superior (cerca de 95% é do Mioceno-Plioceno). Desconsiderando estes sedimentos, existe no fundo dos oceanos apenas um pequeno registro de sedimentos derivados do continente. Embora eu nunca tenha ouvido alguma explicação convincente para este dado dentro do paradigma evolucionista, ele se ajusta perfeitamente a um modelo no qual os continentes atuais emergiram das águas do dilúvio no Cenozóico Superior, com escoamento continental maciço estendendo do Cenozóico tardio até o presente.
Padrões de Geossinclinais: Uma série de bacias deposicionais cortam muitos dos principais continentes e servem como depositários da maioria dos sedimentos paleozóicos. Essas "bacias marginais" ou geossinclinais representam os remanescentes dos mares epicontinentais antediluvianos. Os padrões que formam na superfície fornecem informações importantes sobre o arranjo preciso dos continentes pré-diluvianos e os sistemas hidrológicos. A informação é prontamente disponível, indicando onde esses geossinclinais situavam nos vários continentes. Isto é de grande ajuda em nossas tentativas de reconstruir a geografia pré-diluviana, localizando os mares e ajudando-nos a descobrir onde estariam as áreas fonte das plantas, da vida animal e os sedimentos do Mesozóico e Cenozóico.
Planaltos Marginais: Estamos acumulando mais informação sobre o tipo de rochas presentes nos cinturões marginais (freqüentemente chamados de "cinturões móveis”) que limitavam os continentes e delimitavam os mares epicontinentais do oceano. Estas montanhas devem apresentar os tipos de rocha encontrados nos fundos oceânicos e devem ser não fossilíferas ou, se contiverem fósseis, estes devem ser mesozóicos. Aparentemente este é o caso no momento.
Paleocorrentes: Os padrões de paleocorrentes estão provendo informações chave sobre os movimentos de água e de sedimentos no continente norte americano através do tempo. Estamos acumulando dados semelhantes de outros continentes, de forma que possa ser efetuado também nestes locais um trabalho de reconstrução. Isto é crucial para se reconstituir a forma do supercontinente original. Baseado nos dados atuais, parece provável que todo o fluxo durante o Paleozóico foi a partir dos planaltos centrais, como o modelo prediz, e que a direção do fluxo durante o Mesozóico foi no sentido contrário, novamente como o modelo prediz. No Cenozóico, a regra parece ser de correntes basinais, outra vez como o modelo prediz.
Distribuição de Fósseis
Se o modelo provê uma representação acurada dos eventos do dilúvio, então deveríamos ser capazes de predizer as fontes das várias faunas e floras através da comparação da distribuição de fósseis com os padrões de paleocorrentes. Por exemplo, a distribuição de fósseis de dinossauros deveria ser prevista se comparamos os padrões de distribuição de paleocorrentes com os planaltos marginais continentais, nos quais se propõe que os dinossauros tenham vivido.
Reconstrução da Protopangéia
Estamos procurando entender melhor os dados paleomagnéticos a fim de determinar que "latitude" temos para o posicionamento dos continentes não usualmente considerados como parte integrante do supercontinente proto-pangeano do Paleozóico Inferior. A América do Norte (Laurentia), Europa e Ásia (Laurasia) e Rússia (Sibéria) são descritos como estando vagando pelo planeta durante a maior parte do Paleozóico, enquanto o supercontinente Gondwana permaneceu mais ou menos intacto. Atualmente parece que os dados para reconstruções paleogeográficas são bem acomodáveis. A idéia de manter um único supercontinente paleozóico não parece muito forçada, pois a longitude não pode ser derivada dos dados paleomagnéticos. Assim, as massas continentais podem ser mais ou menos posicionadas em qualquer longitude. A latitude também é, com freqüência, determinada por outros dados inferenciais que não o paleomagnetismo, e até preferidos em relação aos dados paleomagnéticos.
Recifes de Coral
O modelo explica a presença de corais paleozóicos nos continentes. Também prediz a ausência geral de corais mesozóicos e mais jovens nos continentes. Parece ser mantida a predição do modelo de que os corais pós-paleozóicos (corais porque, ao contrário de outras formas marinhas, eles não podem nadar, caminhar ou voar e crescem lentamente) deveriam ser encontrados nas proximidades das margens do oceano, ou deveriam ser derivados destas margens por algum processo sedimentológico ou tectônico. Os principais escleractíneos e outros biohermas mesozóicos e mais recentes (recifes compostos de restos de organismos vivos) são encontrados ao longo de margens continentais ou em zonas de colisão (anteriormente margens continentais), com poucas exceções.
Como um corolário, o modelo prediz que as zonas de sutura das colisões continentais deveriam conter sedimentos do fundo oceânico mesozóicos e recifes de coral mesozóicos, (i.e. corais escleractíneos, etc.). Uma análise dos tipos de fósseis encontrados nos Pireneus, nos Alpes, nos Himalaias, nos Cárpatos, nos Urais e outras zonas de colisão hipotéticas, deveria conter sedimentos do fundo oceânico. Isto foi verificado para os Alpes, e para outras zonas que foram avaliadas.
Terrenos Acrescionados
Considera-se que áreas significativas de vários continentes foram incorporadas às margens continentais quando a placa continental cavalgou a placa oceânica. Algumas vezes estes terrenos acrescionados ou "exóticos" são de origem oceânica e devem conter fósseis do Mesozóico ou mais jovens. Algumas vezes eles representam fragmentos de outros continentes acrescidos por colisão. Neste caso, os restos de uma bacia marginal podem ser incluídos, contendo principalmente fósseis paleozóicos. Estamos testando a hipótese de que, em geral, terrenos acrescionados de origem continental conterão fósseis dos tipos paleozóicos, enquanto terrenos acrescionados com fósseis mesozóicos ou mais recentes serão de origem oceânica. Terrenos acrescionados de origem oceânica que contenham recifes de coral mesozóicos serão consistentes com o modelo. Já foram descritos mais de 200 destes terrenos identificados na América do Norte, 20 ou mais na América do Sul e outro tanto da Nova Zelândia e, em sua maioria, eles são consistentes com o modelo. As poucas exceções ainda não foram analisadas em detalhe para ver se podem ser acomodados no modelo.

Microfósseis Marinhos

Os radiolários são encontrados tanto nos mares paleozóicos como nos depósitos meso-cenozóicos. Hoje os radiolários são conhecidos apenas em ambientes marinhos. Supõe-se, portanto que, no passado, os radiolários eram apenas marinhos. Há numerosos depósitos de rochas paleozóicas contendo chertes (sílica precipitada quimicamente) com radiolários. Entretanto, as formas paleozóicas foram quase que inteiramente eliminadas no fim do Paleozóico, como seria esperado, se formas de água doce fossem expostas a condições salinas. Deve-se procurar alguns dados substanciais para a existência de radiolários de água doce. Alguns outros microfósseis planctônicos e bentônicos podem ser encontrados tanto em água doce como em ambientes salinos, mas as formas exatas devem ser diferentes.
Sedimentação Mesozóica
A distribuição de sedimentos mesozóicos deve se estender bem além das margens dos mares epicontinentais paleozóicos. Os padrões mesozóicos devem refletir as diferentes fontes de sedimento, assim como o fluxo para o interior do platô central. Isto parece ser verdadeiro nos continentes onde dados suficientes estão disponíveis, e mais dados estão sendo obtidos. O modelo prediz que dados adicionais de outros continentes irão refletir esta tendência.
Pesquisa Tafonômica
O modelo também sugere uma área frutífera para experimentação em tafonomia 24. Ambientes contendo uma biota complexa poderiam ser submetidos a mudanças na salinidade, temperatura e/ou turbidez de modo a determinar se poderia ser possível modelar uma mortalidade ordenada que pudesse explicar a seqüência no registro fóssil.
Conclusões
Há muito tempo os criacionistas têm sido criticados de que não possuem um modelo para explicar o paradigma da história da terra que eles defendem. Esta crítica tem sido difícil de suportar, pois implica que o conceito seria ao mesmo tempo inferior e menos científico, já que nenhum experimento pode ser projetado para testar um modelo que não existe. Embora a mesma crítica possa ser aplicada ao "modelo" evolucionista, a percepção de que havia algum tipo de modelo se mostrava uma vantagem significativa para os evolucionistas. Uma vantagem tática adicional foi obtida pelos evolucionistas pelo fato de que seu modelo era, em grande parte, uma descrição das coisas como elas são e, portanto, consistente à revelia com as observações da natureza. Os criacionistas que geralmente se sentiam compelidos a basear seu modelo na Bíblia, e tentavam ajustar os dados geológicos ao seu modelo, estavam assim expostos a uma severa desvantagem lógica e de procedimento.
A elaboração de um modelo, mesmo que seja inadequado para explicar cada detalhe 25, parecia ser uma necessidade crítica para os criacionistas. Neste modelo, tentei ser tão descritivo quanto possível, tecendo as observações geológicas baseadas na estrutura da Bíblia. Como resultado, o modelo é também, em grande parte, uma descrição das coisas da forma que são, e, portanto, naturalmente mais consistente com os dados observados da ciência. Este modelo proposto tenta explicar tantos aspectos do registro fóssil quanto possível, dentro dos limites providos pelo relato da Criação e o do Dilúvio relatados no Gênesis. À medida que mais informação se tornar disponível, o modelo será modificado de forma correspondente. Caso se demonstre que este modelo não ajude na compreensão da história passada da terra, ele poderá ser substituído por um melhor. Enquanto isso, ele oferece as oportunidades para rigorosa avaliação científica e testes que devem ser aplicados a qualquer modelo antes que seja adotado ou rejeitado.
1. Embasamento se refere às rochas graníticas ou metamórficas "originais", compreendendo a placa continental atual, em contraste com, por exemplo, outras rochas sedimentares, etc., que por sua vez estão sobre o embasamento.
2. O paleomagnetismo é uma evidência do pólo magnético da terra no passado, estando preservado em rochas ígneas (que estiveram fundidas, tais como lavas, etc.), ou em rochas sedimentares. Pressupõe-se que o registro do campo magnético terrestre esteja preservado na forma de dipolos magnéticos (em geral minerais de ferro como a magnetita, orientados na direção do campo magnético da terra) em rochas sedimentares e ígneas, e que estes dipolos indicam as linhas de campo magnético da superfície da terra, na época em que a rocha ígnea foi solidificada ou que o sedimento se depositou. Usando magnetômetros sensíveis, estes pólos magnéticos antigos podem ser reconstituídos através de medidas de rochas cuidadosamente orientadas, obtendo-se e a direção e distância até o referido pólo. Supondo-se que o trabalho tenha sido feito com precisão, e que a interpretação esteja correta, pode-se mapear, em função do tempo, a direção que estas medidas sugerem para o norte e a distância ao Pólo Norte. A partir destes dados pode-se reconstruir a localização e orientação de qualquer continente, baseando-se nos pólos magnéticos das rochas depositadas naquele continente durante o intervalo em questão. Geralmente se supõe que o pólo magnético da terra não se desviou muito de sua posição atual, embora este pressuposto não possa ser verificado facilmente.
3. A paleogeografia é a ciência que tenta reconstruir a geografia da superfície da terra e a localização de seus continentes etc., através de sua história passada, usando principalmente as evidências contidas nas rochas.
4. Por exemplo, veja as últimas reconstruções paleogeográficas disponíveis na internet. Tal interpretação é também consistente com Gênesis 1:9 e, tanto quanto eu sei, não é negada por nenhum dado físico. Como todos continentes modernos, o Grande Continente está sobre uma base granítica. O granito (SIAL - rochas ricas em silício e alumínio) é pouco denso e flutua sobre o manto, agindo como uma fundação para os continentes. O basalto (SIMA - rochas ricas em silício e magnésio) é denso e afunda no manto, estando, portanto, sob as bacias oceânicas de todos os oceanos atuais.
5. Entre "outras razões" estava uma concentração significativamente maior de dióxido de carbono na atmosfera, talvez de 10 a 100 vezes o nível atual, que é de 0,03%. Embora a existência de água acima do firmamento, em qualquer forma, a chamada "abóbada", seja diretamente relevante aqui, uma consideração da mesma será deixada de lado no momento a fim de evitar o preconceito que este conceito gera.
6. Regiões de rochas do embasamento pré-cambriano (rochas graníticas e metamórficas) despidas de sedimentos. Tais escudos estão presentes na África Central, norte da América do Norte, oeste da América do Sul, Austrália e outros lugares.
7. É especulativa a natureza do ciclo hidrológico antes da ocorrência de chuvas. A circulação da água pode ter envolvido um processo diário, tal como a influência gravitacional da lua. Se a lua estava mais próxima da terra no Paleozóico, como alguns geólogos postulam, e também é sugerido pela inspiração, as marés lunares poderiam ser suficientemente fortes para forçar uma elevação periódica do lençol freático, expelindo ar saturado de umidade do solo, o qual teria se condensado para formar um orvalho e trazer a água ao alcance das raízes das plantas. O mesmo princípio está envolvido na hidropônica de substrato, onde o umedecimento periódico do substrato (em geral um agregado de rocha), pelo elevar e abaixar do lençol de água, parece prover as condições ideais para o crescimento das plantas.
8. Tal cinturão móvel de montanhas marginais é um aspecto proeminente das margens continentais das placas móveis em movimento, resultando de forças compressivas associadas com o movimento sobre placas oceânicas. Estes aspectos estão presentes, por exemplo, sobre o que teriam sido as margens expostas (compressionais) do supercontinente de Gondwana, mas não são encontrados em nenhuma das margens extensionais de continentes resultantes da fragmentação do supercontinente, tais como as bordas do Atlântico, da África e da América do sul.
9. A escolha de água doce em lugar de água salgada contraria a sabedoria convencional, mas há razões que compelem a esta hipótese ... por exemplo, este pressuposto pode explicar por que quase todas formas marinhas paleozóicas estão extintas, já que, neste modelo, a conversão repentina dos mares epicontinentais em água salgada no início do Mesozóico (ver abaixo), eliminaria a maioria das formas paleozóicas. Há boas razões para se pensar que os quadrúpedes dominantes (anfíbios) e as plantas do Paleozóico não poderiam sobreviver na água salgada, já que as formas ainda existentes dos dois grupos não toleraram a salinidade. O conceito de mares epicontinentais de água doce é útil, mas não necessário neste ponto. É interessante que o relato da criação babilônico (Pritchard, Ancient Near Eastern Texts) que, como o relato babilônico do dilúvio, parece preservar certas semelhanças com o grande evento original, representa a criação como uma batalha entre dois mares primitivos, um com água salgada e outro com água doce. Em relação a certos grupos de peixes paleozóicos, Romer afirmou "Em geral, os membros primitivos do grupo eram tipos de água doce" (Alfred S. Romer, Vertebrate Paleontology, (Chicago U, 1945), p. 121.

10. Estes mares epicontinentais têm sido postulados pelos geólogos há muito tempo para explicar a presença de animais marinhos no registro fóssil continental. É significativo e consistente com o modelo que estes grandes mares epicontinentais sejam um aspecto dominante do Paleozóico.
11. As formas de vida animal do Paleozóico são predominantemente marinhas. O termo marinho aqui significa que habitam na água.
12. Estas ilhas flutuantes têm um análogo interessante no ambiente moderno, onde as únicas parentas sobreviventes das plantas paleozóicas produzem pântanos que flutuam sobre a superfície de corpos de água. Além disto, vários aspectos das plantas paleozóicas, tais como raízes arenquimatosas nas Psaronius, ou radículas obtusas, com tamanho de lápis espiralando de um grande eixo cilíndrico com um botão terminal, como nas Lepidodendron e outros gêneros, tornam claro que estas formas gigantes dominantes só poderiam ter crescido num ambiente assim ou, pelo menos, não poderiam ter crescido sobre solo. Um verme marinho incrustante, comumente achado preservado com estas plantas fósseis, vem de uma família encontrada hoje somente em água doce.
13. Várias formas de répteis e anfíbios paleozóicos viviam sobre estas ilhas flutuantes. Fósseis destes animais são encontrados às vezes associados com restos desta vegetação, tal como nos troncos ocos de licopódios. Os anfíbios modernos não podem tolerar água salgada (com a possível exceção de uma espécie moderna de rã que vive em regiões rasas de maré), e não parece haver base para pressupor que seus ancestrais paleozóicos fossem diferentes.
14. A ausência dos esperados sedimentos paleozóicos nas bacias oceânicas tem sido um desapontamento universal para os geólogos. Conquanto a Tectônica de Placas provê um mecanismo para varrer o problema para debaixo do tapete, esta solução não tem se provado muito satisfatória. Por que não há evidências em nenhum lugar de sedimentos paleozóicos nas bacias oceânicas modernas? Veja abaixo sobre terrenos exóticos.
15. Estes últimos podem ter incluído sedimentos associados com o sistema de filtração dos aqüíferos pré-diluvianos.
16. O sal (NaCl) é liberado em grandes quantidades durante erupções vulcânicas. Alguns autores têm sugerido que os depósitos de sal do Paleozóico têm esta origem. Aparentemente, depósitos de sal geotermais modernos do fundo do Mediterrâneo associados com zonas de rachaduras também têm esta origem.
17. O nome usado na Europa e Grã Bretanha, etc., e em outros lugares num sentido geral, para representar a maior parte do Paleozóico Superior. Estes depósitos são tipicamente caracterizados pela presença de quantidades significativas de carvão.
18. Segundo Niles Eldridge e outros, a grande extinção permiana resultou primariamente de um aumento na salinidade, acoplado a alterações de temperatura. Conquanto esta análise seja baseada em critérios diferentes, é significativo que os dois modelos concordem neste ponto.
19. Romer continua, em relação aos grupos de peixes mencionados antes "... no Triássico, quando os celacantos eram comuns e variados, os encontramos em depósitos marinhos [aqui, água salgada, em oposição às formas de água doce do Paleozóico]. O grupo sobreviveu neste novo ambiente...”.Ibid.
20. Tectônica de Placas, a teoria de que os continentes estão sobre placas litosféricas que têm se movido sobre a superfície da terra através do tempo geológico.
21. i.e. o fundo oceânico basáltico (mais denso) foi sobreposto pelas placas continentais graníticas (menos densas) em movimento e o fundo oceânico foi empurrado sob os continentes, para o manto, para ser assimilado pelo manto ou reciclado.
22. Este termo denota o conceito de um registro geológico representando longas eras de acúmulo gradual de camadas de rochas, assim como o conceito de um registro fóssil de mudanças progressivas através do tempo, desde moléculas até o homem.
23. Tem-se sugerido que, se estivermos lidando com uma escala de tempo diluviana, o excesso de calor rapidamente ferveria os oceanos até que secassem. Este argumento tem sido usado contra os criacionistas como um problema auxiliar a datação radiométrica...ambos indicam que 6000 anos é um tempo embaraçosamente curto. Entretanto, se as bacias oceânicas não fossem completamente regeneradas no Paleozóico, mas se, em vez disso, tivéssemos um único episódio de movimento de placa num estágio final do dilúvio e, numa extensão menor, por algum tempo após o dilúvio, como este modelo sugere, então a dissipação de calor pode se tornar um problema manejável. Por exemplo, vários cálculos diferentes da quantidade de fluxo térmico recebido pela terra da radiação solar chegam a um valor de 1024 calorias por ano. Considerando-se um calor específico de 1 (relativo à água em 4) e uma densidade média de 3,2 g/cm3 para o basalto, uma perda desta energia devido a um aumento notável no albedo (que mesmo atualmente pode refletir mais de 95% da radiação incidente), poderia permitir que a terra mantivesse sua temperatura atual, mesmo absorvendo o calor de 1 milhão de quilômetros cúbicos de basaltos resfriado a 100 graus, em um ano, somente desta fonte. Acrescentando a isto a grande vantagem obtida com o resfriamento pelo ciclo hidrológico do magma subaquoso e a radiação de corpo negro, e haveria uma saída razoável para o calor do fundo oceânico pós-Cretáceo dentro de um período de tempo curto.
24. Tafonomia é o estudo das condições de morte e soterramento de animais (e plantas).
25. A mais evidente omissão é nenhuma consideração significativa dos dados das técnicas radiométricas. Esta omissão é deliberada. Creio que é essencial que todos leitores estejam cientes de que a estrutura de tempo proposta neste trabalho é inconsistente com a interpretação convencional das idades radiométricas. Alguns poderão considerar que esta omissão seja suficiente para rejeitar o modelo sem uma devida consideração. Conquanto simpatize com tal atitude, penso que é uma atitude míope. A datação radiométrica, qualquer que possa ser seu significado final, é apenas um tipo de evidência. Pessoalmente, prefiro ter reservas ao julgamento de seu significado, devido à clara inconsistência entre o significado aceito atualmente para tais idades e o testemunho não ambíguo da Palavra de Deus. Minha esperança é que outros estudem rigorosamente esta questão e busquem uma resolução dentro do paradigma.
Criacionismo

A ciência das origens não pretende responder apenas à questão de “como o Universo surgiu por acaso?”, mas sim “como o Universo surgiu?”. Assim sendo o “por acaso” é apenas uma das respostas teóricas e cientificamente possíveis.

Dentro da mentalidade naturalista que permeia o pensamento científico atual, um outro grave erro é cometido contra a Teoria do Criacionismo e a Teoria do Design Inteligente: o de achar que essas teorias estejam baseadas em pressupostos religiosos.

Michael Denton, biólogo molecular, esclarece esta questão da seguinte forma:

“Pelo contrário, a inferência do planejamento [teoria da criação e teoria do design inteligente] é uma indução puramente a posteriori [após examinar-se as evidências] baseada numa aplicação inexoravelmente consistente da lógica e da analogia. A conclusão pode ter implicações religiosas, mas não depende de pressuposições religiosas.” (Evolution, A Theory in Crisis (Bethesda, MD: Adler and Adler, 1986) p. 341).

Henry Margenau e Roy Abraham Varghese, editores do livro Cosmos, Bios, Theos, que foi produzido juntamente com outros 60 cientistas, 24 dos quais receberam um prêmio Nobel, confirmam a estrutura consistente da lógica e da analogia da ciência criacionista afirmando que “… só há uma resposta convincente para explicar a enorme complexidade e as leis do Unvierso – a criação por um Deus onisciente e onipotente.” (“The Laws of Nature Are Created by God” em Cosmos, Bios, Theos (LaSalle, IL: Open Court, 1992), p. 61).

Portanto, a questão de alguém não aceitar que uma forma de vida inteligente e superior tenha criado todo o Universo e a vida que nele se encontra, não está baseada na falta de evidências científicas ou até mesmo da lógica científica como explicam Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe: “De fato, tal teoria é tão obvia que ficamos imaginando porque não é largamente aceita como auto-evidente. As razões são mais psicológicas do que científicas.” (Evolution from Space (Londres: J.M. Denton & Sons, 1981), p. 130);

Colocando em uma linguagem mais simples, tanto o “naturalismo científico” quanto o criacionismo científico” buscam nas mesmas fontes as evidências para as suas propostas. A interpretação dessas evidências pode ser diferente. Mas isto não é uma questão de ciência e religião. Isso é uma questão de interpretação.

Uma avaliação cuidadosa do crescente número de evidências, será de grande auxílio para o estabelecimento da primazia entre estas teorias.

Portanto, queremos nas páginas deste portal trazer evidências para demonstrar não como tudo começou por acaso, mas sim como o tudo começou.

LIFE, AN EVIDENCE FOR CREATION*

G. T. Javor, Ph.D.
Our biosphere abounds with life. Representatives of more than two million species can be found in the atmosphere, in the deepest part of the oceans and on the surface of the earth where no fewer than ten thousand organisms exist per cubic inch. The abundance of life in our environment leads scientists to propose that whenever and wherever conditions for life are favorable, it will spring into existence.
This prediction was tested only once, when automated laboratories were sent to Mars in the 1970s to check for the presence of life. The results were negative, even though Martian conditions could support certain life forms (1). Since no other planet in the solar system is capable of supporting life as we know it, life here on earth is more unique than many individuals had previously supposed.
How unique is life? If it can be shown that the capacity to form life is inherent in matter, as naturalistic evolutionists assert, we have the option of believing that life began here either by the spontaneous generation of primitive life forms under primordial conditions or by the creative act of a supernatural agent. (A third possibility, panspermia, is in reality a variation on either of the previous two choices and will not be considered here).
Our knowledge of life from the evidence at hand argues against the notion of nonliving matter organizing itself spontaneously into life forms under any conditions at any time.
"Life," as l use the term, refers to the "state of living" (2) and cannot be dissociated from matter. For purposes of discussing origins, "life" in the abstract sense, devoid of matter, does not exist. "Living state" is a designation which sums up the functions of unique composites of matter. Life is a property of the entire complex. If the living complex is taken apart, the system ceases to live. It follows that components of the system are not living; that living matter is made up from nonliving components.
The most fundamental living systems are called cells. "Life" or "living" is also used to describe the functions of specialized cell complexes called organs. On an even higher level of organization are organ complexes called organisms.
Even though components of living cells are not alive, they are unique and different from nonliving matter found at large. The four most abundant (by weight) elements in living matter are hydrogen (~ 60%), oxygen (~ 25%), carbon (~ 10%) and nitrogen (~ 1%); whereas in nonliving matter they are oxygen (~ 50%), silicone (~ 30%), aluminum (~ 8%) and iron ~ 5%).
In nonliving matter elements combine to form sturdy, Iow molecular weight compounds of high oxygen content. The extreme reactivity and great natural abundance of oxygen creates a situation in our world where these combinations of elements represent, energetically speaking, "the bottom of the hill."
In contrast, biomolecules to a large extent are highly reduced, carbon-based, fragile polymers. Considerable expenditure of energy is required for their production, and energetically they are on "top of the hill," i.e., relatively unstable.
Matter in cells is organized into successively more complex structures in the following order: precursor metabolites -> building block substances -> polymers -> organelles -> cell. According to our best estimates, a single bacterium such as Escherichia coil needs 1 2 types of precursor metabolites, about 100 types of building block substances and 1500-2000 different kinds of polymers; the total number of molecules being around 25 million per bacterium (3).
The order in which building blocks are arranged in the biopolymers DNA, RNA and proteins is highly meaningful. It constitutes the basis of biological information necessary for living matter to function. This information, however, is not inherent in the building blocks. The rules of chemistry define how building blocks such as the four types of deoxyribonucleotides may be linked to form DNA, much the same way as the rules of grammar define the order in which letters of the alphabet may be arranged to spell words or how words may be put in proper order to make meaningful sentences. The rules of grammar, however, are not adequate for choosing the letters to be arranged as words or words, which are to appear in sentences. This sort of information has to be superimposed upon the laws of grammar by the writer of words and sentences. Similarly, biological information residing in the biopolymers DNA, RNA and protein needs to be supplied by an intelligence, using the rules of chemistry.
Evolutionists insist that the biological information found in biopolymers is not a product of design, but is the result of random variation coupled with selection in favor of molecules which can contribute to the living state of matter.
If primordial mechanisms existed which generated biopolymers more or less at random [such mechanisms have been proposed, but their feasibility is open to grave doubt (4)], would randomly produced biopolymers which contain biologically useful information be favored over similar molecules with no information content? The answer is no, because the utility (and hence the meaning) of biological information carried by a given polymer depends on the presence of other biopolymers possessing complementary information, and the true biological sense of each component is realized only when the system is together and functioning in the living state.
Those who argue for the feasibility of a spontaneous generation of life place great stress on the well-known ability of certain biopolymers to self-organize. This phenomenon is seen as a possible means by which living matter came into existence. However, in order to form meaningful aggregates such as a ribosome or a viral coat, one has to begin with subunits, which are preprogrammed for aggregation. Randomly generated, single DNA strands or protein molecules with no information content may or may not aggregate, and aggregation of itself will not necessarily carry biological meaning.
Isolated components of living matter can perform tasks such as replication of DNA or its transcription to RNA molecules, and even production of functional protein molecules, provided that at hand are the necessary ingredients and an energy-generating system. But these "in vitro" reactions by no means approximate the living state.
Although a precise definition of the living state for cells does not exist, at the minimum we need a system which absorbs simple building-block type molecules such as amino acids, monosaccharides, purines, pyrimidines and fatty acids; builds them into polymers and supramolecular complexes in a controlled, harmonious manner; and is able to utilize the chemical energy found in highly reduced molecules for growth, active transport of nutrients, etc. A most important consideration is that the sum of the constituents of living matter should not be at chemical equilibrium. Once chemical reactions reach equilibrium they cannot be directed for the release of energy.
The bulk of living matter is made up of hundreds of types of enzymes whose specific task is to bring chemical reactions rapidly to equilibrium. However, because the product of one reaction turns out to be the starting material of the next chemical conversion, equilibrium is not reached. We find chemical transformations in which the end product of a given reaction sequence is able to terminate the initial reaction of the sequence through specific feedback inhibition. The existence of control mechanisms such as feedback inhibition enables cells to maintain relatively constant concentrations of biomolecules in a nonequilibrium steady state. It cannot be envisioned that this situation could be established if one began with a cell in which all components were at equilibrium.
These considerations highlight two theoretical problems which evolutionary postulates concerning the origins of life cannot solve:
1) What is the source of biological information, which dictates the structure, and function of biopolymers?
2) In the initial development of cells, how could all molecules necessary for life be sequestered into a cell in such a way that they are in a state of non-equilibrium, when the bulk of these molecules are very efficient biocatalysts specializing in the establishment of equilibrium?
It is widely acknowledged that life is a nonspontaneous process. If this indeed is the case, life must have arisen by a nonspontaneous process, because nonspontaneous events, by definition, cannot begin spontaneously. Since creation qualifies as a nonspontaneous process, the very existence of the phenomenon of life is an evidence for creation.
* Originally published in:Javor, G.T.: Life, an evidence for creation. Origins 11:105-107.

REFERENCES
1976. Twenty reports on the Viking I and Viking II missions. Science 194:1274-1353.
(2) Lehninger, A. L. 1970. Biochemistry. 2nd ed. Worth Publishers, New York, p. 415.
(3) Ingraham, J. L., O. Maaloe and F. C. Neidhardt. 1983. Growth of the bacterial cell. Sinauer Association, Inc., Sunderland, Massachusetts, p. 3.
(4) Evard, R. and D. Schrodetzki. 1976. Chemical evolution. Origins 3:9-37.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

ORIGENS: DOIS MODELOS!

Introdução
Até meados do século passado, o mundo civilizado vivia sob forte influência do cristianismo. A teologia era considerada a "rainha" das ciências. Cristãos eram criacionistas que jamais ousavam por em dúvida as Escrituras.
Num universo de ideias tão fechadas, não foi fácil a escalada evolucionista. No que diz respeito às origens do universo e da vida, por exemplo, não se admitia outra forma de pensar que não fosse compatível com a narrativa bíblica da criação.
Gradualmente, porém, após a publicação do livro de Darwin, a opinião pública começou a mudar. Primeiro foram os círculos científicos, depois as rodas intelectuais e então, indistintamente, todas as camadas sociais.
Desde então, a filosofia dominante tem sido a evolucionista. Em escolas e universidades, em jornais e revistas, o evolucionismo é apresentado , não como uma hipótese, mas como um fato cientificamente comprovado, impenetrável a qualquer outra forma de pensamento.
Em consequência, o novo universo das ideias se mostrou tão fechado quanto o anterior, quando cristãos defendiam sua forma de pensar com argumentos estritamente religiosos. Hoje, não crer na evolução é, na opinião dos evolucionistas, negar o óbvio, desconhecer os fatos científicos mais elementares.
Apesar disso, nas últimas décadas, alguns cientistas têm corajosamente feito oposição ao evolucionismo: são os Criacionistas, que afirmam poder sustentar cientificamente esta posição. Tais homens de ciência afirmam não estar longe o dia em que a evolução será ensinada nas escolas, não como um fato, mas como a grande falácia dos séculos XIX e XX.
Temos, portanto, dois modelos das origens, o criacionista e o evolucionista, que se propõem a explicar o surgimento da vida, a diversidade de formas em que esta se apresenta, o nascimento do sistema solar, das galáxias, do universo como um todo.
Examinaremos, aqui, esses dois modelos de que o homem tem se utilizado para tentar desvendar o enigma das origens. Iniciamos, pois, uma jornada pelo mundo da ciência, da filosofia e da religião, em busca de nossas próprias origens.

O modelo da criação

Este modelo define, no princípio, um período de criação especial, quando todos os sistemas básicos da natureza foram trazidos à existência completos, prontos para pleno desempenho de suas funções.
Assim, ao invés de pensar na vida como tendo surgido a partir de formas bem simples - aminoácidos, proteínas, bactérias, algas etc., gradualmente evoluindo para formas mais complexas, a teoria da criação afirma que os seres vivos vieram à existência através de actos distintos de criação.
Isto não significa que criacionistas tenham um conceito intransigente. Tal conceito afirma que as espécies biológicas são, desde o princípio, imutáveis e idênticas aos primeiros organismos criados. Criacionistas do tempo de Darwin eram pouco afeitos à ciência e, pressionados pelas ideias evolucionistas, muitos foram para esse outro extremo.
Criacionistas sabem da existência de vários processos da natureza, que convencionamos denominar de mutações, capazes de introduzir novidades genéticas em uma dada espécie.
Eles, entretanto, não crêem que tais processos possam trazer à cena modificações tão extraordinárias, a ponto de gerar toda a diversidade de vi¬da que encontramos no planeta a partir de um primeiro e único organismo unicelular, ou mesmo uma espécie a partir de outra. Eles também não crêem que a vida possa ter se originado a partir da matéria sem vida, de um modo inteiramente ao sabor do acaso.
Assim, a origem da vida e das espécies de seres vivos não pode ser explicada através de recursos naturais, demandando, portanto, a existência e o concurso de um agente externo ao universo e que foi o responsável por todos os pontos críticos da história desse mesmo universo. Findo o período de criação, cessaram os processos criativos, substituídos por processos de conservação, com o fim de preservar tudo que havia sido feito.
Nesse contexto, tudo teria sido criado perfeito. Do infinitesimal protozoário aos grandes mamíferos; do minúsculo átomo as gigantescas galáxias, o universo foi criado em perfeita ordem e todos os seres vivos, inclusive o homem, estavam presentes desde o inicio. Entretanto, num universo perfeito, onde alterações aleatórias são sempre possíveis, o sistema tende a se desorganizar.
Na verdade, essa tendência é a própria essência da segunda lei da termodinâmica, expressa em termos probabilísticos. Assim, o modelo da criação admite um princípio básico de desintegração, em vigor na natureza, desde o seu início. Naturalmente, se este modelo e mesmo factível, deve haver, por todo o universo, muitas evidências dos seus pressupostos.
Opositores da evolução
Criacionistas encontram-se entre os mais duros opositores da teoria da evolução, apontando sempre o que eles consideram pontos fracos dessa teoria. Eis, abaixo, alguns desses pontos:
1. O registo fóssil não apresenta os fósseis de transição entre as espécies. Esta é uma necessidade básica do evolucionismo, obviamente não resolvida;
2. Não há qualquer evidência de que uma espécie tenha, com o tempo, se transformado em outra, nem há, na natureza, qualquer mecanismo capaz de tal proeza. Este fato não deve nos causar surpresa, uma vez que a evolução não se caracteriza como fenómeno passível de observação e consequente investigação científica;
3. Erros básicos encontrados nos métodos radiómetros de datação comprometem as idades atribuídas a todos os sistemas datados. Sem a vastidão do tempo a sua disposição, o evolucionismo não pode subsistir;
4. Similaridades entre os seres vivos foram, no passado, consideradas evidências da evolução acima de qualquer suspeita. Comparações recentes entre o DNA e o RNA de varias espécies têm mostrado que esse tipo de comparação é, na verdade, inconclusivo.
Os meios de comunicação têm, via de regra, caracterizado o movimento criacionista como anticientifico, cujos integrantes são fanáticos religiosos, dispostos a tudo para fazer prevalecer seus pontos de vista acerca das origens. Recentemente, em um artigo a respeito de Darwin, o articulista afirmou: "só protestantes fundamentalistas, que interpretam a Bíblia ao pé da letra e, por isso, não crêem nas mutações, se recusam a crer nas idéias de Darwin acerca da evolução das espécies".
Isto, porem, não é verdade! Todos sabemos que as mutações são uma realidade - dizem os criacionistas - mas também sabemos que elas não dispõem de potencial para promover a evolução. Em outras palavras, os criacionistas afirmam possuir respostas claras e convincentes, sempre consistentes com os fatos da natureza e com as descobertas da ciência, a todos os argumentos apresentados por evolucionistas.
Síntese da posição criacionista
Criacionistas crêem na existência de um Ser superior, que preexistiu a todo universo e, pelo seu poder, deu origem a tudo quanto existe. Crêem também os criacionistas que o Criador trouxe a existência não só as galáxias de que se compõe o universo, como também os tipos básicos de seres vivos, dos quais descende a presente multiplicidade de formas em que a vida hoje se apresenta. Esta é uma ideia bastante plausível, e que conta com o suporte da observação e da experimentação. A espécie dos cães, por exemplo, em 1960 possuía 200 raças a mais do que em 1700, obtidas através de sucessivos cruzamentos e selecção de certas características.
Tanto quanto tem sido observado, experimentalmente ou na natureza, nem as mutações, nem os processos de selecção, têm potencial para produzir uma transformação de uma espécie em outra. Os mutantes são sempre da mesma espécie que os originou, quase sempre menos aptos a sobrevivência, e os processos de seleção natural não fazem mais do que recombinar os genes presentes em uma dada espécie.
Assim, sabemos que o homem tem sido capaz de seleccionar combinações de genes para produzir novas variedades de cães, pombos, ervilhas, feijão etc., e que através de mutações se pode ter novas características introduzidas em uma dada espécie. Nenhum dos dois casos, entretanto favorece a transmutação de uma espécie em outra.
Veja algumas das principais características da criação:
1. Sobrenaturalista - Origens explicadas através da existência de um agente externo ao universo: o Criador;
2. Externamente dirigida - Todo o universo é dirigido pelo Criador, que mantém sua obra através de processos de conservação por Ele estabelecidos;
3. Dotada de propósito - O Criador trouxe o universo à existência com um propósito bem definido;
4. Completa, concluída - Houve um período de criação, ao fim do qual o Criador deu sua obra por completada.
Criacionistas mantêm, ainda, que a livre investigação da natureza confirma todos os pontos do seu modelo; que as evidências da natureza apontam, de modo insofismável, na direcção do Criador. Afirmam, também, que a Terra é um planeta jovem, apresentando não só erros básicos nos métodos de datação utilizados pelos evolucionistas, como também evidencias da natureza que favorecem o seu ponto de vista.

O modelo da evolução

Darwin não pretendia, ao publicar o seu livro A Origem das Espécies, em 1859, explicar a origem da vida na Terra. Sobre isto, ele escreveu um único parágrafo, em que afirmava crer que os primeiros germes de vida haviam sido colocados por Deus em nosso planeta. Tal parágrafo, porém, Darwin ordenou que fosse suprimido a partir da segunda edição de seu livro.
É muito difícil julgar intenções, mas a atitude de Darwin, ao suprimir esse parágrafo, parece significar que ele já começava a se render ao naturalismo, que afirma que tudo no universo pode ser explicado através de causas naturais. Nesse caso, a origem da vida não seria uma excepção.
Mas o objectivo do livro era explicar a origem das espécies, a partir de vida preexistente. Como, afinal, explicar a origem de todas as espécies que encontramos na Terra? Qual a origem da grande diversidade que hoje observamos entre os seres vivos?
Darwin estava convencido de que as espécies se transformavam com o tempo, e que as pequenas diferenças que normalmente observamos entre uma geração e a sua prole acumulavam-se e, com o tempo, davam origem a uma nova espécie. Neste contexto, peixes haviam surgido de outros seres menos complexos nos oceanos e dado origem aos anfíbios. Destes teriam surgido os répteis, ancestrais das aves e dos mamíferos. O homem, como afirmara T. Dobzhansky, era apenas um produto dessa evolução, tendo surgido entre os mamíferos como o ser mais evoluído.
Outros pensadores vieram após Darwin e completaram essa visão de modo a incluir o universo como um todo. Assim, se configurou um modelo das origens bastante distinto do criacionista, ao qual se denominou de modelo evolucionista das origens. Desde então, esse modelo passou por diversas modificações na tentativa de vencer as dificuldades que se apresentaram a partir de novas descobertas da ciência.
Em sua caminhada. muito provavelmente por falta de oposição a altura, tornou-se o modelo hoje dominante. A maior parte dos cientistas acredita na teoria da evolução como a única forma de explicarmos nossas origens, e praticamente toda a média, revistas, livros, jornais, rádio, televisão etc., ao tratar algum assunto científico relacionado com as origens, o faz em um contexto evolucionista.
Em sentido mais abrangente, este sistema afirma que todo o universo se encontra em continua evolução. Este processo teria se iniciado com o hidrogénio, subproduto básico de uma suposta explosão (Big-Bang) supostamente ocorrida há cerca de 15 bilhões de anos, quando o presente universo ainda não existia.
A partir de então, esse gás incolor, inodoro, insípido, contendo apenas um próton em seu núcleo, e um elétron à sua volta, teria sofrido transformações casuais, gerando outros elementos por meio da captura de elétrons, prótons e nêutrons. Estes teriam se combinado de modo a gerar as substâncias de que se compõe o universo, com a matéria resultante se organizando ate o ponto de gerar a vida, com todas as suas particularidades.
Como todos os processos até hoje idealizados para justificar a evolução são sempre muito lentos, o tempo se torna um dos fatores imprescindíveis nesse modelo. Não se pode conceber o processo da evolução em um período de tempo muito curto. A evolução requer bilhões de anos, e esta imensa porção de tempo Darwin encontrou à sua disposição na filosofia uniformitarista de James Hutton.
De acordo com G. A. Kerkut, agraciado com o título de professor emérito de neurociência na Universidade de Southampton, em seu intrigante livro Implications of Evolution, há sete hipóteses básicas frequentemente não mencionadas em nossas discussões sobre a evolução, e que muitos evolucionistas ignoram as primeiras, considerando apenas a sétima. Eis aqui essas hipóteses:
1.- Coisas não vivas deram origem ao material vivo, em outras palavras, a geração espontânea ocorreu;
2.- A geração espontânea ocorreu apenas uma vez na história da Terra;
3.- Vírus, bactérias, plantas e animais estão todos inter-relacionados;
4.- Protozoários deram origem aos metazoários;
5.- Os invertebrados também estão todos inter-relacionados;
6.- Os invertebrados deram origem aos vertebrados;
7.- Entre os vertebrados, peixes de¬ram origem aos anfíbios; anfíbios aos répteis; e répteis a aves e mamíferos.
Continuando. o Dr. Kerkut diz que: "... essas sete hipóteses não são passiveis de verificação experimental. Elas pressupõem que uma série de eventos ocorreu no passado. Ainda que fosse possível produzir tais eventos sob condições actuais, isto não significaria que tais mudanças tenham ocorrido no passado. Assim, transformar um réptil moderno em um mamífero, ainda que uma operação de grande interesse, não nos revelaria nada sobre a origem dos mamíferos. Infelizmente, nem mesmo esse tipo de transformação estamos aptos a realizar" (p. 7).
Apesar das críticas que o Dr. Kerkut desfere em seu livro contra o modelo da evolução, ele é um evolucionista. Isto, porém, não deve nos surpreender: todo aquele que sucumbir diante dos apelos do naturalismo, que insistir em afirmar que tudo no universo pode ser explicado através de causas naturais, não terá mesmo outra alternativa para explicar as nossas origens que não a teoria da evolução.
A ilustração ao lado ilustra o pensamento evolucionista, da ameba ao homem.
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O Prof. Christiano P. da Silva Neto é professor universitário, pós-graduado em ciências pela University of London, estando hoje em tempo integral a serviço da ABPC - Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, da qual é presidente e fundador. Autor de cinco livros sobre as origens, entre os quais destacam-se Datando a Terra e Origens - A verdade Objectiva dos Fatos, o Prof. Christiano tem estado proferindo palestras por todo o país, a convite de igrejas, escolas e universidades.